segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A UNESCO, a Palestina e a vitalidade democrática dos EUA


Por princípio, sou pela autodeterminação dos povos e assim, pela independência da Palestina. Não se ignora a delicadeza do tema, que se arrasta há décadas e causou já muitos milhares de mortos. Não se pode ignorar o povo de Israel, que está isolado entre inimigos figadais, alguns dispostos a morrer para matar um israelita, em muitos casos, fruto de uma educação tendenciosa e perigosa, porque assenta no fundamentalismo religioso. A solução passa por apoiar a independência da Palestina, sem pôr em perigo a independência de Israel. E, convenhamos, a tarefa é delicadíssima.
Hoje, com votação muito folgada, foi aprovada pela Conferência Geral da Unesco, em Paris, a integração no seu seio da Palestina, reconhecendo-lhe, implicitamente, estatuto de Estado.
Entre os 14 países que votaram contra, conta-se, sem surpresa, os EUA, por razões históricas de apoio incondicional a Israel.
Porque o país auto-assumido paradigma das liberdades e dos direitos individuais não apreciou a derrota, resolveu, pura e simplesmente, deixar de contribuir financeiramente para a Organização.
Não é o primeiro, mas aqui temos mais um magnífico exemplo de aceitação das tão apregoadas regras democráticas.

domingo, 30 de outubro de 2011

Assassínio na terra do samba ao som de órgão de igreja

Ele confiou na reduzidíssima taxa de sucesso da polícia brasileira - cerca de 1%. Tomou algumas precauções, é verdade, mas não as suficientes para driblar uma investigação que mergulhou fundo, onde habitualmente não chega porque, se assim fosse, a taxa de sucesso não seria tão franciscana.
Mas se a investigação foi onde à partida não se pensaria que fosse, apenas conseguiu provar que o suspeito é mentiroso. Efectivamente, há apenas indícios. O facto de ter mentido, leva a crer, naturalmente, que tivesse algo a esconder, podendo esse algo ser aquele assassínio em concreto. Mas apenas isso.
Testemunhas oculares não há e elementos de prova material parece pautarem pela ausência igualmente, ou pelo menos a sua existência não resulta da leitura da acusação, fraquinha, de resto. Não há referência a arma usada, sangue da vítima no carro usado, marcas do suspeito deixadas no local do crime, entre outras.
Faltava um tapete do carro, que não foi encontrado pela polícia; houve excesso de velocidade perto do local do crime; mentiu quando disse desconhecer a marca da viatura e a empresa onde a alugou, e tinha até móbil para o crime. Tudo isto é verdade, mas falta o resto. Se o julgamento decorrer no Brasil – como tudo leva a crer que aconteça - não tenho elementos para me pronunciar sobre possíveis desfechos, por desconhecer as dinâmicas e as sensibilidades locais. Em Portugal, uma acusação como a que me foi dado ler, seria motivo para a defesa esfregar as mãos de contente.
Bom, a não ser que a comunicação social desse um jeito, forçasse a barra, como se diz na terra do samba, e o julgamento tocasse a certos juízes que cedem e gostam de acórdãos que parecem procurar aconchego no colinho da opinião pública. Mas, com arguidos com um certo peso, como é o caso… outro órgão tocaria.

sábado, 29 de outubro de 2011

E a Justiça a vê-los passar...

É tempo de Duarte Lima, é verdade, mas não devemos esquecer Isaltino, aliás ele não deixa. Mais uma vez impediu, no último dia do prazo, que transitasse em julgado a sentença que o levaria à prisão. Fontes geralmente muito mal informadas, dizem que desta vez questionou a legalidade do acórdão que o condenou porque, um dos juízes do colectivo, no momento da leitura, tinha desapertado um dos botões da beca. Não sei se se confirma, até porque não sei se a beca tem botões, mas o tempo esvai-se e é isso que verdadeiramente interessa. Enquanto tudo isto se passa, e mais aquilo que nós ignoramos, a Justiça e todos quantos a procuram defender, impotentes para a acção, ficam à janela do país a vê-los passar cantando e rindo. E dói… se dói.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Rachmaninoff Prelude in g minor op. 23 #5 HQ


Se alguém pensa que não foram apenas a peça musical e a interpretação que me levaram a postar a Valentina, está cheio de razão.

