sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Curtas - João Salaviza

Entre muito lixo, alguns filmes visíveis e um ou outro bom, fui encontrar no vídeo clube do Meo algo chamado «Curtas», de João Salaviza. Uns quatro ou cinco pequenos filmes, que perfazem pouco mais de uma hora de bom cinema. Entrei nessa.
Resumo: dor, marginalidade, pobreza, crime, polícias e Lisboa - aquela Lisboa que não ri.
Talvez daqui a 20 anos, perto dos cinquenta, João Salaviza consiga juntar a tudo isto, uma pitada de humor. Até os pobres, os marginais, os criminosos e os polícias, riem.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Pós-Graduação em Análise Interdisciplinar Forense


Encontram-se abertas as candidaturas para a frequência da Pós-Graduação em Análise Interdisciplinar Forense, a levar a cabo no ISCS Egas Moniz. 

A pós-graduação em Análise Interdisciplinar Forense visa a complementação da qualificação profissional dos formandos, nomeadamente na aquisição e consolidação de conhecimentos na análise do local do crime e na análise e interpretação de resultados periciais.

Plano Curricular  
Módulo
Horas
Acidentes/Crimes Rodoviários
12
Análise da Cena de Crime
18
Antropologia Forense
12
Balística
12
Botânica Forense
12
Documentoscopia
12
Entomologia Forense
12
Explosivos e Terrorismo
12
Genética Forense
18
Medicina Legal
12
Sociologia Criminal/Testes Estatísticos
18
Técnicas e Tácticas Processuais Penais
18
Toxicologia Forense e Substâncias de Abuso
12


 Coordenação
Profª Doutora Ana Paula Ferreira
Profª Doutora Mafalda Faria
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Alda Lara e o seu «Testamento» (belíssimo)


Quanto de belo não anda por aí para ser descoberto? 
Alda Lara era uma poetisa angolana que morreu há 50 anos - tinha 31 - e eu não sabia da sua existência.

Testamento

À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

Alda Lara

Os assassinos de García Lorca

Espero que rapidamente seja traduzido para português

Los asesinos de García Lorca

A relação autor/editor e o neoliberalismo

Ora aqui está um artigo bem interessante sobre as alterações nas relações entre o autor e o editor. Já nada é como dantes - e eu revejo-me em muito do que li.

Editores e autores continuam amigos mas os negócios já são à parte - Cultura - PUBLICO.PT

domingo, 26 de agosto de 2012

Uma imagem positiva de Portugal

Já não é novidade, mas vale bem a pena rever.
Cliquem no quadradinho...


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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

NÃO APAGUEM A MEMÓRIA!


HAJA MEMÓRIA

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

1932
Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal

1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941
Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

1942
Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943
Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

1944
General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

1945
Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

1946
Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

1947
José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

1948
António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950
Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951
Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954
Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957
Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958
José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961
Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962
António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963
Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964
Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965
General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967
Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;

1968
Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969
Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972
José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertaçã
o" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973
Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;
1974, 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.
A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.

Mais ainda
Podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico.
Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas. Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos "Flechas", etc.

                                                                                                                             do blogue VERITAS



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Primeiro dia depois das férias

Não sei se é geral, se  calhar não, mas a sensação que tenho é que à medida que a idade avança as férias ficam mais escassas. Há muitos anos, comecei por tirar duas semanas seguidas e os restantes dias eram repartidos ao longo do ano. Mais tarde, fiz passar o período grande para três semanas e há alguns anos passaram a quatro. A razão para os aumentos é prosaica, prende-se com o facto de eu ir sentindo necessidade de ficar mais uns dias longe do trabalho - o corpo pedia-me mais descanso. O pior é que esta era a altura de passar a cinco semanas seguidas, mas tal não é possível, primeiro porque não esticam e depois porque gosto de tirar uns dias para juntar a um fim-de-semana na Primavera e guardo outros para o Outono. 
Manias, que também as tenho. Mas estou preocupado: não sei como vai ser até à reforma. Com esta revolução que está a acontecer na sociedade portuguesa - vivemos uma estranhamente pacífica revolução - pode ser que alguém do Governo veja esta mensagem e, por caridade, se lembre de propor o aumento das férias, sei lá... 

Hoje foi o primeiro dia de trabalho após férias. Esvaziar a caixa de correio, atulhada, arrumar uns papeis sobre a secretária e...
                                                                 abrir um «rebuçado». 


