sábado, 25 de fevereiro de 2012

Visita à Escola Secundária Virgílio Ferreira, em Carnide, Lisboa

No próximo dia 28, pelas 10h00, espero estar acompanhado por algumas dezenas de alunos da Escola Secundária Virgílio Ferreira, em Lisboa, num encontro que se pretende animado e bem disposto, onde me proponho falar, naturalmente, de livros e do prazer da leitura.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Dois 23 de Fevereiro

Duas efemérides de grande significado para muita gente, onde eu me incluo.
- Espanha, 1981 - o que restava do franquismo espanhol pôs a cabeça de fora. As Cortes foram assaltadas por Tejero Molina, da Guarda Civil, que se armou em Pinochet retardado, com tiros para o ar, e o hemiciclo cheio de parlamentares e membros do governo. Em Valência, os tanques comandados pelo governador militar, conluiado com o assaltante das Cortes, vieram para a rua. Foram horas de grande tensão. A Espanha tremia e com ela todos quantos temeram pela jovem Democracia, que tentava ganhar raízes. No início da madrugada seguinte, o Rei Juan Carlos surgiu na televisão fardado e com ar grave. A expectativa era grande e lembro-me bem de o ver tirar o tapete aos revoltosos e a pôr-se ao lado da Constituição. Seguiram-se as rendições e mais tarde as condenações a pesadas penas de prisão dos principais responsáveis por este 23 de Fevereiro. É incontestável o papel do rei em todo o processo de democratização da Espanha - uma tarefa hercúlea, mas que apenas um Hércules capaz de manusear pinças poderia levar a cabo.




Fotografia dos sequestrados nas Cortes, na comemoração do 30º aniversário do fracasso da tentativa de golpe de Estado de 23 de Fevereiro.



- Portugal, 1987 - Morreu um dos grandes da cultura e da cidadania portuguesa: José Afonso. Amanhã completam-se 25 anos sobre um dia triste para mim. Eu tinha já uma opinião que não mudou muito desde então relativamente à enorme importância do Zeca no panorama cultural português e a última coisa que queria era perder a oportunidade de me despedir do que restava do homem que tanto admirava. Foi a enterrar em Setúbal, cidade que ele adoptara como sua nos últimos anos, e eu trabalhava numa fábrica de caravanas turísticas, enquanto esperava ser chamado para a Escola da PJ. Acontece que, exactamente nesse dia, o meu velho Simca 1100 deu para avariar, e de forma a impedir-me a deslocação do Cacém, onde morava, até à cidade do Sado. Foi muito penoso, também pela surpresa de não poder estar presente naquela enorme manifestação popular que foi seu funeral. Fiquem com uma das jóias que ele nos deixou.   

domingo, 19 de fevereiro de 2012

365 dias com histórias da História de Portugal

365 dias com histórias da História de Portugal ou, se quiserem, a História de Portugal em pequenas doses.
Muito agradável de ler e bem pensado em termos de estrutura, tendo em vista as franjas que pretende alcançar. O autor, o jornalista Luís Almeida Martins, escolheu os temas a abordar e destinou-lhes uma, duas páginas, no máximo. Contemplou aspectos mais conhecidos, de que não se pode nem deve fugir, sem esquecer outros que normalmente não merecem tanto a atenção dos divulgadores da História, transformando este livro num verdadeiro compêndio que dá resposta a questões que todos os portugueses deviam conhecer - acho eu. Apenas a história e a cultura podem estabelecer a diferença de tudo quanto somos bombardeados todos os dias, contribuindo para manter o que acho ser fundamental para preservar a nossa identidade enquanto povo com quase nove séculos de História. Os mais elitistas poderão ser levados a pensar que é um livro para as massas e eu concordo, mas também acho que a preocupação que aqui expresso nunca esteve tanto na ordem do dia como hoje, daí a enorme utilidade de obras como esta.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Gonçalo Bulhosa regressa à Oficina do Livro

