quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Adeus 2015; olá 2016

Adeus 2015, de má memória. Venha lá o ano novo, e que faça esquecer este rapidamente.
Alguém escreveu que 2015 foi um ano péssimo com algumas coisas más. Não tenho razões para discordar, bem pelo contrário, só posso concordar. Dentro desta perspectiva, com a real noção das dificuldades, ficaria feliz se 2016 fosse um ano mau, com algumas coisas boas. Seria um avanço.

No que respeita à escrita, 2015 não foi um ano mau. Consegui concluir e pôr à venda, em Setembro, o que representou para mim a maior empresa em que me envolvi em termos literários: a biografia de Vítor Alves. Foi um grande investimento em termos da recolha da informação bibliográfica, jornalística e testemunhal, mas, francamente e sem modéstia, acho que consegui atingir o objectivo de qualidade, que era a minha principal exigência à partida. As críticas que têm saído na imprensa e as que tenho recebido têm sido muito entusiasmantes. Saiu-me da pele, mas estou feliz.

O ano que está quase a começar representará o regresso ao romance histórico. Mais uma vez abordarei o tempo do Estado Novo, destacando as décadas de 30, 40 e 50, particularmente no que concerne à dura vida clandestina de quem lutava contra a ditadura e o assassínio de um membro do Comité Central do PCP. Lá mais para a frente darei mais pormenores.

Um bom 2016 e um abraço que a todos abrace.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Quando Um Homem Quiser - Paulo de Carvalho



Dedicada a todos os amigos que entendem neste tema o verdadeiro espírito natalício. A caridade substituida pela solidariedade e isto, parecendo pouco, é tudo. Nos últimos anos a primeira levou franca vantagem em relação à segunda - a regressão social ganhou. Os meus votos para os próximos tempos vão no sentido de que esta relação se inverta e ganhe a solidariedade e a sociedade portuguesa no seu todo. Desejar não custa.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

slade - merry christmas everybody



A canção de Natal dos meus 13, 14 anos. Era assim...
Seja qual for a banda sonora que escolham, Boas Festas para todos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Edmundo Pedro uma testemunha da História

Quando precisamos de nos aproximar de certos factos históricos que não vêm nos livros, falamos com quem vem desses tempos, e por vezes dá resultado. Foi o que fiz há dias, a propósito de uma história com que ando às voltas. O velho tarrafalista,.o último dos tarrafalistas vivo, recebeu-me em sua casa e contou-me algumas coisas. Poucos dias passavam de ter completado 97 anos e é uma alegria, um espanto mesmo, ouvir um homem com esta idade a fazer desfilar nomes de outras eras sem hesitar uma vez que fosse.





quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Governo de Esquerda

Tenho para mim que tomou hoje posse o governo mais à esquerda do período constitucional. A ver vamos!


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Novo governo em Portugal e um avião da Rússia abatido por um país da Nato

 Este dia fica para história portuguesa por assinalar a indicação, assim se refere o comunicado da Presidência da República à indigitação, (termo previsto legalmente para o acto de alguém ser incumbido pelo PR de formar governo) de António Costa. Resta-nos aguardar que (sem grandes ilusões) o governo que vai iniciar funções traga pelo menos algumas das muitas alegrias que o governo cessante nos cortou. Saliento, porque é de salientar, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, a primeira negra a assumir funções ministeriais em Portugal. Acrescento que era irmã de José Van Dunem, assassinado em Angola, em Fevereiro de 1977, alegadamente, por estar implicado na tentativa de golpe de Estado que punha em causa o regime do MPLA de Agostinho Neto.
Felicidades a António Costa, que é o mesmo que dizer: felicidades ao povo português.


Para a história do mundo, espero que não fique demasiado vincado o acontecimento do dia - seria bom sinal. É que, logo pela manhã, um avião russo foi abatido por um país da NATO, no caso a Turquia. Esperemos que nada de mal venha ao mundo por isso, mas não estranharia que Putin não deixasse as coisas assim.   