Pois, uma prenda em forma de rebuçado. Uma aluna timorense, que já se encontra na sua terra natal, depois de uns longos sete meses em Portugal, deixou-me uma mensagem simpática e um... 


Não sei dizer o nome em tétum, mas é como se fosse o nosso cachecol - timorenses amigos, perdoem-me o plebeísmo da comparação. Em Timor-Leste, dizem-me, usa-se para homenagear alguém ou em dias especiais. 

Vejam como me fica bem - com a senhora dona Amália sempre presente. 


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Parque temático de 120 hectares vai nascer em Alenquer e Azambuja - Sociedade - Sol

Também temos direito a boas notícias. Assim elas se cumpram e não suceda com este projecto o que tem sucedido com outros, que também eram considerados «projectos estratégicos» e, de súbito, viraram nados mortos.

Parque temático de 120 hectares vai nascer em Alenquer e Azambuja - Sociedade - Sol

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Arrumar o sótão tem destas coisas


As férias também são o tempo em que nos podemos dar ao luxo de arrumar espaços que frequentamos menos ao longo do ano. A garagem e o sótão encaixam neste perfil.
Se a garagem só serve como local de estágio para coisas que estão condenadas ao lixo, o sótão serve como o armazém da memória familiar. É também no sótão que guardo os livros. Há-os na sala, no escritório, no quarto, mas a maior parte encontra-se no sótão. 
A manhã de hoje foi dedicada a arrumar, pelo menos tentar, o sótão. Para mim, o problema de arrumar espaços que concentram a memória, é que me prendo a muito do que vou encontrando e que era suposto passar adiante para que o objetivo inicial se cumprisse. Dediquei-me apenas aos livros, porque o tempo não dava para mais. De repente, deparei-me com uma série de títulos que tinham tudo a ver com as minhas filhas e parei com a arrumação. Elas saíram de casa quando foram para a universidade e não voltaram - cansadas dos pais? Selecionei uma série de livros pertencentes a várias coleções, ou não, mas que preencheram a meninice e a adolescência das minhas duas raparigas e que eu fui acompanhando. Pus-me a olhar para o «Principezinho», que li na íntegra a ambas quando ainda não sabiam ler, os livros de Sophia, de Alice Vieira, de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, «A Lua de Joana», de Maria Teresa Maia Gonzales – como eu fiz questão que o lessem – e claro, o Harry Potter, e muitos, muitos mais.
Apenas consegui dar uma arrumadela aos livros, tudo o resto, que não é pouco, fica condenado a aguardar por melhor oportunidade - se calhar só as próximas férias a trarão -, mas foi uma torrente de recordações e emoções saborosas que emergiram e me preencheram ao longo desta manhã.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Filme - A cidade do Porto há cem anos

Aqui está um belo documento histórico: um filme-documentário feito há cerca de 100 anos na cidade do Porto. Não sei se o preto e branco, se a ausência de som me iludiram a percepção, mas naquelas imagens eu vejo paixão por aquela terra, por aquela gente. Belíssimo.
   
 http://player.vimeo.com/video/42189965

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O mestre Gedeão e a sua visão do ser humano


O editor Hugo Xavier, num post no Facebook, fez-me recordar uma passagem de, talvez, a última entrevista dada pelo poeta António Gedeão, que aqui deixo:
  
«...eu nunca votei. Eu não acredito nos seres humanos. Não acredito na capacidade de os homens fazerem qualquer coisa socialmente boa. Só são capazes de fazer qualquer coisa segundo os seus interesses pessoais. Ou seja fascismo ou seja democracia, ou seja o que for, os homens ou aproveitam a dureza do fascismo para obrigarem os outros a fazerem aquilo que desejam, ou aproveitam a liberdade da democracia para fazerem o que podem em seu proveito.»

Eu teria trinta e tal anos e estava a ver essa entrevista porque, desde que me conheço, sempre ouvi falar do poeta, cuja obra admiro e a que volto amiúde. Ao ouvi-lo falar assim, e recordo que ele andaria perto dos noventa, fiquei com um certo amargo na boca. Aquilo que na altura me pareceu como que uma blasfémia contra o ser humano, hoje, que já passei os cinquenta, compreendo melhor o que disse. Não estou preparado para aceitar a sua tese na íntegra - ainda voto - mas temo que o venha a poder fazer daqui a não muito tempo. E não fico feliz com isso.  