O editor Gonçalo Bulhosa, que foi responsável pelo lançamento de Margarida Rebelo Pinto e do primeiro romance de Miguel Sousa Tavares, regressa à editora que co-fundou, a Oficina do Livro. Começa a trabalhar no Grupo Leya segunda-feira onde substituirá o editor Marcelo Teixeira, que abandonou o grupo.
Gonçalo Bulhosa, que foi em 1999 um dos fundadores da editora Oficina do Livro, agora integrada no Grupo LeYa, assume a partir de segunda-feira funções como editor daquela chancela livreira, divulgou nesta quinta-feira a agência Lusa.
Fonte da administração da Leya confirmou à Lusa que o editor que, através da Oficina do Livro, “lançou vários autores e títulos que marcaram o panorama editorial nacional”, irá agora ocupar o cargo que até esta semana era ocupado por Marcelo Teixeira, que deixou o grupo. A Oficina do Livro é a editora de Miguel Sousa Tavares.
Gonçalo Bulhosa lançou o primeiro romance de Margarida Rebelo Pinto, o best-seller "Sei Lá", quando estava na editora Difel e também Junot Diaz, Prémio Pulitzer para a Ficção 2008, quando o autor ainda não era conhecido.
Fundou depois, em 1994, a Oficina do Livro, com António Lobato Faria, que tinha por slogan "É bom Trabalhar nas Obras". Foi aqui que lançou o segundo romance de Rebelo Pinto, "Não há Coincidências", e o primeiro romance de Miguel Sousa Tavares, "Equador". Acreditava que existia uma janela de oportunidade para editoras mais flexíveis do que as classificadas como grandes e que um dos segredos para o sucesso passaria por acompanhar as obras dos autores do início até ao fim.
Quando abandonou a Oficina do Livro, Gonçalo Bulhosa foi para a Asa, em 2004, onde fundou a chancela Palavra, que editava autores brasileiros contemporâneos: Zuenir Ventura, Rui Castro (e a monumental biografia sobre Carmen Miranda), ensaios de Octávio Frias Filho, "Cazuza - Só as Mães são felizes" de Lucinha Araújo e Regina Echeverria, "O Canto da Sereia" de Nelson Motta, entre outros. Mais tarde, autonomiza a chancela (compra-a à Asa em 2006) que acaba por fechar algum tempo depois.
Nos últimos anos tentou organizar a Festa Literária Internacional de Sintra (FLIS), inspirada na Festa Literária Internacional de Paraty, onde esteve pela primeira vez em 2004, a acompanhar Miguel Sousa Tavares. O evento foi adiado para 2012 não se sabendo ainda se se vai realizar.

«A Vida dos Sons» - ou um pretexto para falar da paz


Vida dos Sons», da Antena 1 - 9h00 de sábado - que presta um serviço público à memória colectiva, lembrou hoje este belo hino pacifista, estreado no dia em que os franceses foram derrotados no Vietname e pouco antes de iniciarem a guerra na Argélia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Programa das Correntes d'Escritas 2012

Já são conhecidas as linhas de força da próxima edição das Correntes d'Escritas 2012, que decorre na Póvoa de Varzim entre os dias 23 e 25 de Fevereiro. Confira aqui os temas e os participantes das mesas redondas.

Dia 23, quinta-feira, 17h00 - Auditório Municipal

Mesa 1: "A Escrita é um risco total" - Eduardo Lourenço
Almeida Faria
Ana Paula Tavares
Eduardo Lourenço
Hélia Correia
Rubem Fonseca
José Carlos de Vasconcelos - moderador

Dia 24, sexta-feira, 10h30 - Auditório Municipal
Mesa 2: "O fim da arte superior é libertar" - Fernando Pessoa
Alberto S. Santos
Fernando Pinto do Amaral
José Jorge Letria
Luís Quintais
Sofia Marrecas Ferreira
Care Santos
João Gobern - moderador

Dia 24, sexta-feira, 15ho0 - Auditório Municipal
Mesa 3: A Poesia é o resultado de uma perfeita economia das palavras
Jaime Rocha
João Luís Barreto Guimarães
Manuel António Pina
Manuel Rui
Margarida Vale de Gato
Ivo Machado - moderador

Dia 24, sexta-feira, 17h30 - Auditório Municipal
Mesa 4: Toda a literatura é pura especulação
Eduardo Sacheri
Inês Pedrosa
João Bouza da Costa
Manuel Jorge Marmelo
Pedro Rosa Mendes
Rosa Montero
Bia Corrêa do Lago - moderadora

Dia 24, sexta-feira, 22h00 - Auditório Municipal
Mesa 5: A escrita é um investimento inesgotável no prazer
Afonso Cruz
Ana Luísa Amaral
Júlio Magalhães
Manuel Moya
Rui Zink
Valter Hugo Mãe
Henrique Cayatte - moderador

Dia 25, sábado, 10h30 - Auditório Municipal
Mesa 6: Da crise da escrita não se pode fugir
Carmo Neto
João Pedro Marques
Miguel Real
Sandro William Junqueira
Valeria Luiselli
Salgado Maranhão
Onésimo Teotónio Almeida - moderador

