sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As dez notícias mais lidas no JN em 2011

Conheça as dez notícias mais lidas no Jornal de Notícias em 2011:


1 - Angélico Vieira pode estar ligado ao ventilador durante vários dias.
2 - Angélico Vieira morreu.
3 - Novo signo do zodíaco altera o horóscopo.
4 - Carlos Castro morto e mutilado em Nova Iorque.
5 - Os últimos dias de Angélico Vieira.
6 - Angélico continua com "prognóstico muito reservado".
7 - Rita Pereira acompanhou os pais de Angélico depois da cerimónia fúnebre.
8 - Renato Seabra terá usado saca-rolhas para mutilar Carlos Castro.
9 - Equipa médica reuniu com pais de Angélico.
10 - Angélico ferido em acidente que causou um morto.

Desabafo: custa-me a acreditar que esta lista seja uma amostra representativa do país, mas se eu estiver enganado, fica explicada muita coisa.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Alves Redol - cem anos depois

Completam-se hoje 100 anos sobre o nascimento de um dos mais profícuos e conhecidos escritores do Neo-Realismo português, Alves Redol. Poderia recomendar muitos livros de sua autoria, mas fico-me por «Barranco de Cegos», «Fenda na Muralha» e, claro, um dos primeiros livros (sem desenhos) que li, «Constantino, Guardador de Vacas e de Sonhos».
Daqui a pouco, na RTP2, passa um documentário de Francisco Manso, evocativo do escritor, que este vosso amigo já teve oportunidade de visionar no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e por isso posso recomendá-lo vivamente pela sua qualidade.
Mas, acima de tudo, não devemos deixar de ler Alves Redol, já que é a melhor forma de preservar a memória de um grande português, além de que escreveu sobre as dificuldades dos mais humildes de outros tempos, mas de que, afinal, não estamos assim tão distantes. As nuvens escuras pairam por aí e não estou certo de que não valha a pena refundar o movimento que ele tão bem representou, independentemente do nome que venha a ter. Já se vai justificando e mais se justificará ao longo do ano que aí vem - infelizmente.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal rima com igual

Está frio
É 25 de Dezembro
Jesus, o Filho de Deus, terá nascido
Em Roma, o Papa discursou e fez um apelo à humildade e à simplicidade
Apesar disso, nas casas e nas ruas, as luzes piscam sem cessar
E as músicas irritantes não se cansam, mas cansam
É dia de caridadezinha
E de corações moles
Os pobrezinhos, os pobrezinhos...
Só hoje, só hoje
O ouro que o Papa usou contraria o que falou
É Natal!... É Natal...
Mas tudo está no seu lugar.
Graças a Deus, Graças a Deus

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

The Slade - 06.Merry Xmas Everybody


Ninguém é perfeito. Sem pensar muito no caso, andando para trás, a canção de Natal que de imediato me assalta é esta. Não com estas fatiotas brancas da fase disco, mas mais para o princípio dessa mesma década de 70, com os Slade ainda próximos da fase psicadélica, com saltos de sapatos medonhos. Sim, foram eles os responsáveis por eu andar a fazer figuras tristes por uns tempos, passeando-me com uma espécie de andas debaixo dos pés.

Bom Natal para todos, sim, para todos, até para o Gaspar, o rei mago, mas ao contrário.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A Palavra aos Leitores - Estranha Forma de Vida

Enquanto não chega o novo livro, O Bairro, vamos espreitando o que ficou escrito sobre os anteriores. Já demos a palavra ao realizador Lauro António relativamente a O Homem da Carbonária, deixamos hoje um excerto do artigo de Miguel Sousa Tavares em que se refere a Estranha Forma de Vida, saído na edição do semanário Expresso de 8 de Setembro de 2007.

