terça-feira, 30 de outubro de 2012

É preciso que os portugueses saibam...

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  É preciso que se saiba:
...Os portugueses comuns (os que têm a sorte de ter trabalho) ganham cerca 
de metade (55%) do que se ganha na zona euro.
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...Mas os nossos gestores recebem, em média:
       Mais 32% do que os americanos;
      Mais 22,5% do que os franceses;
       Mais 55 % do que os finlandeses;
   Mais 56,5% do que os suecos;
(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)

 

Noticias ao Minuto - Fisco penhora mais de 2.800 contribuintes por dia

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domingo, 21 de outubro de 2012

Unamuno, Laranjeira e os portugueses (suicidas)



            Extractos de uma carta de Manuel Laranjeira a Miguel Unamuno

Carta a Unamuno
     Amigo:
     Não imagina o prazer que senti ao saber que V., espírito superior, andava a compor um livro sobre as coisas da minha terra, desta minha tão desgraçada terra de Portugal.
     Desgraçada – é a palavra.
      O pessimismo suicida de Antero de Quental, de Soares dos Reis, de Camilo, mesmo do próprio Alexandre Herculano (que se suicidou pelo isolamento como os monges) não são flores negras e artificiais de decadentismo literário. Essas estranhas figuras de trágica desesperação irrompem espontaneamente, como árvores envenenadas, do seio da Tera Portuguesa. São nossas: são portuguesas: pagaram por todos: expiaram a desgraça de todos nós. Dir-se-ia que foi toda uma raça que se suicidou.
     Em Portugal chega-se a este princípio de filosofia desesperada – o suicídio é um recurso nobre, é uma espécie de redenção moral. Neste malfadado país, tudo o que é nobre suicida-se; tudo o que é canalha triunfa.
     Chegámos a isto, amigos. Eis a nossa desgraça. Desgraça de todos nós, porque todos a sentimos pesar sobre nós, sobre o nosso espírito, sobre a nossa alma desolada e triste, como uma atmosfera de pesadelo, depressiva e má. O nosso mal é uma espécie de cansaço moral, de tédio moral, o cansaço e o tédio de todos os que se fartaram – de crer.
     Crer…! Em Portugal a única crença ainda digna de respeito é a crença – na morte libertadora.
     É horrível, mas é assim.
     A Europa despreza-nos; a Europa civilizada ignora-nos; a Europa medíocre, burguesa, prática e egoísta, detesta-nos, como se detesta gente sem vergonha, sobretudo… sem dinheiro.
     Eu, por mim, não sei, não sei: em boa verdade, amigo, não sei para onde vamos. Sei que vamos mal.
    Quando penso que sobre nós pesa a herança trágica, secular, de uma ignorância podre e de uma corrupção criminosa, o meu espírito enegrece e sinto-me adentrado de um pavor indizível, talvez absurdo. E, mais que saber se vamos para a vida ou para a morte, me preocupa saber se morreremos nobre ou miseravelmente.
      Bem vê, amigo, a vida, quer se trate da vida de um homem, quer se trate da vida de um povo, é uma coisa bem pequena, bem desprezível. O importante é que se faça uso dessa vida. E em Portugal (veja a profundidade do nosso mal) há almas quê são sucumbidas que dizem que – tanto faz morrer de um modo como de outro. Esta insensibilidade é pior que a morte, não é verdade?
     Às vezes, em horas de desânimo, chego a crer que esta tristeza negra nos sobe da alma aos olhos; e, então, tenho a impressão intolerável e louca de que em Portugal todos trazemos os olhos vestidos de luto por nós mesmos.
     É claro, eu sou português e portanto filho de um povo que atravessa uma hora indecisa, crepuscular do seu destino.
     Isto quer singelamente significar que quanto eu digo das coisas e desditas de Portugal, o digo como português. Repito: Portugal atravessa uma hora indecisa, gris, crepuscular, do seu destino.
    Será o crepúsculo que antecede o dia e a vida, ou o crepúsculo que antecede a noite e a morte?
     Não sei, não sei, não sei…
     Há meses ainda, quando Portugal atravessava os dias terríveis da ditadura de Franco, eu cria que íamos ressurgir. Hoje, porém, há uma tranquilidade podre que me assusta deveras. Não falta mesmo por aí quem diga que isto já não é um povo, mas sim – o cadáver de um povo.
     Não, sei, não sei…
   