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Vitor Alves e o 25 de Novembro na Biblioteca de Alenquer

A convite da Biblioteca Municipal de Alenquer, ali estaremos no próximo dia 25 de Novembro para apresentar Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político, em concluio com o presidente da Assembleia Municipal de Alenquer. Comemoram-se nesse dia 40 anos sobre o 25 de Novembro de 1975, data marcante no processo democrático do país e que, por isso, não deixará de ser alvo de análise histórica. Apareçam, que isto sem vocês não tem piada nenhuma.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Conversa na Biblioteca do Carregado


A convite simpático de Paulo Pascoal Carvalho, coordenador da Biblioteca de Alenquer, estarei presente na tarde do dia 25 de Novembro no polo do Carregado para uma conversa com quem ali quiser comparecer.. 

A biografia de Vítor Alves no Lusitano de Zurique

Uma bela página do Lusitano de Zurique, elaborada pelo Manuel Araújo, sobre as duas apresentações de Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político, levadas a cabo na Biblioteca do Palácio de Mafra a 30 de Setembro, e na Sala Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa no dia seguinte.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Força das Coisas - Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político

É logo, pelas 16h00, em longa, mas em minha opinião, interessante entrevista com Luís Caetano, na Antena 2, sobre Vítor Alves, O Homem, o Militar, o Político.



A Força das Coisas


sábado, 24 de outubro de 2015

Apresentação de Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político na Sociedade de Geografia de Lisboa

Foi no dia 1 de Outubro, na magnífica Sala Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa e tratou-se de uma bela homenagem a Vítor Alves. A sala encheu com amigos, familiares e admiradores desse «capitão de Abril». A apresentação ficou a cargo do Prof. Sampaio da Nóvoa.
Os créditos fotográficos são dos amigos Ana Filgueiras e José Fiães  










Apresentação de Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político em Mafra


Foi dia 30 de Setembro, na belíssima biblioteca do Palácio de Mafra. Nesta terra, a poucas centenas de metros, 80 anos antes, precisamente 80 anos, nasceu Vítor Alves. 
Os créditos fotográficos são dos amigos Ana Filgueiras e José Fiães






A obra foi apresentada pela Professora Maria Inácia Rezola, uma das mais insignes especialistas neste período da História de Portugal, e pelo Major General José Inácio de Sousa, que foi aluno de Vítor Alves,
na década de sessenta.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

92 anos em 92 segundos - Walt Disney Animation Studios





Faz parte da nossa memória colectiva. Num recanto qualquer das nossas cabeças, onde se guardam as coisas doces, podemos reencontrar-nos com alguns destes momentos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vítor Alves no i




No jornal i de hoje, sob a pena de Augusto Freitas de Sousa, duas belas páginas dedicadas à biografia de Vítor Alves



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Reportagem I Jornadas de Emergencia da CVP de Marinhas_Esposende



Participação nas 1ªs Jornadas de Emergência, levadas a cabo pela Delegação da Cruz Vermelha de Marinhas, Esposende, no dia 3 de Outubro. Reportagem da televisão de Esposende.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

As luzes que iluminaram um capitão de Abril (JN, 9.10.2015)


«UM LIVRO OBRIGATÓRIO»
«Esta sólida e muito completa biografia de Vítor Alves acaba por ultrapassar a mera história de uma vida: é um postal ilustrado sobre alguns dos anos que ajudaram a transformar Portugal, entre sonhos e pesadelos.»

Um artigo de Fernando Sobral do Jornal de Negócios de hoje sobre a biografia de Vítor Alves. 
Gosto do artigo, mas muito do título que escolheu. 


terça-feira, 6 de outubro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Carlos Ademar apresenta VÍTOR ALVES na TVI 24



O amigo Manuel Araújo fez o favor de partilhar este vídeo no YouTube, relativo à minha passagem pela TVI 24, onde falei com Henrique Garcia sobre a biografia de Vítor Alves - foi a 26 de Setembro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político - já à venda


Ontem começou a ser distribuído, hoje já está à venda em todo o país. A Parsifal está de parabéns pelo belo objecto que é este livro e a distribuição do Clube do Autor de parabéns está pela sua eficiência. Quanto a mim, o autor, ainda não sei se estou de parabéns, os leitores o dirão.
Mas esta felicidade de ver um livro novo (que tanto trabalho deu) nas bancas, ninguém ma tira. 
Abraços.  


