terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Memória dos dias - assim vamos com a crise

Neste dia, em que passa - não se celebra - mais um aniversário do 31 de Janeiro de 1891, a primeira tentativa para implantar a República - neste tempo de crise da memória, em que até ao feriado do 5 de Outubro querem pôr fim - no Telejornal da RTP1, uma senhora indignada protestava contra o 3º aumento dos transportes em menos de um ano:

- Estão a matar-nos aos poucos - clamava. - Mais valia o Bin Laden matar-nos de uma vez.

Não há tempo para a memória.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A austeridade já chegou à Madeira

Na Madeira, a austeridade já começou. Segundo o Expresso de hoje, uma escola deixou de fornecer almoços porque não tem dinheiro para pagar o gás e já fecharam alguns centros de saúde à noite para poupar na despesa. Enquanto alunos e doentes pagam a crise, os subsídios para os partidos não sofreram qualquer redução (5 milhões por ano) e o dinheiro que é de todos continua a entrar no pasquim do Jardim, o Jornal da Madeira (4 milhões por ano).
Também ali, a crise é só para alguns, os do costume. São mais e já estão habituados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896

Trago hoje palavras de um grande português escritas há 115 anos, mas tão doutas que, com a excepção da referência ao «Limoeiro», que já não é prisão, podiam tê-lo sido hoje. Ou então há coisas que nunca mudam.

‎"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
[.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
                                                                                 Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896
                                               (Texto retirado da página do Facebook do professor José Adelino Maltez)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quem tem medo de Virginia Woolf

Um texto intemporal que, inevitavelmente, me remete para Richard Burton e Elizabeth Taylor e para um filme dos anos 60, mas a culpa é minha.
Voltou a Portugal esta magnífica peça de Edward Albee e, desde Novembro até final deste mês de Janeiro, estará no D. Maria II. Fui vê-la ontem e gostei muito. Foi bom voltar à riqueza daquele texto que, diga-se, está muito bem entregue aos quatro actores escolhidos. Elas (Maria João Luís e Sandra Faleiro) melhor que eles (Virgílio Castelo e Romeu Costa). Sandra Faleiro faz de forma sublime a Honey, a jovem esposa - o melhor desempenho. Maria João Luís é a protagonista, está permanentemente, ou quase, em cena e sentem-se alguns desequilíbrios na sua prestação, ainda assim é altamente positivo o seu trabalho. Em abono de todos, convêm repetir que o espectáculo está em cena desde Novembro, pretendendo com isto justificar algum desgaste, perfeitamente compreensível.
Tudo se passa na sala de visitas de Martha e George, um casal de meia-idade, que recebe o jovem casal Nick e Honey. Vai ser este o local de todos os excessos alcoólicos e não só, mas talvez estes contribuíam para abrir as portas que permitem expor tudo o que havia para expor e sempre fora adiado; a noite das facas longas nas relações. Jogos de verdade e consequência cruéis que a todos os quatro em cena atingem. É aquele o tempo de chegar ao «tutano» das relações, no dizer de George.
Quem tem medo de Virgínia Woolf? Verdadeiramente não perder, mas já não há muito tempo. Termina no dia 29.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Congresso Internacional Alves Redol

Começa amanhã, 5ª feira, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Congresso Internacional Alves Redol. Trata-se de uma iniciativa do Museu do Neo-Realismo em associação com a Faculdade de Letras, que decorrerá até sábado com a participação de grandes estudiosos da obra de Alves Redol. O evento prosseguirá na 6ª e Sábado no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. Para mal dos meus pecados, só no Sábado poderei marcar presença, mas não faltarei.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Já tenho «O Bairro» comigo

Foi-me entregue  hoje o primeiro exemplar do meu mais recente livro, O Bairro.
Está um belo objecto, se me permitem. Quanto ao conteúdo, prefiro esperar pelos reflexos dos meus leitores. Vamos agendar a apresentação pública e talvez daqui a um mês tenhamos nos habituais postos de venda um policial verdadeiramente português - tem o nosso ADN social. Deixo-vos com o texto que consta na badana.