1º CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA FORENSE

PRÉ-INSCRIÇÕES ABERTAS

O curso, coordenado pela Professora Doutora Eugénia Cunha (Professora Catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra) é organizado pelo Centro de Ciências Forenses, um centro de investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e do Instituto Nacional de Medicina Legal, as duas instituições portuguesas mais habilitadas para o fazer, pela sua ligação forte e directa à Antropologia Forense. Na organização do Curso está, também, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que, através do seu Departamento de Ciências da Vida, tem vindo a dar formação na área.
A cadeira de Investigação Criminal é assegurada pela Escola de Polícia Judiciária
A data-limite para a pré-inscrição é 28 de Outubro.
qualquer contacto: cunhae@ai.uc.pt

domingo, 23 de outubro de 2011

"Luísa" - baseado na obra de António Gedeão

Portugal tem todas as razões para se orgulhar desta gente que vive intensamente uma paixão. Dão prazer a quem vê, porque essa paixão passa. O que esta gente passa também são recibos verdes, geralmente magros, mas apenas quando recebe...

sábado, 22 de outubro de 2011

Indignai-vos! diz Stéphane Hessel

Um pequeno, mas interessante texto de Stéphane Hessel, que contava 93 anos quando o escreveu, o que por si só é um facto assinalável, tendo em conta a sua qualidade e oportunidade. O autor, além da provecta idade, tem um lastro de vida gerado pela grande intensidade com que foi vivida. Nascido na Alemanha, foi viver para França ainda nos anos vinte. Quando as forças de Hitler chegaram a Paris, Hessel entrou na clandestinidade e fugiu para Londres, ficando às ordens do general De Gaulle. Já nos últimos anos de guerra, entrou em França, para integrar a Resistência, acabando preso pelos nazis e condenado à morte. Na véspera da execução da pena, conseguiu trocar a sua identificação com a de um francês que entretanto morrera de tifo. Pouco depois seria transferido para um outro campo de concentração, de onde viria a fugir.
No fim da guerra, integrou o corpo diplomático francês, ocupando um cargo nas Nações Unidas, o que lhe permitiu colaborar na elaboração da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
É este adepto da não-violência que nos deixa um testemunho vivo e muito lúcido sobre um pouco da vida da Europa na segunda metade do Século XX, não hesitando em recomendar que nunca pactuemos com o que, ainda que superiormente emanado, fira os valores ou os princípios em que firmemente acreditamos. «Indignai-vos! recomenda. Não foi por acaso que em apenas 4 meses este pequeno livro vendeu 1.300.000 exemplares em França. Por mim, recomendo a sua leitura. 

romance de diogo soares - fausto



Gosto muito, sempre gostei, de Fausto e, particularmente, deste disco,  Por Este Rio Acima, de que guardo uma bela cópia em vinil desde que foi editado, nos primeiros anos da década de oitenta. Acho mesmo que, pelo tema que aborda - a errância dos portugueses de Quinhentos pelas sete partidas do mundo, baseado muito concretamente no mais emblemático livro de viagens da bibliografia portuguesa, a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto -, mas também pelos magníficos momentos de inspiração do compositor e letrista, o próprio Fausto, se tivesse que eleger O Disco de música portuguesa, este seria a minha opção, sem hesitar. De entre todos os temas contidos na obra, Romance de Diogo Soares ocupa um lugar especial na minha preferência, e isto porque não conheço uma canção portuguesa que melhor aborde as grandezas e misérias da saga dos Descobrimentos. A letra é, por si só, uma bela aula de História.





quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Eta renuncia à luta armada