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Press Release - Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político



PRESS RELEASE

VÍTOR ALVES:
O Homem, o Militar, o Político
CARLOS ADEMAR
A BIOGRAFIA DAQUELE QUE É CONSIDERADO POR MUITOS COMO O HOMEM MAIS IMPORTANTE DO 25 DE ABRIL.

CONTÉM IMAGENS E DOCUMENTOS HISTÓRICOS INÉDITOS.

Prefácio de António Ramalho Eanes

O LIVRO
Depois de ingressar na Escola do Exército, partiu para África, onde o contacto com a Guerra Colonial fez germinar no jovem alferes a consciência da incapacidade de o Estado Novo encontrar uma solução para o problema ultramarino, preocupação que o levará a ser investigado pela PIDE e que o levará a aderir ao MFA, de que será um dos líderes mais destacados. Em Democracia, Vítor Alves integrará o Conselho da Revolução, o Conselho de Estado e o Conselho dos Vinte.
Dotado de espírito organizado, cortês e conciliador, exerceu funções diplomáticas, ministeriais e de conselheiro de Estado e da Revolução. Durante o «Verão Quente», esteve na origem do grupo moderado, responsável pelo Documento dos Nove. Como independente, abraçou a política, tendo estado na criação do PRD. Até ao fim, nunca deixou de lutar por causas cívicas e defender os direitos humanos.
Resultado de incontáveis entrevistas ao mais discreto dos Capitães de Abril, a familiares e antigos camaradas e de profunda e rigorosa investigação em inúmeros arquivos, este livro é não só a biografia de um incessante defensor dos valores humanistas, como constitui, sobretudo, o retrato de uma personalidade singular, cujo percurso se confunde com a História de Portugal das últimas décadas.

CARLOS ADEMAR
Nasceu em 1960. É mestre em História Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa. Depois de cerca de duas décadas como operacional na secção de homicídios, é desde 2006 professor da Escola da Polícia Judiciária. Trabalhou na investigação de alguns dos crimes que mais marcaram a sociedade portuguesa e colaborou na formação de órgãos de investigação dos PALOP. É fundador da Revista de Investigação Criminal e integra a sua Direcção Editorial.
Como investigador de História Contemporânea, é autor, com Ana Aranha, de No Limite da DorÉ autor, entre outras, das obrasEstranha Forma de VidaMemórias de Um Assassino Romântico e dos romances históricos O Homem da Carbonária e O Chalet das Cotovias.


Páginas: 528 + 64 de extratextos a cores
Preço: 23 Euros
Editor: Edições Parsifal
ISBN: 978-989-8760-09-8

sábado, 19 de setembro de 2015

Apresentação de Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político






Deixo ao Vosso critério a escolha do local, porque ambos são emblemáticos e carregadinhos de historia. Mais do que dar a conhecer o livro, serão duas belas homenagens a Vítor Alves, um dos principais construtores da democracia e dos que mais lutaram pela sua consolidação. Aos meus leitores, aos democratas, aos apaixonados pela História recente deste país, deixo o convite.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Carlos Ademar nos 80 Anos de Rádio

O meu contributo para enaltecer a importância da rádio como instrumento de divulgação cultural. Para ouvir, é só clicar.

80 Anos de Rádio

Voltar a clicar em «rever este programa...»

