segunda-feira, 29 de março de 2010

República dos Otários?

Jornal i de hoje, página 21:


«Combustíveis - Portugal foi o segundo país da UE onde os preços subiram mais em 2010.»

Recupero aqui um post de há um mês atrás, em que se alertava para um facto inexplicável: em Julho de 2008, o barril de petróleo chegou aos 150 dólares, levando o gasóleo a 1,14 euros por cada litro; nos dias de hoje, o barril está abaixo dos 80 dólares e o gasóleo atingiu 1,17 euros. Explicações aceitam-se, desde que razoáveis. Não me venham com os custos de produção porque tenho cieiro nos lábios.

domingo, 28 de março de 2010

Domingo de Ramos

Hoje é Domingo de Ramos. Há muito, muito tempo, parece que Jesus entrou em Jerusalém ao som de hossanas, com ramos de oliveira e tudo. Não sei se o sabia, mas aproximava-se da morte.
Hoje… com ramos, Jesus, o outro, em grande, hossanas e tudo, o PEC é o que é; Cavaco, Sócrates e Passos não inspiram; o Benfica ganhou, o Sporting perdeu; o camarão já não sabe ao que sabia dantes...
A Páscoa aproxima-se, é verdade. Que sabor terão as amêndoas? E quem não gosta… Ah, tem de comer… pronto está bem, eu calo-me.

segunda-feira, 22 de março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

Rodrigo Leão no Museu do Oriente

É sempre um prazer estar numa sala cheia quando a razão é nobre. A sala foi a do Museu do Oriente em Lisboa; a razão, a música de Rodrigo Leão. Foi uma hora e meia de cativantes ondas melodiosas a inundar-nos o espírito, produzidas pelos instrumentos de cordas, pelo acordeão e pela magnífica voz de Ana Vieira. É bom ver uma sala cheia quando a razão é nobre, e é melhor ainda quando constatamos que há muitos amigos a comungarem deste prazer. O concerto de hoje era para ser o último de uma série de cinco, no entanto, a elevada adesão entusiasmou os músicos e a organização e, vai daí, foram marcados mais dois para o próximo fim-de-semana. Se gostam de alguma da melhor música que se tem feito nos últimos anos em Portugal, não percam.

terça-feira, 16 de março de 2010

... e ninguém vê isto?

Em 2008, o preço do petróleo atingia o valor mais alto de sempre: 150 dólares. Nessa altura o preço do gásóleo em Portugal tocou os 1,14 euros por cada litro. Hoje, ao regressar a casa, ouvi que o barril chegou aos 81 dólares, pouco mais de metade do que há ano e meio. Entretanto tive de abastecer e paguei o gasóleo a...... 1,14 euros, o mesmo de há um ano e meio. Haverá alguma explicação para isto?

sábado, 13 de março de 2010

Pessoa, sempre

Levantei-me cedo para estudar... Direito. É isso. Necessidade a quanto obrigas. Estive a ler algo relacionado com os princípios do Direito Penal e, passada meia hora, entendi que devia descansar. Já merecia.
Fui então navegar e encalhei em algo que me sequestrou por dentro, inapelavelmente. Era um blogue que começava assim:

«A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é. E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, e quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo.»

Fernando Pessoa através do seu íntimo, Alberto Caeiro

Cirandei por este e por outros poemas e quando dei por mim, haviam decorrido três horas. Contrariado, voltei ao Direito. É a dura, mas ainda assim, espantosa realidade das coisas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Por vezes, um raio de sol faz toda a diferença

A chuva tem sido muita e persistente; o frio, de arrepanhar os beiços. Não estamos habituados e pelos vistos não nos queremos habituar. Hoje pela manhã, o frio rondava os 3 graus. Sair da cama… adiar, adiar, para evitar o inevitável, o choque. Mas o dever chama e ainda que macambúzio, temos de responder ao apelo. Banho, essas coisas, vestir, umas festas no «Neruda», que não se queixa, e rua.
A primeira impressão foi a luz branca e brilhante que há muitos dias não via e, logo depois, a estrada e os passeios secos. Apesar do frio, logo ali, o macambúzio deu lugar ao condescendente. Alguma coisa por dentro impeliu o inopinado sorriso.

terça-feira, 2 de março de 2010

JL - Entrevista

Aqui se deixa a curta entrevista, a propósito de Primavera Adiada, dada a Rita Silva Freire e impressa na última edição do Jornal de Letras.

"Carlos Ademar - A História como antidepressivo
Não é um romance policial, nem há um grande mistério por resolver. Desta feita, Carlos Ademar quis escrever um romance histórico. Sem nenhum pretexto criminoso. Primavera Adiada (Oficina do Livro, 292 pp) desenrola-se durante o Estado Novo, nomeadamente durante o período marcelista. «Quis dar a conhecer o Portugal de então, com as suas dificuldades e problemas: a censura, as lutas estudantis, os presos políticos, a Guerra Colonial..», conta o autor. Primavera Adiada é, também, a história de Marta, uma estudante de Evora, educada num meio extremamente conservador que, em 1968 vai para Lisboa, onde participa nas lutas estudantis e conhece os meios contestatários. Nascido em Vinhais, em 1960, Carlos Ademar licenciou-se em História e entrou para a Policia Judiciária onde, durante cerca de 20 anos, foi investigador criminal da Secção de Homicídios. Hoje é professor na Escola de Polícia Judiciária e autor de romances como O Caso da Rua Direita e Memórias de um Assassino Romímntico.

Jornal de Letras: Primavera Adiada decorre durante a Primavera Marcelista. O que lhe interessou neste período?
Carlos Ademar: Andamos deprimidos com a crise económica, achamos que somos o povo mais infeliz do mundo. Este romance quer contrariar essa ideia. Para tal, fala-nos de um Portugal em que as pessoas tinham razões para estar muito mais infelizes do que hoje: a Guerra Colonial, os presos políticos, a PIDE, a tortura, a pobreza extrema, o analfabetismo do povo português... Podemos ter muitos problemas, mas não se podem comparar com aquilo por que passámos há tão pouco tempo.

De que trata a história?
Marta é uma rapariga que nasce no seio de uma família ligada ao antigo regime. Aos 17 anos conhece Tomás, um estudante de Direito ligado aos meios estudantis lisboetas, com problemas com a polícia, que a vai fazer questionar todos os ensinamentos recebidos até então. Quando Tomás foge para França, para evitar ir para a guerra, Marta refaz a sua vida, indo para Lisboa, onde conhece outras pessoas, colecciona experiências e se casa. Até que se dá o 25 de Abril e Tomás volta transformado em político.

Ao contrário dos seus livros anteriores, este não é um romance policial. Porquê?
Quis afastar-me e experimentar outro registo. Mas também há um crime. A meio do livro um líder estudantil aparece morto nas traseiras da Faculdade de Letras. Foi assassinado com um tiro. Por isso também há um bocadinho dessa componente policial. Mas é verdade que, comparada com a dos meus livros anteriores, está bastante reduzida. Diverti-me imenso a fazer este livro. Gosto muito da componentc histórica. Aliás, tenho outro projecto, mas está adiado por falta de tempo: escrever sobre uma comunidade lésbica que existia em Portugal durante a 1 República e o princípio do Estado Novo.

Então o que está a escrever agora?
Estou a pensar escrever um policial social, à semelhança de Estranha Forma de Vida, em que denunciei o problema do crime organizado, e a dificuldade que o sistema judicial tem em o combater. Agora quero escrever sobre as comunidades negras dos bairros à volta de Lisboa. Ainda não sei o que vai dar. Se não resultar, é um projecto a abater.

RITA SILVA FREIRE"