«Os deputados da oposição acharam determinante ouvir o ministro da Administração Interna para que ele esclareça porque razão a GNR não correu à bastonada aquela trupe que destruiu um hectare de milho transgénico. Há prioridades e prioridades. Recomendo aos deputados, que, se porventura querem melhor e mais delicado assunto para questionar o ministro, percam umas horas a ler um livro saído recentemente, que se chama 'Estranha Forma de Vida', assinado por Carlos Ademar, nome incompleto de um inspector da PJ no activo. Trata-se de um arrepiante e absorvente "thriller" policial, baseado em casos e personagens reais. Está lá descrito ao pormenor como funciona o universo do submundo da noite de Lisboa e do Porto, recentemente tão badalado: os ginásios onde se formam os 'seguranças' e se lhes distribui esteróides, o controlo do tráfico de droga, armas e mulheres, os assassínios a mando, as guerras de gangues pelos contratos de segurança das casas e também... a conivência de alguns polícias. Depois de lerem o livro, vão perceber porque razão acontecem muitas coisas e outras não acontecem, e seguramente que terão muitas perguntas perigosas a fazer ao ministro, a que ele não saberá responder.»

Miguel Sousa Tavares

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Livro novo II

Bom, o livro está concluído há meses e só agora ganhou título definitivo. Já tardava. Chamar-se-á O Bairro.
Estamos a ultimar o texto da contracapa. Quando estiver pronto, o blogue a-de-mar terá o exclusivo.
Há blogues com sorte.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Perto de Maputo, uma pequena reserva natural

Cerca de 40 quilómetros depois de deixarmos Maputo e 20 o alcatrão, chegámos a uma maravilha: um pequeno mas exemplar parque natural. Deu para matar saudades do Kruger, além de que a comida, da Zambézia, zona moçambicana onde nasceu a cozinheira e esposa do grande dinamizador da reserva, estava divinal. Podia ter feito uma foto do prato, mas tinha outras prioridades.








sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A palavra aos leitores - O Homem da Carbonária

Opinião do realizador Lauro António, expressa no seu blogue «Lauro António Apresenta», cerca de um ano após a publicação do livro

O HOMEM DA CARBONÁRIA

«O romance histórico está na moda. Existe mesmo uma receita: crime em cenário histórico igual a (quase certo) “best seller”. Nos escaparates das livrarias pululam os volumes de biografias, de situações, de épocas, de mitos, de enigmas históricos e outras coisas que tais. Estrangeiros e portugueses. Muitos são bem escritos e valem mesmo a pena, outros não serão muito bem escritos, mas ainda valem a pena como recolha e divulgação históricas, a maioria não vale nem uma coisa nem outra. A grande parte desta escrita a metro obedece a uma fórmula, aprendida seguramente nesses milhares de “work shops” de “escrita criativa” que se apregoam um pouco por todo o lado, ministrados a maioria das vezes por quem não sabe sequer escrever, quanto mais criar, mas que julga saber, por que “leu nos manuais” da indústria livreira, que a intriga deve ter “plots” e ganchos, e outros disparates que tais, como se a escrita (ou qualquer outra forma de criação artística) pudesse estar espartilhada por prescrições. O resultado é, na sua generalidade, penoso.

Mas de vez em quando surge uma surpresa, como é o caso deste “O Homem da Carbonária”, escrito por Carlos Ademar, que durante anos exerceu a investigação criminal, na Policia Judiciaria, se formou depois em História e se virou para a escrita. O seu primeiro romance não o li, chamava-se “O Caso da Rua Direita”, mas este “O Homem da Carbonária” em boa hora não me escapou. Não vou dizer que “descobri” uma obra-prima da literatura portuguesa contemporânea, mas basta-me a satisfação de surpreender quatrocentas páginas escorreitas, bem escritas, historicamente muito bem documentadas, aliciantes como leitura, acompanhando um caso curioso policial.