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Parabéns Sérgio Godinho

Escreveu e cantou uma canção que diz algo como: «Só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação...»
Tinhas 29 anos, fazes hoje 70. Palavras sábias, mas que os poderosos continuam a esquecer. Parabéns e obrigado por nos lembrares certas coisas, por espalhares tão bem as notícias que verdadeiramente interessam, pelas tuas palavras tão simples, por nos lembrares que cada dia é o primeiro do resto das nossas vidas; pelo teu Casimiro, que tinha um nariz que parecia um radar - não se vendia nem com uma estátua lá no largo. Obrigado pela tua Feira da Ladra, pelo teu Namoro com todos nós, pelo trocadilho de pepino com destino, porque assim faz mais sentido. Não posso esquecer os teus jovens vizinhos do andar de cima, e tantas foram as coisas maravilhosas que nos trouxeste ao longo de tantos anos que um brilhozinho nos olhos por vezes pode dar maré alta.
Parabéns Sérgio.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Capa de Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político

Aqui vos deixo capa, contracapa e badanas (o plano) de Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político.
Tenho o grato prazer, porque é disso que verdadeiramente se trata, de informar os meus caríssimos leitores que esta preciosidade vai com a obra, as muitas fotografias e documentos para a gráfica amanhã. Ou seja, daqui a duas semanas, o mais tardar, temos livro novo na mão.



O marcador. 


sábado, 15 de agosto de 2015

Sampaio da Nóvoa ao Expresso

As eleições presidenciais ainda vêm longe (primeiro teremos as legislativas) mas os candidatos já se vão mostrando, sendo que alguns já se chegaram à frente. Destes, o Prof. Sampaio da Nóvoa emerge de uma neblina, de que apenas o meio académico estava arredado, tendo em conta a sua carreira de professor universitário, reitor da Universidade de Lisboa, e nesta qualidade, responsável pela fusão desta Universidade com a Universidade Técnica de Lisboa. Os portugueses só agora o começam a conhecer. A entrevista que dele hoje saiu no Expresso, é um óptimo instrumento para ajudar a cumprir esse desiderato. Dela, retirei a ideia de que estamos perante um homem de liberdade, com um ADN vincadamente democrata; um amigo da estabilidade e um construtor de pontes entre os portugueses, não de muros. Tudo quanto Portugal precisa em Belém.  

Registo:
«Sou contra tudo o que ponha em causa o contrato com os cidadãos. Não pode haver contratos a valer mais do que outros. Os contratos de pagamento da dívida têm de ser honrados, como têm de ser honrados os dos pensionistas. Falamos muito do BCE, mas o BCE também tem obrigações de coesão social, de manutenção do modelo social europeu! (…) Não há umas alíneas que valem muito e outras que não valem nada…»
«É muito fácil saber onde estou, porque estarei sempre do lado da liberdade.»

Tudo quanto Portugal precisa em Belém.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político

Vítor Alves, o Homem, o  Militar, o Político, a primeira biografia daquele que muitos consideram o homem mais importante do 25 de Abril, está pronto e entregue ao editor. O prefácio (e que prefácio...) é da responsabilidade do senhor General Ramalho Eanes e a capa está quase pronta e a ficar belíssima.
Pudemos contar com apoios à edição de várias entidades, que mais tarde divulgarei - não o faço agora porque aguardamos ainda algumas confirmações.

Trata-se do resultado de 5 anos de trabalho, com investigação em arquivos pessoais (desde logo o do próprio VA) e institucionais, como a Torre do Tombo, o Arquivo Geral do Exército, entre outros. Pude contar com o apoio da família, principalmente da  viúva, Teresa Alves, com quem, desde o primeiro contacto, foi possível estabelecer uma relação amistosa, que muito ajudou no bom desenvolvimento do trabalho. Trabalho que teve por base, igualmente, cerca de três dezenas de entrevistas a amigos, camaradas, familiares e colaboradores de VA, que permitiram fazer emergir ou aclarar alguns pormenores que a História não revelara de forma cabal até agora.
A história de vida de Vítor Alves contada com palavras, em cerca de 500 páginas, é confirmada ou reforçada por um conjunto de fotografias e cópias de documentos inéditos apostos em 64 páginas.
A primeira apresentação da obra está marcada para 30 de Setembro, na biblioteca do Convento de Mafra, terra onde VA nasceu 80 anos antes, que se completarão exactamente nesse dia; a segunda apresentação será no dia seguinte, 1 de Outubro e terá lugar na Sala Portugal, o salão nobre da Sociedade de Geografia de Lisboa, de que VA era sócio honorário.
Os dados estão lançados. Basta aguardar.        