Espinho, 28 de Outubro de 1908

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um raio de sol invisível

53-GG-62 era a matrícula do autocarro Mercedes Benz da empresa Boa Viagem, que seguia à minha frente. A estrada estava molhada. A chuva deixara de cair minutos antes, mas ameaçava não se fazer demorar porque o céu mostrava a cor mais pura do chumbo. Um pouco adiante, uma quarentona gorducha corria o mais que podia no passeio à minha esquerda, com a sacola do almoço a baloiçar. Ia desesperada porque a paragem estava longe e aquele era o «seu» autocarro. Sem a esperança de conseguir chegar a tempo, levantou o braço livre para que o motorista a visse e, de súbito, o pisca da direita à minha frente começou a funcionar, a viatura reduziu a velocidade e algumas dezenas de metros depois imobilizou-se. Um raio de sol invisível tocou a senhora porque tudo parou para vê-la atravessar a estrada e, quando o fez, sorriu, agradecida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Noticias ao Minuto - Oficial: Conheça as medidas do Orçamento para 2013

Noticias ao Minuto - Oficial: Conheça as medidas do Orçamento para 2013


Não cederam na taxa suplementar de 4% nem nos escalões do IRS, para poderem dar uma de tipos sensíveis às questões sociais, dispostos a refazer todas as contas para, por fim, face aos argumentos da oposição parlamentar, num grande esforço nacional, baixarem uma migalha - e todos ficamos muito felizes.  

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nobel da Paz de 2012 e a União Europeia


Com a relatividade que a expressão necessariamente arrasta, digo que talvez nunca um Nobel da Paz tenha sido tão bem entregue. A CEE, actual União Europeia, representa um enorme avanço civilizacional. Unir pacificamente povos que ao longo de séculos, os poucos contactos que tiveram ocorreram no campo de batalha, ao som do rufar dos tambores e do troar dos canhões, é um acontecimento sem comparação na História do Homem. Talvez a sua criação só tenha sido possível após uma catástrofe brutal para o mundo e principalmente para a Europa, a II Guerra Mundial. Infelizmente, foi necessário que o grau de destruição atingisse níveis inauditos para que algo de novo e positivo nascesse. Mas nasceu, alimentando a esperança de que daí em diante seria impossível a repetição do holocausto. Nasceu também a esperança da melhoria da qualidade de vida do povo europeu, que se foi concretizando. Mais tarde deu-se a abertura de fronteiras, a moeda única (a unificação alemã) e, finalmente, a crise. 
Comecei por escrever que foi um Nobel bem entregue. Fi-lo porque estou convicto que o Comité Nobel não pretendeu homenagear os actuais dirigentes da União Europeia, antes pelo contrário, pretendeu dar-lhes uma bofetada com luva branca, fazendo-lhes crer que há muito deviam tentar recuperar os trilhos  de boa vontade desbravados pelos criadores deste projecto único no mundo. Não o fazendo, ficarão para a História como os coveiros daquilo que Lula da Silva classificou como verdadeiro património mundial.    

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Contra a pena de morte, marchar, marchar

Segundo a Amnistia Internacional, 90% das sentenças de morte no mundo chegam-nos de 5 países, a saber: China, Irão, Iraque, Arábia Saudita e... Estados Unidos da América. Não necessariamente por esta ordem em termos numéricos.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro


tempo para uma discussão "educada" terminou. O que está em causa no "Sul" da Europa é a diferença entre um futuro de prosperidade ou depressão. Palavras duras de Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência Moody's.
"Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate".
Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Contra o retrocesso civilizacional, marchar, marchar


 Afinal o Povo esteve representado no Pátio. Duas mulheres envolverem-se no seio da nobreza do regime e não foram bem-vindas - a mim, arrepiou-me vê-las e ouvi-las. Neste 5 de Outubro, que fica para a História como o último em que é feriado (espero que rapidamente de reverta esta vergonha) as heroínas, não da Rotunda mas do Terreiro do Povo, foram elas. Até porque, acidentalmente, as suas posturas foram complementares: uma era o desespero em pessoa, simbolizando o estado de espírito em que se encontra grande parte do povo português, a outra cantou Lopes Graça, um hino à resistência, contra o retrocesso civilizacional brutal que nos estão a querer impor, e por ser de resistência é um hino de esperança.