Dia 25, sábado, 16h00 - Auditório Municipal
Mesa 7: "As ideias são fundos que nunca darão juros nas mãos do talento" - Antoine Rivarol
Eugénio Lisboa
Gonçalo M. Tavares
Helena Vasconcelos
João de Melo
Luís Sepúlveda
Onésimo Teotónio Almeida
Maria Flor Pedroso - moderadora

Dia extra, em Lisboa.
28, terça-feira, 18h30, Instituto Cervantes, Lisboa
Mesa 8: Traços de crise enriquecem o texto literário
Afonso Cruz
Ana Paula Tavares
Care Santos
Manuel Moya
Valeria Luiselli
Helena Vasconcelos - moderadora

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/programa-das-correntes-descritas-2012=f644906#ixzz1ma5HR6bt

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Recriação em 3D da Lisboa pré-pombalina


Não tendo nascido em Lisboa, sou culturalmente lisboeta. Uma das coisas de que mais gosto é passear pelos becos e ruas da cidade antiga, ver os edifícios e monumentos, entrar nas tascas beber um copo e ficar por ali um pedaço a conversar ou simplesmente a dar atenção aos pormenores.

Já me cruzei com este vídeo mais do que uma vez, mas nunca o tinha visto. A porcaria da urgência mata-nos. Tenho pena que seja tão curto e que as coisas passem tão depressa, mas está muito interessante – o Museu da Cidade há-de ter mais.

Lisboa está sempre presente nos meus livros. Pudera. No disco do computador resiste um projecto que tem vindo a ser adiado há anos, cuja trama decorre precisamente nas vésperas do grande terramoto. Termina, aliás, com os ruídos que vêm de dentro da terra e com a queda dos telhados e paredes do Hospital de Todos os Santos, onde reside o meu protagonista.

Fica para a reforma, quando vier e se vier. Ou talvez não.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ministério Público de Cândidas às Avessas

Uma é contra a Polícia Judiciária (há muito), a outra a favor, ou cada uma é por si, mas certo, certo (segundo o Expresso de hoje) é que se zangaram, e a gota de água (ou o pretexto) parece ter sido o «gang do multibanco».

A base de dados de vestígios biológicos deu à luz - 2 anos depois.

Fogo-de-artifício, chamem palhaços, acrobatas, a mulher barbuda, os homens que cospem fogo, venham todos para as ruas festejar: a base de dados de vestígios biológicos deu à luz.
Dois anos depois de estar em funcionamento, é verdade, mas mais vale tarde do que nunca. E agora que aprendeu o caminho do sucesso é sempre a andar. Pudera, já tem inseridos… 400 perfis de criminosos e «alguns de voluntários», upsss... que fartura? 400... isso é que tem sido produzir.

Não alterem a lei que não é preciso - mas não comecem pela lei da Base, mas pela da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Agora que estamos em tempo de grandes cortes, cortem nos poderes desses senhores. Todos ganharíamos. Talvez assim, quando se completarem 2 anos sobre estas alterações, não tenhamos que vir para a comunicação social festejar um sucesso da base de dados.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leonard Cohen - The Partisan


A Alemanha é diferente, os partisans também têm de o ser

DOAÇÃO DO ESPÓLIO DE CARLOS DE OLIVEIRA AO MUSEU DO NEO-REALISMO

No próximo sábado, dia 11 de fevereiro, pelas 16h00, o Museu do Neo-Realismo “recebe” o espólio do escritor Carlos de Oliveira, numa cerimónia que terá lugar no seu Auditório e que contará com as presenças da mulher do autor de (entre outros) “Uma Abelha na Chuva”, Ângela de Oliveira e do professor universitário, ensaísta e crítico literário, Osvaldo Manuel Silvestre.
O espólio de Carlos de Oliveira, um dos maiores espólios do significativo acervo do Centro de Documentação do MNR, é constituído por cerca de 9000 documentos, sendo de destacar a vertente “Correspondência”, com aproximadamente 1500 documentos.
Nascido em Belém do Pará, a 10 de agosto de 1921 e falecido em Lisboa, a 01 de julho de 1981, Carlos de Oliveira estudou em Coimbra, onde teve oportunidade de conhecer e estabelecer laços de amizade com autores neorrealistas, como Joaquim Namorado, João José Cochofel e Fernando Namora.
O seu primeiro livro de poemas, Turismo (1942), com ilustrações de Fernando Namora, integra a coleção de poesia em 10 volumes, Novo Cancioneiro (cuja edição fac-similada, a cargo da editora Althum, foi apresentada no MNR em 2010), coleção cuja edição constitui um marco importante na história do movimento neorrealista.
O primeiro romance de Carlos de Oliveira, Casa na Duna, data de 1943 e de 1953 Uma Abelha na Chuva, considerado um dos expoentes da literatura portuguesa do séc. XX. Em 1978, Finisterra, o último romance do autor, retorna à sua Gândara, como se de um fim de ciclo se tratasse.