sábado, 18 de julho de 2015

domingo, 12 de julho de 2015

Muito abandonado tens andado, blogue amigo

Muito abandonado tens andado, blogue amigo. Mas é assim, já o devias saber, a vida não para; coisas novas surgem todos os dias e umas prendem-nos mais do que outras e neste caso, houve aqui, reconheço, uma troca directa pelo Facebook. Não te sintas diminuído, mas a interacção que este permite, deixou-te à margem, deixando-me à margem de reflexões mais profundas que só tu permites, a que aquele é avesso e de que tenho saudades.
Houve outras razões que aqui não vieram parar, ou talvez viessem mas só de viés. Desde há mais de um ano tenho vindo a escrever para uma nova agência de notícias portuguesa, a PINN (Portuguese Independent News Network) e para o jornal da comunidade de emigrantes em Zurique e, uma e outro, sempre requerem um pouco da nossa atenção, e tudo se traduz em tempo - a única coisa que não se compra. A  juntar a isso, que não é pouco, há uns anos, meti-me num projecto com alguma grandeza, em termos do trabalho que exige e dos objectivos a alcançar: dar a conhecer aos portugueses de hoje quem foi o coronel Vítor Alves - talvez a pessoa mais importante do 25 de Abril.
Desafiaram-me em 2010 para fazer a sua biografia. Foi a Luísa Amaral, e eu aceitei; sempre fora aquela a figura do 25 de Abril com quem mais me identifiquei. Ainda chegámos a ir a casa do coronel falar com ele, numa altura em que já estava bastante doente - morreria poucos meses depois. Saí de lá motivado a lançar-me à obra, mas a verdade é que o trabalho em equipa não funcionou e a ideia adormeceu.
Em 2012, porém, resolvi fazer um mestrado em História, e se o pensei sem ter em mente o tema a desenvolver, quando tomei a decisão de avançar, já não tinha qualquer dúvida: seria a importância de Vítor Alves na instauração da democracia em Portugal. Começou em 2012, mas só defendi a dissertação em Abril de 2014. No fim, achei que era um desperdício toda a informação conseguida ficar no disco do computador ou no arquivo da Universidade Nova de Lisboa. Resolvi meter as mãos na massa, rasgar o tempo e avançar para uma biografia daquele homem que tanta importância teve na História recente de Portugal. Se o mestrado se cingia aos anos da efervescência social, desde a criação do MFA até à tomada de posse do I Governo Constitucional, a biografia seria uma história de vida do nosso Vítor Alves: desde o seu nascimento em Mafra, perto do Convento, em 30 de Setembro de 1935, até 8 de Janeiro de 2011, no Hospital Militar da Estrela, onde faleceu.

Esta tarefa, árdua, mas consoladora tarefa, impediu-me de respirar fundo durante todo este tempo, quanto mais dar-me ao luxo de te vir visitar. Fechei-me com o Vítor Alves e só hoje, 12 de Julho de 2015, estou em condições de me afirmar liberto da promessa que fiz a Vítor Alves, numa certa tarde de Setembro de 2010, de que lhe faria a sua biografia. Está pronta da minha parte. O Marcelo Teixeira é o homem que segue. Agora é com ele e com a Parsifal. Mesmo que (que o diabo seja cego, surdo, mudo, não saiba ler nem tenha Internet) alguma fatalidade me ocorra, o VA já tem a sua biografia.
Para já, temos dois lançamentos aprazados: um para 30 de Setembro (dia em que VA completaria 80 anos - fiz questão) na magnífica biblioteca do Convento de Mafra, e para o dia seguinte, 1 de Outubro, em Lisboa, na requintada sala grande da Sociedade de Geografia, de que ele era sócio honorário. A esta cerimónia se associou a Associação 25 de Abril, de que, além de sócio fundador, VA era igualmente sócio de honra.
São mais de 500 páginas, inúmeras fotografias e documentos inéditos, que devem fazer reequacionar algumas verdades tidas como absolutas, que resultaram de dezenas e dezenas de entrevistas a familiares, amigos e camaradas, muitas semanas de consultas de arquivos, desde logo o de Vítor Alves, completamente virgem, aliás, não trabalhado em termos arquivísticos, e da leitura de uma bibliografia imensa, que se conta por largas dezenas, dos mais e dos menos emblemáticos, títulos publicados sobre este período. 