Estamos em Lisboa, no ano de 1926. No Jardim da Estrela aparece assassinado um tal Peres, chefe da segurança do Presidente do Conselho. Tanto o político como o seu devotado guarda-costas pertenceram a uma sociedade secreta que teve um papel essencial no derrube da Monarquia e na implantação da República: a Carbonária. Com base neste crime, Carlos Ademar lança na investigação o inspector Afonso Pratas que, não só segue as pistas dos suspeitos, como nos vai desvendando a vida politica do País nesses anos de fim da Primeira Republica e de advento da ditadura do Estado Novo, descobrindo os republicanos e as facções, de Afonso Costa a Bernardino Machado, os membros da Carbonária e os da Maçonaria, os Integralistas e os Sidonistas, apologistas da ditadura, os católicos e os agnósticos, os democratas e os camisas negras de Rolão Preto. Para lá deste esboço histórico com H grande, há a história com h pequeno, a saborosa pintura da vida quotidiana nesta Lisboa dos loucos anos 20.

Por vezes há uma excessiva exposição histórica, bem vinda como informação, mas às vezes fazendo emperrar um pouco a escrita. De um modo geral, porém, parece-me um bom livro e julgo poder assegurar a Carlos Ademar um futuro auspicioso neste campo que já se percebeu ser o de sua eleição. Mesmo literariamente, o livro é bom, e com uma excelente solução, simbólica. O epílogo é inesperado. A ditadura de 1928 consolidava-se no poder e a democracia morre mesmo ali. Deixo aqui a sugestão: leiam.»

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Grande entrevista à Rádio de Alenquer, publicada no jornal Nova Verdade.

Grande entrevista à Rádio Voz de Alenquer, publicada no jornal Nova Verdade.

http://www.radioalenquer.com/index.php?option=com_content&view=article&id=317:carlos-ademar-em-grande-entrevista&catid=46:jornal&Itemid=88

Revista «Investigação Criminal» nº2

No próximo dia 15, na Universidade da Beira Interior, Covilhã - somos pela descentralização - terá lugar a apresentação do nº2 da revista Investigação Criminal, com a presença de membros da Direcção Editorial, direcção da ASFIC e alguns autores de artigos, entre os quais a doutora Francisca Rebocho e a mestre Susana Tavares. À apresentação, seguir-se-á um simpósio sobre criminalidade sexual, o tema dominante deste número, que já se encontra à venda.
Quem tiver dificuldade em encontrar a Investigação Criminal nº2, sugiro a compra através da Wook – funciona mesmo.


Breve sumário.
Maria Francisca Rebocho e Rui Abrunhosa Gonçalves – COMPORTAMENTO PREDATÓRIO E MODUS OPERANDI DE VIOLADORES E ABUSADORES SEXUAIS DE MENORES
Renato Furtado - ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS: PERFIL DA VÍTIMA MICAELENSE
Fátima Pinheiro – IDENTIFICA...ÇÃO GENÉTICA NO ÂMBITO DE CRIMES SEXUAIS
Susana Tavares e Francisco Côrte-Real - O EXAME FÍSICO EM CRIMES DE NATUREZA SEXUAL
José Braz - NEGOCIAÇÃO E GESTÃO DE CRISES - O DIFÍCIL EQUILÍBRIO ENTRE OS VALORES DA JUSTIÇA E DA SEGURANÇA
Barra da Costa - ELEMENTAR, MEUS CAROS!
Rui Miranda – A POLÍCIA JUDICIÁRIA NA PREVENÇÃO, INVESTIGAÇÃO E GESTÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE OS CRIMES DE ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS E TERRORISMO: PROPOSTA DE UM (NOVO) MODELO
Rogério Bravo – DO ESPECTRO DE CONFLITUALIDADE NAS REDES DE INFORMAÇÃO: POR UMA RECONSTRUÇÃO CONCEPTUAL DO TERRORISMO NO CIBERESPAÇO
Eugénia Cunha – ANTROPOLOGIA FORENSE E INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um jantar de Natal muito literário

(Publicidade não paga)
Eu não vou chegar a tempo, mas deve ser engraçado, no mínimo.