«Manuel Sousa, agente da PSP, é assassinado num bairro às portas de Lisboa. A Polícia Judiciária está a começar a investigação quando é surpreendida pela notícia da morte de mais dois agentes. Quase ao mesmo tempo, um traficante de droga é deixado sem vida no Serviço de Urgência de um hospital. O que têm em comum estes factos? O bairro. O país fala destes casos, os jornais e as televisões fazem eco das preocupações sociais, a hierarquia policial e a tutela política exigem respostas aos investigadores. O chefe Barata, a pouco tempo de se reformar, encara este caso como o seu derradeiro desafio.  O Bairro, baseado numa história verídica, é o retrato intenso de um mundo onde o crime e a honestidade convivem diariamente, onde prolifera o sentimento de abandono a que foi votado quem ali cresceu, para onde foi viver quem não tinha alternativa e onde é real a coragem de suportar o estigma de um nome. Mais do que um romance, O Bairro é a metáfora de tantos vulcões existentes em redor das grandes cidades contemporâneas, cuja erupção todos temos o dever de evitar.»

domingo, 15 de janeiro de 2012

Esta merda tem de acabar - Jacques Fresco


Não sei se é da chuva, se do nevoeiro, do frio, da noite mal dormida, mas hoje levantei-me com o espírito muito revolucionário. Ainda estava na cama e ouvi o Fausto cantar a sua (nossa) velhinha «Rosalinda». Enquanto aqueciam as chávenas do café, já estava a largar a bomba no Facebook: «…Pois os que mandam no mundo só vivem querendo ganhar, mesmo matando aquele que, morrendo, vive a trabalhar; tem cuidado...» Alertava, como candeia que vai à frente.
Logo após o café saí de casa, fui espairecer, dar uma volta, pôr-me em contacto com as alturas límpidas e retemperadoras de Alenquer. Regressei refastelado e enfrentei uma cara de bacalhau daquelas que, bem acompanhadas com um bom tinto, nos deixam de bem com a vida. O pior é que depois liguei o computador. De imediato deparei com este filme na página do Facebook da Leonor Sá, filme que despertou em mim a revolta com que acordara, mas que anestesiara. Fiz então a inevitável junção dos odores nocturnos que o Fausto condensou, com a verdade histórica trazida por Fresco e revoltei-me de novo. Neste momento, permaneço naquele embalar tumultuoso, à espera do pior que o Sporting me pode dar em Braga. Grande domingo… – salva-se a cara de bacalhau.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Duarte Mendes, Madrugada e Pedro Osório

Eu tinha 15 anos e gostava do Festival da Canção porque era, verdadeiramente, um acontecimento mediático. Lembro-me, a propósito desta bela canção vencedora em 1975, que se discutia se o cantor, oficial do exército e elemento do MFA, devia ir à Eurovisão envergando o seu uniforme militar. As coisas que se discutiam... Não foi e bem, mas Duarte Mendes e Pedro Osório, o maestro, não se esqueceram do cravo vermelho.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Desafios à Investigação Criminal - conferência do CES da UC


Conferência organizada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, a decorrer na cidade do Mondego, no Colégio de S. Jerónimo, Sala 1, R/C - 14h30 de 2 de Fevereiro. Entrada livre.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

De «O Caso da Rua Direita» a «O Bairro»

Enquanto não chega «O Bairro», que já espreita, deixo-vos com o final do meu primeiro livro, de 2005, «O Caso da Rua Direita».
«Jorge encetou a viagem a caminho da Amadora. Ao descer a Conde de Redondo, parou no semáforo. Os carris dos eléctricos, que já por ali circularam, destacavam-se na noite pelo reluzir do aço no chão negro. A madrugada estava húmida e fresca, o trânsito era raro. Nas imediações não se via vivalma, à excepção, claro, dos poucos travestis que continuavam activos a tentar agradar aos clientes, que reduziam a velocidade para melhor apreciarem a mercadoria. O relógio do carro marcava as duas da manhã, mas Jorge respirava tranquilidade e sorria. Naquela noite sentia-se vencedor e tudo corria de feição. Não tinha pressa em chegar e por isso encostou à direita, reduziu a velocidade e deixou-se ir calmamente. Gozava o ar fresco da noite, mas também aquela serenidade insubstituível que só a consciência do dever cumprido propicia, seja ele qual for. O solo de saxofone da banda sonora do filme Blade Runner, tão ao gosto do condutor, que se ouvia a bom ouvir, encaixava-se no espírito tranquilamente vitorioso do momento. Jorge sorria feliz. A iluminação pública ia entrando e saindo do habitáculo escuro como flaches, à medida que os candeeiros iam sendo vencidos um a um, com uma cadência quase quartziana. Jorge continuava a sorrir. Era o seu prémio, o seu pequeno triunfo, já tivera outros igualmente pequenos mas sabia-lhe sempre bem. Só faltava o grande ecrã em frente, com os nomes dos actores de um policial a passarem em letras brancas no fundo escuro. Jorge sentia-se um pouco o herói que regressava a casa no fim do filme e, porque essa é uma experiência rara e saborosa, continuava a sorrir.»