Depois de me desculpar e prometendo ser mais assíduo, espero que compreendas e que eu possa continuar a poder contar contigo para me ajudares na promoção dos meus escritos, neste caso do próximo, que já tem título: Vítor Alves, o Homem, o Militar, o Político.


domingo, 25 de janeiro de 2015

IV Jornadas Técnicas de Emergência Pré-Hospitalar


 Foi ontem e correu muito bem. Estava mesmo esgotado. Sala cheia e muito interesse por parte da assistência. Estão de parabéns os Bombeiros Velhos de Aveiro e o ESCIA, responsáveis pela organização. Continuem! É sempre um prazer regressar a Aveiro.   

Zorbas Syrtaki




Não concordo com extremismos, mas fiquei feliz com o nervoso miudinho que se foi acumulando e manifestando em certas franjas do poder europeu, dada a possibilidade de haver mudanças drásticas na Grécia com as eleições de hoje. Um murro na mesa desta Europa dos poderosos, com reflexos directos nas trombas da Dona Adolfa, precisa-se. Urgentemente!

sábado, 17 de janeiro de 2015

«Entre Margens» - Portugal Espanha, uma questão de fronteiras

Está patente no Arquivo Nacional Torre do Tombo a exposição «Entre Margens», comissariada pela Professora Paula Godinho, da FCSH da UNL, relativa às relações entre Portugal e Espanha sobre questões fronteiriças ao longo da História. Ali podemos apreciar os documentos originais, desde o
Tratado de Badajoz, de 1267 até aos últimos acordos assinados pelos representantes dos dois países. 
Trago este assunto ao A-de-Mar, porque o tema não pode estar mais actual, com a questão das Ilhas Selvagens a emergir e merecer a atenção de nuestros hermanos, quando, ao longo de séculos não lhes despertou qualquer tipo de interesse. Está em causa, bem o sabemos, a extensão da zona económica exclusiva que a posse daqueles rochedos pode proporcionar. 


Sobre o tema escrevi uma crónica para o Portuguese Independent News Netwark (PINN - um sítio de notícias sobre a lusofonia para o qual escrevo com mais ou menos regularidade desde a sua fundação), que aqui deixo, como deixo algumas fotografias (de pouca qualidade) efectuadas na exposição atrás aludida, cuja visita recomendo vivamente a quem se interessa por estes assuntos - que no plano do ideal, deviam ser todos os portugueses. Aqui fica o texto: 