A notícia do dia não foi a vitória do Sporting, nem o alegado chorudo auto aumento dos directores da PSP. Não foi também o anunciado aumento de ordenados de milhares de efectivos da GNR e da PSP a partir do próximo ano, o que, diga-se, é chocante – não encontro outra palavra –, por vir ao arrepio de tudo quanto são as aparentes preocupações do poder político. Perdoem o exagero, mas faz-me lembrar as ditaduras sul americanas a tratar principescamente os militares, os seus guardiões. Bolas, não é em nome dessas mesmas preocupações que os governos, este e o antecedente, tanto têm azedado os dias dos portugueses? Não, nada disso foi para mim a notícia do dia. Também não foi a morte de Khadafi - uma selvajaria, adivinha-se -, porque já estava morto há pelo menos uns meses, a notícia do dia foi, claramente, a renúncia da ETA à luta armada. Mais do que o fim - quero crer - de um clima de terror que durou mais de 40 anos - com algumas centenas de mortos - particularmente em Espanha mas também em França, é um passo importante para o fim do terrorismo urbano na Europa. Dos que vêm de trás e dos que nasceram após o Maio de 68, restam poucos movimentos radicais armados e nenhum deles tem sido tão activo como a ETA. A declaração de hoje pode representar uma machadada na insistência da violência por parte de quem ainda não tomou a mesma decisão. Em todo o caso, não deixa de ser uma coincidência histórica muito curiosa, a ETA divulgar esta decisão, que marca a sua morte, exactamente no dia da morte de Khadafi.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

RTP - Linha da Frente - Mafalda Gameiro

Acabei de assistir a uma bela demonstração de serviço público de televisão. Foi na RTP1, depois do Telejornal, o programa Linha da Frente, da jornalista Mafalda Gameiro, que já nos tem brindado com outras preciosidades. Para quem gosta de História, da Baixa de Lisboa, do comércio tradicional, da decoração das lojas antigas, da beleza das coisas simples e da genuinidade das gentes simples, mas também para quem gosta do que parece estar em vias de extinção, e eu gosto de tudo isto, foram trinta minutos de verdadeira emoção, sentimento que raramente me toca quando vejo televisão.
Se fui suficientemente convincente, vejam no sítio da RTP; se não fui, a culpa não é do programa, vejam na mesma. Vale bem a pena.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Prof. Duarte Nuno Viera e a Base de Dados de Vestígios Biológicos

Pequeno excerto de uma entrevista do presidente do Conselho de Administração do Institutio Nacional de Medicina Legal ao Diário das Beiras.


Quantos perfis de ADN tem a base de dados?
Tem apenas algumas centenas quando gostaríamos e tínhamos perspectivado que pudesse ter já uns três ou quatro mil.

Porque é que não tem?
Considero que responsabilidade principal está na lei que regulamenta a Base de Dados. A nossa lei é particularmente restritiva.


(Pergunto eu: estão à espera de quê para alterar a lei? Outra pergunta: para que serve uma base de dados assim?)

domingo, 16 de outubro de 2011

O luto continua, mas a vida também



Nada tenho contra este PM nem contra o que o antecedeu, não fossem as mentiras. Eles enganam-nos, e isso é uma coisa que me chateia. Nós participamos na vida democrática, votamos e pronto – é o que de nós esperam. Mas votamos muito em função da informação que nos chega e, no entanto, a verdade é que nunca sabemos se ela é a correcta. Mas fico particularmente chateado - não sou perfeito – quando essas mentiras me vão custar cerca de 30% do meu salário nos próximos 2 anos.
Ah... e tal, é para reduzir a despesa pública, pa-ta-ti, pa-ta-tá... Bom, é verdade, deixando de pagar aos funcionários públicos, o Governo reduz a despesa, naturalmente. Mas e os 1500 institutos e empresas municipais que não servem para nada, segundo o Dr. Marques Mendes? E as milhares de reformas de 5000, 6000 , 7000 euros mensais e mais? Ah e tal… essas levam um corte 10% sobre o que ultrapassar os 5000. Upssss… aquilo é que vai ser sofrer. Uma reforma de 5500 euros, será severamente amputada de… 50 euros. Brutalidade. Não se faz. Porque raio não se lembraram de impor um tecto a estas reformas, como existe em muitos outros países? - aqui ao lado, por exemplo. Porque raio são sempre os mesmos a pagar? Isto é vingança contra os funcionários públicos e ao mesmo tempo é demagogia, porque, sabe-se, são tradicionalmente mal amados pelos portugueses.
700 mil funcionários públicos e mais de três milhões de não funcionários públicos são a força activa deste país. Porque raio só os primeiros pagam? O país não é de todos? Ah e tal… os funcionários públicos ganham mais. É falso! Todos sabemos que isso não pode ser medido assim por haver muitos factores a considerar. Por exemplo, e é só um exemplo, é no Estado que trabalha grande parte dos licenciados deste país.
Estou de luto por mim e por todos quantos como eu vão ter que repensar o seu dia-a-dia, sem a certeza de conseguirem fazer face às despesas ao longo dos próximos 2 anos. O luto é ainda mais carregado, por todos sabermos que muitos portugueses já hoje sentem a asfixia financeira e mesmo assim, para o próximo ano, vão ter de contar com menos dois salários mensais - para além de todos os restantes aumentos que farão, necessariamente, os seus estragos. Trata-se de igual forma quem ganha 1000 e quem ganha 5000. Justiça social... onde andas tu?
E a estrutura económica nacional, como se vai aguentar? E os institutos? e as empresas municipais? e os milhares de assessores? e as brutais reformas? e as grandes fortunas? E os 308 concelhos? E as 4 mil e tal freguesias? E os negócios desastrosos para o Estado em prol de interesses obscuros? Porque raio são sempre os mesmos a pagar a factura?
Devemos estar todos de luto