«15 de Dezembro de 2011
Preparámos para este Natal um jantar muito especial, em que poderá degustar os Natais de vários países.

Aperitivo:
Natal nos Estados Unidos
Shot de Eggnog
O Natal de Augie Wren - Paul Auster

Entrada:
Natal na Suécia
Fiambre de Natal
A Lenda da Rosa do Natal (Livro das Lendas) - Selma Lagerlof

Serviço de vinho:
Natal na Alemanha
Glühwein
O Quebra Nozes – E T A Hoffmann
(Em alternativa ao Glühwein, poderá acompanhar a refeição com Chá de Especiarias Russo)

Prato principal:
Natal na Rússia
Pato Assado de Natal
Vanka - Anton Tcheckov

Sobremesa:
Natal na Grã-Bretanha
Christmas Pudding e Mince Pie
A Aventura do Pudim de Natal - Agatha Christie

Com o café:
Natal em Espanha
Turron Navideño
El Premio Gordo – Vicente Blasco Ibañez

Às 20:30 no Espaço Bento Martins (edificio da Junta de Freguesia de Carnide, junto ao Centro Comercial Colombo), no Largo das Pimenteiras, Rua Rodrigues Faria 103, em Alcântara, Lisboa (veja o mapa).

Inscrição: €30,00.
Para se inscrever, envie uma mensagem para experiencia@lerporai.com.
 Recomendamos que consulte as condições da sua inscrição.
Fecho das inscrições a 9 de Dezembro.
Desconto de 5% para grupos com cinco ou mais participantes.
Desconto de 5% para inscrições pagas até 7 dias antes do fecho das inscrições.
Descontos não acumuláveis.
Para participar, envie uma mensagem para experiencia@lerporai.com e siga as instruções.»

Bom apetite, boas leituras e já agora, bom Natal

domingo, 4 de dezembro de 2011

Duarte Lima e o estado da Nação

«Duarte Lima (DL) está preso. Mas mais do que o homem, o que está sob suspeição é o que ele simboliza e a classe política a que pertence.
Em primeiro lugar, porque DL foi o primeiro grande representante da promiscuidade excessiva entre a política e os negócios. Como tantos outros que se lhe seguiram, o então líder parlamentar do PSD acumulava o seu papel de representante do povo e do Estado português com as funções de consultor de grupos que faziam negócios com esse mesmo estado, como o grupo Mota. Assessorava até entidades cuja actividade depende de despachos administrativos do governo, como a Associação Nacional de Farmácias e outros. Quem servia então DL? O Povo que o elegera ou as empresas que lhe pagavam?
Além do mais, DL esteve ligado a negócios com o banco que constitui o maior escândalo empresarial deste regime, o BPN. Consta ainda que, como todos os grandes vigaristas do regime, andou a comprar terrenos baratos, valorizando-os depois através da influência política nas câmaras e no governo. Realizava assim fortunas com as vendas imobiliárias, mas também com os esquemas de financiamentos que hipervalorizavam as garantias.
Duarte Lima está preso. Mas os vícios de um regime que ele melhor do que ninguém representa, continuam impunemente à solta. Toda a sua vida política e empresarial, todo o seu enriquecimento, são representativos do quanto este regime se degradou.» (hoje na Revista DOMINGO - Correio da Manhã)

(Retirei este texto e fotografia da página do Facebook de Anabela Melão.)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Portuguesa na pré-primária de Maputo ou a mangueira da esperança