(Extraído do boletim da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sporting, sempre

Aos Sportinguistas: Iniciámos a época mal, depois começámos a melhorar, a ganhar confiança e a dada altura, jogávamos o melhor futebol da primeira Liga portuguesa. Não há nesta análise rápida qualquer influência das lentes, que são, evidentemente, de cor verde. Estava eu em Maputo quando o Sporting foi à Luz fazer, talvez, o melhor jogo da época, contra um Benfica que se retraiu pela pujança do futebol do visitante. Concordamos que continua a não haver influência do meu clubismo na apreciação. Se ganhássemos passaríamos para primeiro na Liga, quando o jogo acabou, porém, o resultado era favorável ao anfitrião. 1 a 0 foi o resultado final, mas eu saí do restaurante satisfeito, os jogadores do Sporting haviam-se batido como leões e dignificaram a história de glória das camisolas que vestem.
Este jogo marca um ponto de viragem, de declínio, já que não voltámos a jogar bem e temos vindo a piorar a qualidade do nosso futebol ao ponto de, por vezes, ser confrangedor assistir a um jogo do Sporting, mesmo quando ganha. Os jogadores são os mesmos, o treinador igualmente, a direcção também. O que mudou então? Não sei, mas não posso deixar de associar aos efeitos psicológicos negativos causados por este jogo e à incapacidade da equipa técnica em conseguir ultrapassá-los, agravados, naturalmente, pela bola de neve que foi crescendo com o desacreditar.
Neste tempo que vivemos, o Sporting só perdeu a Taça da Liga, é verdade, mas todos sabemos que a Liga já era, e a Taça Europa, pelos tubarões que nela estão em competição, não se vislumbra que consiga ir muito além. Resta-nos a Taça de Portugal e este deve ser o único objectivo.
Aos Jogadores do Sporting: esqueçam a Luz, esqueçam a «falência técnica» (seja lá o que isso for estamos bem acompanhados), esqueçam os árbitros e os jornalistas imparciais, fixem-se nas camisolas e na melhor massa associativa do mundo; escavem a força que vos tem faltado onde quiserem mas, caraças, vão à Madeira inteiros e saiam de lá inteiros, embora cansados. Saiam de lá honrando quem por vós torce em cada jogo, e vive o clube como todos os que nele ganham o salário deviam viver.
É a última oportunidade de darem uma alegria aos adeptos esta época. Não a percam.  Spooooooortiiiiiiiiing

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Youth Orchestra of Bahia - Tico-Tico no Fubá


Beleza, alegria, brio, musicalidade, juventude, são boas palavras para definir o que aqui se passa, mas não chegam. A palavra certa é: FESTA. E não desliguem quando começarem as palmas, que a festa está a meio.
Imagino o maestro, certa manhã chegou ao serviço e dirigiu-se aos músicos:

- Caras, vamos desbundar, vamos fazer uma maluqueira.

É fizeram uma bela maluqueira.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Há quanto tempo não ia a Stª Clara...

Fachada principal do Convento de Stª Clara-a-Velha,
com Coimbra à direita

Foto tirada do restaurante, instalado numa construção moderna,
onde se encontra também o museu

Foram séculos parcialmente mergulhado nas águas do Mondego. Tenho muitas fotografias em papel das várias visitas que fiz a Stª Clara antes das obras. Algumas bem interessantes, se bem me recordo, porque toda aquela arquitectura com arcos, rosetas, pilares, abobadas, em que se cruza o Românico com o Gótico, envolta em água. Caminhávamos por passadiços metálicos sobre água escura. Tinha o seu quê de belo, igualmente. 

Depois, foram muitos anos encerrado para obras. Ao longo desse tempo, várias vezes fui a Coimbra, e sempre que acontecia tentava ver Stª Clara, mas o raio do tapume lá estava a impedir-me. Parecia que viera para se eterno, mas não, felizmente.
Regresso agora, algum tempo após a reabertura, e fiquei encantado com o que vi. A cerca de cem metros do convento, foi erguido um edifício que acolhe os serviços, e onde funciona um restaurante e o museu, que alberga muitas peças encontradas quando toda a água foi escoada.



A cidade ganhou bastante com tudo isto. Todos ganhámos.
Vale bem uma visita mais demorada do que foi a minha hoje.



Todo o espaço entre o novo e o antigo foi arrelvado e ficou muito bonito.

Hei-de regressar. Sempre, claro.