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Congresso Manuel da Fonseca II

Ainda sobre o congresso dedicado a Manuel da Fonseca, que decorreu no último fim-de-semana em três frentes (Faculdade de Letras da UL, Museu do Neo-Realismo e Santiago do Cacém), por aquilo que me foi dado assistir - só estive no Sábado em Vila Franca de Xira - «a coisa» foi levada muito a sério, e ainda bem. Os temas foram tratados por especialistas e, naturalmente, com a profundidade que só eles conseguem imprimir e que a memória do homenageado merece. Mesmo sem que os meios de comunicação social lhe dedicassem particular atenção, o que se lamenta, este Congresso fez-nos recordar um enorme escritor e prestou um belo serviço a uma estética que marcou um tempo, mas que ao longo das últimas dezenas de anos tem vindo a ser menosprezada pela elite intelectual dominante. Espero que a organização possa publicar as apresentações que foram efectuadas ao longo dos três dias, visando não só preservar, mas melhor difundir a memória.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Relatório Minoritário ou Pelo Sonho é que Vamos

Quem se lembra de Relatório Minoritário? É um conhecido filme de ficção científica, cuja trama assenta, basicamente, na prisão do criminoso antes de o ser, ou seja, antes que ele tivesse tempo para cometer o crime. Pouco mais recordo do filme, que vi quando saiu. Vem isto a propósito de uma pequena notícia que li num jornal diário, onde se dava conta de uma experiência científica efectuada numa comunidade da Califórnia. Uma equipa multidisciplinar formada por um matemático, um criminologista e um antropólogo, criaram um sistema que analisa uma vasta quantidade de dados entre os quais, os locais onde ocorriam os vários tipos de crimes, a altura do dia e o tipo de evento que os potenciava. Foram introduzidos dados referentes a oito anos, com actualizações diárias. A experiência decorreu ao longo de seis meses, podendo a equipa contar com a colaboração do departamento policial da zona. Ao longo desse tempo, foram várias as situações criminais evitadas porque os agentes policiais chegaram antes. A notícia é omissa quanto à taxa de sucesso, mas ainda que não fosse elevada, acreditamos ser este o caminho - «Pelo sonho é que vamos» (Sebastião da Gama). Assim se tem cumprido a História do Homem desde que um nosso ancestral, há alguns milhões de anos, concebeu um recipiente para guardar alimentos, até às viagens mais fantásticas, desbravando o Universo. Pelo sonho é que sempre fomos e pelo sonho nos vamos continuar a guiar, inevitavelmente.

domingo, 9 de outubro de 2011

Carlos Nunez em Mar Adentro ou em memória de Ramón Sampedro

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Estas belas sonoridades e este linguajar tão irmão, servem de pretexto para falar do direito inalienável a vivermos dignamente. Quando, de todo em todo, isso se tornar impossível, que não nos tolham o direito a podermos recusar essa indignidade.
Em memória de Ramón Sampedro.

sábado, 8 de outubro de 2011

Em Beja, os Infantes têm Lendias... D`Encantar

Esta é a Rua dos Infantes, em Beja, onde as Lendias acabaram de se instalar

O espaço interior é magnífico e justifica por si só uma visita.
Nesta sala decorria uma das várias performances

Nos Infantes, a arte Clássica cruza-se com a Contemporânea

Ao fundo desta maravilha, outra performer

Aqui está ela

Nova performance




Adicionar legenda


Panorâmica da zona do bar para o piso inferior, onde uma perfomer dava andamento à sua prestação

Com a sala estúdio - muito acolhedora, de resto -, sem qualquer cadeira por ocupar, a apresentadora de serviço fez as honras da casa e introduziu «Ardente Perfeição da Tua Ausência» um belo e intimista trabalho baseado nas palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen, ditas e bem, pela surpreendente Ana Oliveira, com a música de Paulo Ribeiro 

No final, os protagonistas Ana Oliveira e Paulo Ribeiro agradecem os merecidos aplausos.

