quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Por uma república séria in Chalet das Cotovias


Recupero esta passagem do «Chalet das Cotovias» que o amigo Miguel Borges postou na minha página do Facebook.


Tempos de outro tempo. Cada vez mais o nosso tempo...

«...como bom republicano que se considerava, acreditava na justiça social, na criação de riqueza por parte do Estado através dos impostos, e na redistribuição desses fundos por quem mais deles precisava. (...) na justiça social a igualdade impera. Todos contribuem em função dos seus rendimentos e recebe quem mais precisa. Tudo a funcionar em plena harmonia social fomentada pelo espírito de cidadania que a todos tocaria. Mas só uma república séria seria capaz de pôr em prática uma política dessas.» 

Carlos Ademar in O Chalet das Cotovias.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ESPALHA A CONSCIÊNCIA! ...DUM ROUBO DE PROPORÇÕES INIMAGINÁVEIS!



Há 60 anos, acreditava-se que, por estes tempos que vivemos, bastaria que o pai de cada família trabalhasse 10 horas por semana para que nada faltasse ao agregado. A produtividade aumentaria exponencialmente. A produtividade aumentou exponencialmente, mas em vez de um membro da família, têm que trabalhar os dois progenitores e a exploração e as dificuldades são tremendas. Para onde vai o muito dinheiro que cada um de nós produz a mais? É uma boa questão e este filme ajuda a encontrar a resposta.   

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O Judeu e a caridade da Igreja Católica



  A 18 de Outubro de 1739, com 34 anos, morreu (porque foi assassinado), em Lisboa, no auto-de-fé levado a cabo pela Inquisição, António José da Silva, dramaturgo e escritor português, nascido no Brasil. Embora fosse judeu, teve de se afirmar como Cristão-Novo, devido à perseguição que a Igreja Católica fazia, na época, a todas as pessoas da religião judaica. Apesar da idade com que morreu, foi o maior dramaturgo do seu tempo, mas a sua coragem, teimosia e rebeldia; a sua incapacidade de conter o verbo, mesmo face ao martelo pesado da lei injusta, porque sectária e, acima de tudo, a sociedade sectária, o fundamentalismo da Igreja Católica, então todo-poderosa, levou a que a sua vida fosse, infelizmente, tão breve. 
Ao longo do tempo, têm-se procurado aliviar a carga da Igreja, imputando responsabilidades à Inquisição. Só se fala da Inquisição como se a Igreja Católica nada tivesse a ver com ela. Percebo a ideia, mas não gosto e não aceito. É a Igreja Católica que está em causa, sempre. A Inquisição, que se procura isolar e responsabilizar pelos crimes cometidos, ao longo de séculos, contra a Humanidade, era apenas um «departamento» da Igreja. É preciso lembrar.
Pela sua obra, pela coragem que sempre demonstrou, e por ter sido mártir de um tempo negro, em que uma instituição que se afirma represente de Deus na Terra, torturava e matava horrivelmente quem se lhe opusesse, ou apenas não cumprisse escrupulosamente os seus ditames, a memória de António José da Silva, o Judeu, merece uma maior atenção da sociedade atual, talvez até um romance, quem sabe...   

sábado, 12 de outubro de 2013

Blue Jasmine de Woody Allen, Billie Holiday e «Blue Moon»

Estou na sala da minha casa a ouvir uma coletânea antiga de jazz e, de repente, surge Billie Holiday, a Lady Day, a cantar «Blue Moon» como só ela o podia fazer. Subitamente lembrei-me da tarde de ontem, na Sala 2 do Monumental, sessão das 16H30, quatro pessoas no «escurinho do cinema» (tão bom!) para verem o último do Woody Allen: Blue Jasmine. De há muitos anos sou um incondicional admirador do realizador e dos primeiros a concordar com quem disse que por muito mau que seja um seu filme, estará sempre dentro dos 5% do melhor que se faz na América. Este é um belo filme, talvez dos mais interessantes dos últimos anos deste grande representante da 7ª Arte. Aliás, sendo a obra de Allen inconfundível, pelas marcas pessoais que o artista lhe empresta, diria que este Blue Jasmine foge um tanto ao universo woodyalleano (acabei de inventar). Só a espaços, e de forma mais subtil, se notam as marcas da comédia que o caracteriza. É um drama, arrisco, o que vindo de quem vem é de registar. A principal personagem, Jasmine, precisamente, como de resto as restantes personagens como maior visibilidade, estão muito bem enquadradas, como seria de esperar, em termos psicológicos. Mas a Jasmine, interpretada por uma brilhante Cate Blanchett, está magnífica na mulher perturbada, que vive em conflito interno permanente, entre aquilo que foi e o que é, e o que fez e muito contribuiu para a sua tão precária situação. Pela brilhante interpretação da protagonista, muito me admiraria se na noite da atribuição dos Óscares, Cate Blanchett não estivesse integrada no grupo restrito de atrizes que ansiosamente aguardam ouvir o seu nome para subirem ao palco. Grande filme e por isso a não perder. 
Billie Holiday, «Blue Moon» e o último filme de Woody Allen?…, vejam que depois entendem. 

O Nobel não mereceu Malala


Este texto do grande Ferreira Fernandes, saído na edição de hoje do DN, é a prova provada que há coisas que ganham o direito de ser partilhadas.