sexta-feira, 29 de março de 2013

A ciência contra o crime

Uma publicação patrocinada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que já se encontra na gráfica. De minha autoria, incluiu uma reflexão sobre a tendência de redução da taxa de sucesso na investigação dos crimes de homicídio em Portugal no último quarto de século, as causas e a forma de a atenuar.   

domingo, 24 de março de 2013

Anna Karenina

Como é que a obra prima do mestre resulta na prima do mestre de obras? vejam o filme. Se não virem, não perdem nada.

sábado, 23 de março de 2013

Dia Mundial da Felicidade


Jesuíno, Ino para os amigos, é um jovem negro, não mais de 20 anos, que tira bicas no café onde vou frequentemente. Sempre que o faço vejo-o alegre, cantando, assobiando, gingando o corpo enquanto faz sair versos em jeito de hip-hop, entre a vozearia e o tilintar da loiça, nas deslocações entre a zona de serviço e o balcão, e mesmo quando se dirige a um novo cliente. Esta é a sua forma de estar, o ritmo no seu dia-a-dia; claramente, a exteriorização de um ser feliz. Ontem, enquanto mexia o meu café, alguém ao fundo do balcão se meteu com ele em termos que não entendi, apenas ouvi a resposta do empregado: «Esta gente está muito doente, agora até precisa de criar um Dia Mundial da Felicidade.» Guardei o troco e saí.  

quarta-feira, 20 de março de 2013

Fundação Mário Soares - Atentados à bomba no Marcelismo


Amanhã, dia 21, pelas 18H00, na Fundação Mário Soares, debate sobre o combate político no final do Estado Novo através de actos violentos - os atentados à bomba no tempo do Marcelismo, com Carlos Antunes, das Brigadas Revolucionárias, e Raimundo Narciso da ARA.

sábado, 16 de março de 2013

16 de Março - o ensaio geral para o 25 de Abril

Passei hoje por aqui e lembrei-me. Aqui funcionava o antigo Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha. Na madrugada de 16 de Março de 1974, completaram-se hoje 39 anos, daqui saiu uma coluna, chefiada pelo capitão Varela, contando que muitas outras o fizessem, e juntas conseguissem pôr fim ao Estado Novo. Já se aproximavam da capital quando se aperceberam que estavam sozinhos e voltaram para trás, acabando por, nessa tarde, se render às forças afectas ao regime, que entretanto cercaram o quartel. Feitas as contas, desta acção resultou a prisão de cerca de 200 militares de várias patentes, sendo que, entre os oficias, praticamente toda a linha conotada com o general Spínola ficou neutralizada. 
Alguns destacados elementos do MFA, disseram que foram os spinolistas a querer tomar a dianteira do processo conspirativo que estava em marcha adiantada; o general Spínola disse que o 16 de Março não passou de uma reacção «dos seus rapazes» a uma provocação dos comunistas, para que, ao serem presos, deixassem o caminho aberto para que a esquerda mais radical tomasse conta do golpe, como, em sua opinião, veio a acontecer; para Marcello Caetano não passou de uma leviandade de um reduzido grupo de jovens militares. Para Vítor Alves, foi uma acção desgarrada, «peitos que palpitaram», motivada pela demissão dois dias antes do general Spínola do cargo de vice-Chefe de EMGFA, por se ter solidarizado com o seu superior hierárquico, Costa Gomes, e não ter comparecido ao beija-mão exigido por Caetano, na sequência do turbilhão que representou a publicação de «Portugal e o Futuro», da autoria do ex-governador da Guiné. 
Fosse o que fosse, as prisões verificadas no 16 de Março e o perigo que poderia representar para o MFA clandestino, fizeram acelerar o golpe, que estava já na mente de todos quantos se continuavam a reunir para melhor prepararem o dia «claro e limpo.» 
Uns dias após o 16 de Março, a 24, na casa do capitão Candeias Valente, em Oeiras, ocorreu a última reunião da Coordenadora do MFA na clandestinidade. Ali se balizou o dia em que devia ocorrer o golpe, e foram escolhidos os líderes de todo o processo: Vítor Alves na acção política, para conseguir burilar o programa e nele congregar os camaradas, e Otelo na acção militar. Faltava então um mês para a «grande bebedeira colectiva», como alguém chamou ao efeito que o 25 de Abril teve nos portugueses.
39 anos depois, quase que nos resta lembrar a «Grândola...», as conquistas então conseguidas, que entretanto se esvaem, e a alegria que a todo o povo tocou. Talvez umas e outras sejam o alento necessário para que o grito de contestação, que esta classe política que nos desgoverna merece ouvir, seja igualmente colectivo e assim, finalmente, seja ouvido.      