O ciclo continua, como se verá no cartaz, e para além dele outras iniciativas haverá. Porém, todos os dias, o bar abrirá as portas para ajudar a molhar a palavra e celebrar o encontro. Uma coisa é certa: a cidade de Beja passou a poder contar com um novo espaço cultural que, naturalmente, deve ser acarinhado por todos quantos, verdadeiramente achem que sem cultura a vida prosseguiria os seus trâmites, mas não era a mesma coisa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Congresso Manuel da Fonseca

Talvez Manuel da Fonseca se risse a bandeiras despregadas se lhe dissessem que um dia alguém se lembraria de lhe dedicar um congresso.
A verdade é que 2011, é o ano do centenário do nascimento de dois dos mais emblemáticos escritores do Neo-Realismo português: Alves Redol e Manuel da Fonseca. E se durante muito tempo as obras e autores ligados a este movimento foram, por muitos, minimizados e ignorados, naturalmente por razões que escapavam às próprias obras e à qualidade dos seus autores, a verdade é que os tempos mudam e com eles as vontades, e aquilo que parecia morto ressuscita.
Iniciou-se hoje na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Congresso Manuel da Fonseca, com, entre outros, Eduardo Lourenço. Prosseguirá amanhã em Vila Franca de Xira, no Museu do Neo-Realismo e terminará no domingo na terra alentejana que em 1911 o viu nascer, Santiago do Cacém.
Na impossibilidade de estar em todas as frentes, penso marcar presença no Museu do Neo-Realismo, onde, aliás, está patente uma exposição sobre o autor alentejano, que recomendo.

 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Os Infantes têm Lendias... D`Encantar

Os Infantes, o conhecido espaço gastronómico cultural de Beja, encerrado há alguns anos, vai reabrir amanhã com as Lendias d'Encantar a dar-lhe vida. Reabre apenas com serviço de bar, é verdade, mas promete ser um pólo de atracção cultural da capital do Baixo Alentejo. A partir de amanhã o ciclo Um Actor - Um Músico, convive com uma exposição de artes plásticas. Aquilo promete e convenhamos, fazia falta.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O verdadeiro, o único drama

Esta foto, que fui buscar ao Facebook, retrata o verdadeiro, o único drama humano: a mãe que tem de enterrar o próprio filho. Não há espaço para poesia, só a realidade cruel do povo africano, que não tem quem olhe por ele, tem lugar. E deste povo, fazem parte, naturalmente, as mulheres, as primeiras vítimas das tragédias sociais, num continente que as produz brutais e com tanta abundância. Uma singela homenagem às mães de África.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sporting 2011

Já nos obrigaram a conseguir ganhar só com 10. O próximo objectivo é ganharmos com 9. São as adversidades que nos fazem vencedores. Quanto mais nos empurram para o fosso, mais levantamos a cabeça e procuramos a vitória. A continuar assim, temos um verdadeiro candidato ao título. Parece-me ser este o espírito do Sporting 2011. Espero não me enganar. Bom, nesta matéria seria só mais uma vez.

domingo, 2 de outubro de 2011

O estado da economia mundial e o estado de cada um

O Nobel da Economia Prof. Dr. Wass Catar, explica bem como se deve pensar a economia actual.

1. Se em Janeiro de 2010 tivessem investido 1.000 euros em acções do Royal Bank of Scotland, um dos maiores bancos do Reino Unido, teriam hoje 29 euros!!
2 . Se em Janeiro de 2010 tivessem investido 1.000 euros em acções da Lemon & Brothers teriam hoje 0 euros !!!
3. Mas se em Janeiro de 2010 tivessem gasto 1.000 euros em bom vinho tinto ( e não em acções ) e tivessem já bebido tudo, teriam em garrafas vazias 46 euros.