De frente da minha janela está uma enorme mangueira, cujos ramos mais delgados quase tocam a parede do hotel, que me impede a visibilidade das construções mais próximas. Para a esquerda e para a direita a linha do horizonte perde-se no casario mais longínquo, mas imediatamente à minha frente, só o verde da árvore imensa.
Hoje é dia de trabalho no hotel e bem cedo, apenas os cantares das crianças me iam chegando nem sempre afinados, mas enérgicos e alegres. Sem que nada o fizesse prever, passo a ouvir algo muito familiar: A Portuguesa, o hino nacional português desde a implantação da República. A que propósito, numa escola infantil moçambicana, se canta o hino português? Incluído, de resto, num repertório vastíssimo, aparentemente infindável, onde já antes ouvira canções de Natal - «A Todos Um Bom Natal» (nem aqui escapo...) - e outras infantis, mais ou menos conhecidas. Achei curioso e digno de registo. Ainda pensei que se tratasse de uma escola portuguesa. Perguntei às empregadas que faziam a limpeza dos quartos. É moçambicana, disseram. Foi um bom tónico para o início de mais um dia em Maputo.
Por detrás da mangueira germina um futuro de entendimento entre dois povos irmãos, com quinhentos anos de história comum e que só as tiranias colocaram de costas voltadas durante algum tempo. À sombra da mangueira, constrói-se um futuro saudável, sem peias mentais, amarras ou preconceitos. Acredito que sim - esse é o caminho.





                                                                                
   

domingo, 27 de novembro de 2011

Maputo a partir do terraço do Hotel África

O Hotel África foi recentemente aberto ao público, é central relativamente aos limites da cidade, e foi instalado num edifício de 10 andares onde funcionou a Embaixada da URSS.




No dia em que o fado foi carimbado - como se precisasse - património da humanidade, em Maputo a manhã estava linda, sol brilhante, céu azul, os ecos eram os da marrabenta e porque se aproximava a hora do almoço, os odores de caril andavam no ar. «A Pérola do Índico»

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A Laurentina perdeu o trono de rainha

Aquando da descolonização, os chamados retornados, os oriundos de Moçambique, foram os responsáveis pelo nascimento de um mito: Laurentina. A forma como falavam da cerveja, com a paixão de quem fala da mais bela das mulheres, talvez associado ao nome de mulher que é o dela, contribuíram para que em mim, que ainda não bebia cerveja mas já tinha as hormonas aos saltos - e como saltavam - o nome Laurentina passasse a ser fruto de desejo mitigado.
As primeiras vezes que vim a Moçambique, a Laurentina satisfez plenamente esse desejo e vivemos belos momentos. Mas eis senão quando, e há sempre uma primeira vez, meteu-se pelo meio uma intrusa, com origens sul-africanas, com um nome nada sugestivo: 2M. Uma verdadeira infidelidade para com a velha amante dos meus sonhos de adolescente. Mas então, a Laurentina tinha ido vadiar e não estava disponível e quando a besta que é o apetite voraz se solta, não se compadece com fidelidades e vai de estabelecer contacto com a intrusa. Ainda olhei para ela com desdém, como que a acusá-la de chegar de novo para ocupar um lugar que não lhe pertencia; ameacei mesmo hesitar se lhe pegava ou não, fiz-me difícil. Mas as cervejas, quando querem, têm formas de sedução irresistíveis. Usou de todas as suas manhas, manhas de cerveja bem fresca, e pôs-se, lasciva, a deixar escorrer pequenas gotículas de água pelo vidro embaciado, deixando-me a engolir em seco. Não sou perfeito, longe disso e traí a Laurentina e o pior de tudo, o que faz de mim um verdadeiro ingrato, é que gostei.
Voltarei sempre à Laurentina, como quem volta a um velho amor, para recordar belas emoções, tempos idos e será bom, mas a minha paixão é a 2M.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um passeio pelas ruas de Maputo