sábado, 7 de janeiro de 2012

Concerto de Ano Novo - Coliseu à falta de Viena...

Enquanto Viena não chega com o seu anual concerto, e para mim não será em 2013, resta-nos o Coliseu de Lisboa. É esta noite. O programa não foge ao habitual - o agradável habitual -, e lá estarei para testemunhar e sonhar com o sempre adiado glamour de Viena, embalado pelo cheira bem, cheira a Lisboa. Bem bom, queixas-te de quê? Ingrato!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Radetzky March - Concerto de Ano Novo de Viena


É verdade que já passaram uns dias sobre o Primeiro de Janeiro e muitos anos sobre a minha rendição à festa renovada que é sempre este Concerto de Ano Novo, em Viena. Posso confessá-lo, é um dos meus sonhos de vida poder um dia estar sentado numa cadeira daquela sala e não no sofá da minha casa a assistir em directo, mas gostaria de o fazer antes da chegada do sonotone, do pacemaker, antes sei lá do quê, mas está difícil. Ainda assim, vamos assistindo...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sem ironia, feliz 2012

A partir de hoje este cantinho à beira-mar plantado conta com as seguintes alterações de (qualidade de) vida.
FUNÇÃO PÚBLICA E PENSIONISTAS SEM SUBSÍDIOS EM 2012
Os funcionários públicos voltam a sofrer um corte nos seus rendimentos e os pensionistas tanto do público como do privado também vêem as suas reformas reduzidas. Na Função Pública, o corte médio nos salários mantém-se e todos os trabalhadores com vencimentos entre 600 e 1100 euros ficam, em média, sem um subsídio. Quem ganha mais de 1100 euros mensais não recebe nem o subsídio de Natal, nem o de férias.

MENOS PROFESSORES EM 2012
No Orçamento de Estado para 2012 consagra-se uma poupança de 102 milhões com professores, anunciando uma "supressão de ofertas não essenciais no ensino básico", que já começou a ser concretizada com a proposta de reforma curricular do ensino básico apresentada em Dezembro pelo Ministério da Educação. Uma reforma que suprime algumas disciplinas, tais como EVT que passa a funcionar em duas disciplinas distintas, Formação Cívica e Estudo Acompanhado, e atribui maior carga horária a outras (como História ou Geografia) e que, como foi reconhecido pela tutela, terá um efeito de redução no corpo docente.

MENOS DEDUÇÕES NO IRS
Os contribuintes poder deduzir menos no IRS já a partir deste mês. Vão ser introduzidos tectos máximos às deduções que as famílias podem fazer com as despesas de saúde, educação, entre outros. A medida não é nova e já tinha sido apresentada pelo PS no PEC I, tendo sido chumbada pelo PSD. Os limites máximos vão variar consoante os rendimentos dos contribuintes. Será ainda introduzido um limite às deduções da saúde. Actualmente, só é possível deduzir 30% das despesas com a saúde, não havendo um montante máximo. No OE/12 o limite é de 10% com o limite de 840 euros.

MAIS ENCARGOS COM A CASA
Os proprietários e inquilinos vão pagar mais pelas suas casas: as deduções de amortizações do empréstimo à habitação e das rendas da casa serão eliminadas. Já a dedução dos juros pagos no âmbito dos créditos contraídos vai ser progressivamente cortada. Além disso, a isenção de IMI a que muitos proprietários têm direito será encurtada para três anos e retirada progressivamente. Outro dos aumentos advém da avaliação das casas, que deverá agravar o montante pago pelos proprietários.