Bernardo Sassetti e Carlos do Carmo no CCB

Voz e piano e duas horas de emoções, com alguns momentos verdadeiramente empolgantes, quase todos proporcionados pelo piano de Bernardo Sassetti. Passámos pelos grandes poetas e compositores portugueses das últimas décadas, mas também Léo Ferré, Jacques Brel, Joan Manuel Serrat e penso não esquecer nenhum. Um belo repertório que, com uma voz menos padronizada no fado, com aquele piano, a soltar-se constantemente das melodias, seguindo pelos vários trilhos possíveis e todos bons, poderia ter proporcionado um concerto memorável.
Verdadeiramente, sobre o palco do CCB estiveram um grande músico e uma vedeta. Compreendo que BS se sinta reconhecido por fazer dupla com CC que, goste-se ou não, é uma referência da música ligeira portuguesa, mas não devia pactuar com certos excessos, mais do que linguísticos, de atitude. De cima para baixo, de vedeta para o simples apoio à vedeta, quando o concerto valeu inteirinho, pela soma dos dois registos. Primeiro o cantor fez questão de entrar depois do pianista, condenável. Depois, fixei uma das tiradas de CC que, como é seu hábito, entre duas canções, faz campanha auto-promocional. Na ocasião disse estar maravilhado porque ao fim de 48 anos de carreira ainda enchiam o CCB por causa dele. Grosseiro, além de falso, se bem que esta segunda parte o ego poderia impedir que disso se apercebesse. Mas ficou a sabê-lo quando, já no final do espectáculo, CC pediu uma salva de palmas para o pianista e eis que a sala, cheia de facto, se levantou na mais entusiástica e prolongada ovação da noite. Depois disto, talvez para a semana, na sexta-feira, no Porto, onde o espectáculo se repetirá, CC não peça uma salva de palmas para BS ou então, tenha uma postura mais humilde e veja naquele que em Lisboa considerou o seu apoio, um seu igual. Seria bom para os dois e o público também ganhava certamente, porque não tinha de se incomodar com as arrogâncias.
Que não se veja nestas críticas francas à personalidade do cantor, uma minimização dos belos momentos a que assisti. Foram duas horas muito bem passadas e, além de recomendar às gentes do Norte que não faltem na Casa da Música, vou procurar o disco para o comprar.

sábado, 1 de outubro de 2011

Hoje, 1 de Outubro

É Dia da Música; dia em que a Electricidade (a maiúscula por causa do preço) passa de 6 para 23% de IVA; o dia de aniversário da filha de um bom amigo; primeiro dia do último trimestre de 2011, e ainda ontem festejávamos a chegada do novo ano. É o primeiro dia após a libertação de Isaltino Morais e o segundo dia depois da sua detenção. É dia de concerto do Carlos do Carmo acompanhado pelo Bernardo Sassetti no CCB (já tenho bilhete). Mas de tudo isto, prefiro destacar o artigo de Pedro Mexia no Atual (sem c) sobre o DNJovem e a geração que dele despontou, que reúne alguns dos nomes mais marcantes nas actuais letras portuguesas. Mas mais do que isso, o artigo fez-me lembrar que eu nem sempre comprava o jornal, mas havia um dia em que não podia falhar, a 3ª feira, dia de DNJovem. Viveu 13 anos, entre 1983 e 1996 e morreu de facto quanto o passaram para formato digital, num tempo em que menos de 1% dos portugueses tinha internet em casa.
Nestes dias de aperto, em que os jornais vêem as suas tiragens a reduzirem-se drasticamente, em que os jovens estão, como nunca antes sucedeu, entre os muitos que nunca compraram um jornal na vida, não seria de tudo tentar para agarrar essas camadas com um formato do género do DNJovem, ainda que com valências mais ao gosto das novas gerações?
Mas como nada acontece, penso que quem decide está já resignado a fechar a loja quando morrerem aqueles que ainda compram jornais. O jornal não dá, não importa, vendem-se filmes, discos, livros para compensar e aguentar. No fundo nada de novo, navegação à vista, não arriscar coisa alguma para que não lhes imputem responsabilidades por decisões que vierem a mostrar-se erradas. Nada de novo.