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sr. Coelho está a ir longe demais

A letra, tudo o indica, é de criança, não sei se o texto o é. Ainda assim, acho que nesta linguagem simples  se faz um resumo das malfeitorias que o seu Governo tem feito e do sentir do povo face à sua política. 
Eu não vou tão longe e não peço que se demita, peço-lhe apenas que ouça e veja. Há muito devia ter mudado a agulha da sua política, dado os erros sistemáticos que comete (não acerta uma!...) e o grave estado em que está a deixar a economia deste país (20% de desempregados – não há maior desgraça). Uma catástrofe social nos espera se essa política não for mudada. Sr. Coelho, tem ouvidos ouça, tem olhos veja, demita (isso sim!) o Sr. Gaspar e acabe com esse estado de alma que o tem guiado até aqui, de cegueira e de surdez total face ao que se passa. Veja o povo, ouça o povo e aja em seu favor. Vá lá, só uma vez... experimente, até pode ser que goste.



segunda-feira, 11 de março de 2013

11 de Março de 1975

Completam-se hoje 38 anos sobre o 11 de Março de 1975. Este é o dia cotovelo da revolução. Até então era democrática, depois deste dia passou a socialista e assim continuou até à queda do V Governo Provisório, ou melhor, até ao 25 de Novembro.
A questão que ainda hoje se coloca é quem esteve por trás da tentativa de golpe? Sabe-se quem atuou, sabe-se quem mandou atuar, no entanto mantém-se a dúvida sobre o que fez mover Spínola, os spinolistas e a direita que se lhes juntou. De uma coisa todos podemos estar certos, o golpe beneficiou a extrema-esquerda. Os chamados moderados perderam, para não falar da direita, cujos líderes oficiosos tiveram que partir para o exílio e por lá ficaram a organizar o MDLP  e o ELP, e se demoraram alguns anos.
Os serviços secretos franceses, o KGB, a CIA, a Espanha franquista, são as referências estrangeiras. Uma lista da «Matança da Páscoa» que alguns, poucos, todos de direita disseram ter visto, será a ameaça mais visível e próxima.    
A verdade é que Spínola e os spinolistas ainda não haviam desistido de voltar ao poder, apesar de a conjuntura lhes estar cada vez mais adversa. É igualmente verdade que o PPES (Programa de Política Económica e Social) levado a cabo por vários economistas da área da esquerda dita democrática, liderados pelo major Melo Antunes, estava concluído e aprovado pela Assembleia do MFA, faltando apenas entrar em vigor. O PPES não previa as nacionalizações e não era nada disso que as franjas da esquerda mais extremista queria, e aqui nem incluímos o PCP, que concordava com as medidas preconizadas no programa Melo Antunes.
Por outro lado, a preparação da operação militar foi um fiasco, pouco condizente com a competência que era reconhecida ao general e aos seus homens de mão. Logo, o que sucedeu a 11 de Março foi uma precipitação. Algo os fez mover sem que tivessem tempo para qualquer planeamento.
É igualmente verdade que PPES morreu ali mesmo e, em sua substituição, avançaram as nacionalizações.   
Talvez nunca venhamos a saber ao certo a raiz desta tentativa de golpe, mas face a tudo quanto consta acima, parece-me legítimo pensar que quem tinha perspetivas de ganhar com a saída em falso da direita, era a extrema-esquerda, e a alegada lista pode muito bem ter sido produzida com este preciso fim. Depois foi fazê-la constar para provocar uma reação rápida, e ela surgiu. Ou não?
Não sabemos, é uma mera hipótese...   

domingo, 10 de março de 2013

Amour - mais uma jóia de Haneke


































Aconselharam-me o Argo e eu vi; aconselharam-me Zero Dark Thirty e eu vi, desaconselharam-me o Amour e eu vi. Os primeiros veem-se, o segundo melhor que o primeiro, este último é uma obra prima.
Haneke habitou-nos a grandes filmes e este não foge à regra, vem na saga de outros em termos da qualidade que ele quer e consegue imprimir às suas obras. É dos maiores realizadores da atualidade e eu gosto pouco desta coisa dos maiores disto ou daquilo, mas neste caso estou certo de que é isso mesmo que penso. Este Amour é um hino à velhice, mas também ao amor. Um hino não tem de ser necessariamente coisa dócil. Este não o é, bem pelo contrário, é um filme muito real, cruel mesmo, afinal tão cruel como a própria velhice. Verdadeiramente a não perder. 


sexta-feira, 8 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

2 de Março - para recordar - parte II

Alguns instantes da manifestação de sábado passado, com um inevitável piscar de olho à cidade de Lisboa.