SUBSÍDIO DE DESEMPREGO MENOS GENEROSO
A duração máxima do subsídio de desemprego vai ser reduzida para 18 meses. O montante máximo que pode ser recebido também leva um corte: não ultrapassará os 1.048 euros mensais. Além disso será introduzido um perfil decrescente de prestações após seis meses de desemprego, com uma redução de 10% do montante da prestação mensal. Aos cortes no subsídio, junta-se a maior facilidade em despedir por inadaptação e por extinção de posto de trabalho e indemnizações mais baixas.

SALÁRIOS CONTIDOS E MAIS MEIA HORA DE TRABALHO
No sector privado é de esperar moderação salarial já que em 2012 o Governo compromete-se a não estender convenções colectivas e todos vão trabalhar mais meia hora por dia. O pagamento das horas extra será reduzido para metade e os bancos de horas poderão ser negociados directamente.

UTENTES PAGAM MAIS PELOS CUIDADOS DE SAÚDE
A partir de hoje o preço das taxas moderadoras a pagar pelos cuidados de saúde vai custar, na maioria dos casos, mais do dobro do que até aqui. Ir a uma urgência hospitalar de pediatria, por exemplo, vai passar a custar 20 euros, quando até ontem o preço era de 9,60 euros. E uma visita ao médico de família no centro de saúde custará cinco euros, quando antes não ia além dos 2,25 euros. Os utentes até agora isentos de pagamento de taxas moderadoras serão contactados até ao final de Fevereiro pelo Ministério da Saúde para saberem se mantêm ou se perdem a isenção.

SUBIDA DA TRIBUTAÇÃO NOS CARROS E MOTOS
Agravamento do Imposto Sobre Veículos (ISV) será, em média, de 7,6% e máximo de cerca de 12%. Em 2012, os veículos de mercadorias que estavam isentos passam a pagar 10% de ISV, tendo em conta exclusivamente a componente cilindrada. Também, os automóveis ligeiros de mercadorias (por exemplo uma ‘pick-up'), de caixa aberta, ou sem caixa, com lotação superior a três lugares, que apresentem tracção às quatro rodas, passam de uma taxa de 30% para 50%.
O Imposto Único de Circulação (IUC) vai sofrer um aumento médio de 5,32% na componente ambiental (CO2) e na cilindrada de 3,6%. No caso dos veículos de alta cilindrada estes aumentos podem chegar aos 7,5%.
Os motociclos cujo escalão de cilindrada se situa entre 120 e 250 centímetros cúbicos (cc), muitos deles até ontem isentos de tributação, passam a pagar 60 euros de ISV este ano.

PORTAGENS MAIS CARAS
Viajar na A1, A2, A3, A4, A5 e A12 está mais caro a partir de hoje. O aumento das portagens é de 4% em média. Além disso, as portagens das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama também vão subir. Para um veículo classe há o agravamento será de 10 cêntimos.

FACTURA DA ELECTRICIDADE VOLTA A SUBIR
Depois do aumento antecipado do IVA em Outubro (de 6% para 23%), as famílias portuguesas vão sofrer um novo agravamento (de 4%) na sua factura da electricidade este ano. Segundo a entidade reguladora, esta subida traduz-se num acréscimo mensal de 1,75 euros por mês para uma conta média de cerca de 50 euros, já com a actualização do IVA de 6% para 23%, em vigor desde Outubro. Para quem beneficia da tarifa social, um universo de 666 mil consumidores considerados economicamente vulneráveis, o aumento será de 2,3%. Ou seja, 57 cêntimos numa factura mensal de 25,5 euros, também com já incluindo a nova taxa de IVA. As empresas vão pagar mais 15% a 20% pela electricidade.

CULTURA MENOS ACESSIVEL
Os bilhetes para concertos, espectáculos de teatro ou dança, cinema e entradas em museus vai ficar mais dispendiosos. Isto porque o IVA passou de 6% para 13%. Já a taxa de IVA para o sector livreiro mantém-se nos 6%.

(retirado da página do Facebook de Anabela Melão)