Quarta-feira, saí do hotel que fica na Av. Agostinho Neto e fui em busca de um passeio, se possível com um café como gratificação. Segui pela Av. Amílcar Cabral, entrei na enorme Mao Tsé Tung e ao fim de um km, do outro lado da avenida, vi a primeira esplanada. Muita gente nas ruas, muitos carros, vendedores ambulantes que escolhem as esquinas para se instalar e muitos vendedores verdadeiramente deambulantes, já que percorrem as ruas em busca de clientes carregando a mercadoria. Numa das esquinas, uma velha muito velha, agachada, tinha para venda quatro ovos, dois pacotes de pilhas pequenas e num fogareiro assava três maçarocas de milho – e que aroma tentador de lá saia… Vários engraxadores sapateiros fazem das esquinas de Maputo a sua oficina, mas em maior quantidade, os vendedores de cartões da M-Cel, uma das operadoras de comunicações, que se distinguem pelos seus berrantes coletes amarelos.
Quando esperava um queque ou um bolo de arroz, a empregada ofereceu-me chamuças ou «coxinhas de galinha».
- Uma dose de chamuças! – gritou ela para a cozinha.
- Quantas são? – perguntei de imediato.
Eram quatro. Arriscado, tendo em conta a hora matutina, pensei.
Entre as muitas pessoas que iam passando na larga avenida, duas meninas na casa dos onze, doze anos, seguiam junto da esplanada. Eram bonitas, pobres e tristes. Transportavam qualquer coisa em caixas velhas de cartão. Chinelos de plástico, calções de licra, camisolas de manga curta, eram a indumentária gasta pelo uso. Uma delas, porém, tinha estampado a toda a altura e largura da camisola letras grossas e douradas que compunham a frase: I want only Guess.
As chamuças eram pequenas, acabadas de fazer e saborosíssimas. Hei-de voltar.



sábado, 19 de novembro de 2011

Maputo, 2011

Na sequência do post anterior, não posso deixar de escrever aqui que as expectativas que existiam face às mais do que previsíveis dificuldades da viagem, foram superadas, o que tornou péssimas estas 25 horas.
Mas estes meninos de Maputo, que fui encontrar acidentalmente no blogue de Francisco Júnior, nada têm que ver com isso e fazem-nos até esquecer muitas coisas amargas, mas, inevitavelmente, lembram-nos outras.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Crise a quanto obrigas...

Vou deixar o espaço do Euro por trinta dias. Que alívio antecipado... Deixo a crise europeia, a derrota por KO da social-democracia, do estado social, e da vitória arrasadora do neoliberalismo (gosto mais de capitalismo selvagem, porque é mais objectivo). Na verdade, já tudo me irrita e, como forma de protesto, rumo a sul para ir trabalhar. Acontece que uma viagem que demora normalmente dez horas, desta vez (por causa da crise? Só pode!) vai demorar vinte e quatro. Pois, infelizmente não me enganei. Vou conhecer três aviões e dois aeroportos que bem dispensava conhecer, mas então... meia dúzia de euros fazem a diferença e tudo vale. Quando quero ir para sul, saio de Lisboa para leste. Frankfurt é o meu destino, e dizem que tem um belo aeroporto. Por mim, vou ter quatro horas para o apreciar, porque só então tomarei novo avião que, se tudo correr bem, me levará a Joanesburgo, onde chegarei na manhã de sábado. Bom, já cheira a África, do Sul, mas África. Terei então algum tempo para conhecer o aeroporto da cidade e depois apanhar o terceiro avião que, não havendo atrasos nem outros percalços, uma hora depois me levará a pisar terra moçambicana. Vinte e quatro horas para fazer uma viagem de dez - gosto de viajar, mas tanto, definitivamente não.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Nova corrida, nova viagem...

A preparar as coisas (malas, revisão das primeiras provas do novo livro, matérias lectivas, espírito) para uma nova corrida, nova viagem, desta feita para respirar os ares de Maputo até meados de Dezembro.

domingo, 13 de novembro de 2011

Frei Fernando Ventura na RTPN


Cada vez gosto mais deste senhor. Aborda de forma clara as questões essenciais, sem cair no discurso fácil de apenas dizer mal dos políticos. Refere-se aos «cidadãos não praticantes» que continuamos a ser todos nós um pouco, e diz ser este o tempo da «revolução dos pacíficos» porque só assim se pode evitar que os pacíficos se transformem em não pacíficos. Vale bem a pena estar atento ao que diz este, parece-me, genuíno franciscano.