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

II Encontro de Escritores Transmontanos

Decorreu no passado sábado, dia 11, em Macedo de Cavaleiros, na Livraria Poética, o II Encontro de Escritores Transmontanos. O evento, organizado por Virgínia do Carmo, teve grande adesão dos leitores, que ali acorreram para ouvir, mas também participar na interacção que houve com os escritores convidados.
Um evento a louvar, preservar e apoiar, por parte de quem tem responsabilidades políticas na difusão cultural.  
                                                Rui Rendeiro de Sousa, orientou o encontro 

A. M. Pires Cabral, na apresentação do seu mais recente livro «Os Anjos Nus»

Tiago Patrício, apresentou «Trás-os-Montes», a sua obra galardoada 
com o Prémio Agustina Bessa Luís

sábado, 11 de agosto de 2012

Tom & Jerry em concerto - «Hungarian Rhapsody No. 2” de Franz Liszt»



É realmente uma obra prima, este video de Tom & Jerry, feito há 66 anos. 
Tom toca - contrariado - em dueto com Jerry a Rapsódia Húngara nº 2 de Liszt.
Produzido pela Metro Goldwyn Mayer é um regalo para os sentidos.

O mistério dos documentos desaparecidos do Ministério

 Segundo notícia do Jornal de Notícias de hoje, terão desaparecido Ministério da Defesa documentos importantes para o esclarecimento dos factos relacionados com a compra dos submarinos. É grave, todos concordamos. Mas fazendo um esforço de memória, muitos de nós se recordarão que certo ministro e os seus mais directos colaboradores, antes de deixarem o ministério, passaram muitas horas a tirar fotocópias de documentos - falava-se na altura em milhares de documentos. Certamente que se o Ministério Público pedir  os bons ofícios do Dr. Paulo Portas no sentido de procurar nos seus arquivos cópias dos documentos em falta, ele não dirá que não. Se disser, a lei processual tem solução para isso. Apliquem-na. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Andorinhas bebés

Aí por Abril, Maio, apercebi-me que uma andorinha me escolhera para senhorio. Laboriosa, lá ia construindo o seu ninho no interior do telheiro que protege a fachada fronteira da minha casa. Ainda avisei a minha mulher, a grande defensora da intenção da ave, «olha que é melhor não, tu vais arrepender-te», etc. etc., mas de nada valeram as minhas então sábias palavras. A passarinha lá foi juntando ervas, terra e água e às tantas, estava a obra concluída e sem projecto aprovado pela Câmara.
Acho que as próximas fotografias mostram à saciedade porque é que a minha mulher tinha razão. Foram tiradas hoje ao fim do dia, quando as criaturazinhas esperavam que a mamã andorinha chegasse com o jantar. 







As andorinhas são aves asseadas, já se sabe, não fazem nada nas suas casas que não possam fazer, mas não se ralam de transformar as dos outros nas suas etar`s. Esta última fotografia mostra, à saciedade, porque raio eu tinha razão.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

La Marseillaise Casablanca


Parece-me oportuno recordar. Nem que nos fechem o café... nada pode
terminar no poder absoluto das fardas ou do dinheiro que as compra.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ainda a guerra civil espanhola - «As 13 Rosas»


As 13 rosas. Foi há muitos anos, eu sei, mas é sempre bom recordá-las, como aos motivos pelos quais morreram. Preservando a memória,   mantemo-nos mais vigilantes e evitamos confrontos que podem levar a situações dramáticas como esta. Há um filme espanhol com o título «13 Rosas» que retrata este episódio e que recomendo. Todas estas mulheres tinham nome e morreram defendendo a liberdade.
Carmen Barrero Aguado, 20 anos
Martina Barroso García, 24 anos
Blanca Brisac Vázquez, 29 anos
Pilar Bueno Ibáñez, 27 anos
Julia Conesa Conesa, 19 anos
Adelina García Casillas, 19 anos
Elena Gil Olaya, 20 anos
Virtudes González García, 18 anos
Ana López Gallego, 21 anos
Joaquina López Laffite, 23 anos
Dionisia Manzanero Salas, 20 anos
Victoria Muñoz García, 18 anos
Luísa Rodríguez de la Fuente, 18 anos

Norma Jean


Mais do que qualquer outro, ela é o verdadeiro ícone do cinema: tinha sonho, beleza, inteligência e gerava fantasia.   Como se isso não bastasse era uma grande actriz. Depois vem a parte negativa: quis morrer jovem, deixou o mundo com saudades e a inevitável pena - nasceu o mito. Parece que faz hoje 50 anos que apareceu morta.