«Portugal-Espanha - uma questão de fronteiras

Aceita-se como verdade que Portugal possui as fronteiras mais antigas da Europa. Na verdade, o Tratado de Alcanizes, de 1297, assinado por D. Dinis e Fernando IV, rei de Leão e Castela, estabeleceu uma linha de fronteira, não muito diferente da que hoje existe. Há, contudo, cerca de seis dezenas de quilómetros dessa linha, que coincidem com a região de Olivença, que marcam uma diferença face ao estipulado em Alcanizes. Olivença foi ocupada em 1801 pela Espanha, na sequência de um pacto do reino espanhol com a arrasadora maré francesa saída da Revolução, que ameaçava inundar toda a Europa. Mais tarde, em 1815, após a derrota de Napoleão, foi determinado em Viena, que Olivença fosse entregue a Portugal, o que nunca chegou a acontecer, como nunca aconteceu uma vigorosa exigência portuguesa para recuperar a parte surripiada do seu território.
Cerca de cem anos antes, em 1713, a Espanha oferecia Gibraltar à Grã-Bretanha, pelo Tratado de Utreque, a título de indemnização relacionada com a Guerra da Sucessão de Espanha. Não sendo determinante, não deixa de ter peso: o território de Gibraltar é cerca de vinte vezes menor que o de Olivença. Se Olivença perde em localização estratégica face a Gibraltar, ganha seguramente, e por muitos pontos, em dimensão.
Portugal foi espoliado de uma parte do seu território há 200 anos; a Espanha, há 300 anos, doou uma parte do seu território. O que acontece nos dias de hoje é que a Espanha não se cansa de reclamar contra a ocupação de Gibraltar, exigindo voltar a ter a sua jurisdição, mesmo contra a vontade dos gibraltinos, que já a deram a conhecer, manifestando-se por manter o estatuto que possuem. Nuestros hermanos ameaçaram colocar o problema na ONU, como forma de pressionar os britânicos. De Portugal, quanto a Olivença, ouve-se apenas um silêncio secular.
A este propósito introduz-se aqui um outro elemento, simples, mas elucidativo: Ceuta. Como se sabe, esta cidade do Norte de África, do outro lado de Gibraltar, foi a primeira conquista portuguesa e europeia nesta região do mundo, marcando o início do ciclo da expansão ultramarina portuguesa. Aconteceu em 1415, antes ainda da descoberta da Madeira. Aquando da reconquista da independência de Portugal, em 1640, a única possessão do Império português que não quis regressar à coroa foi precisamente Ceuta, que preferiu ficar sob administração espanhola, o que foi pacificamente aceite pelos restauradores da independência; não há evidências do contrário.      
Mais recentemente, no último mês de Dezembro, a Espanha terá colocado a questão da posse das Ilhas Selvagens na Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU, que irá tomar uma decisão. O país vizinho não o fez, certamente, pelos pobres ilhéus em si, que sempre desprezou ao longo dos séculos, mas devido ao que eles potenciam nos dias de hoje, em termos do aumento da zona económica exclusiva, particularmente numa altura em que se fala na possibilidade de o seu subsolo marinho esconder jazidas importantes de petróleo e gás natural.
As Selvagens pertencem ao arquipélago da Madeira, representam quase 300 mil quilómetros da zona económica exclusiva portuguesa e são o que resta de um conflito antigo que opôs a Espanha a Portugal em torno da questão da posse do arquipélago das Canárias, que ainda no século XV ficou decidido que integraria o território espanhol. É verdade que as Selvagens se encontram desabitadas, sempre o foram, como é igualmente verdade que elas fazem parte do território português há séculos. Há uns anos foram classificadas como reserva ecológica, particularmente devido à nidificação de certas aves, as famosas cagarras, que o Presidente Cavaco Silva foi visitar em tempos, e fez muito bem.
As boas relações entre países vizinhos têm de ser fomentadas; tudo deve ser feito para as fortalecer. Tudo menos ceder em questões que mexam com a dignidade dos povos, ainda que o argumento, não confessado, seja que o vizinho é maior e mais poderoso. O que está verdadeiramente em causa é a postura diversa dos respectivos países perante problemas idênticos. Vejam-se os britânicos face a Gibraltar, face às Malvinas, ou como eles preferem, as Falklands; veja-se a postura da Espanha face a Gibraltar e mais recentemente face às Selvagens. E Portugal?... Assobia para o lado e faz de conta que não é com ele, não vá incomodar alguém, quiçá a Espanha.
Ninguém defende a guerra, como os britânicos fizeram face aos argentinos por causa das Malvinas, mas, já devíamos saber, de nada nos vale esta postura de pequeninos, que não somos, mas de que nos fazemos, em nome de um bom relacionamento que, para se construir saudavelmente, deve ser desejado e defendido de igual forma por todas as partes envolvidas. Diz o povo que quanto mais nos agachamos, mais se vê o traseiro. Tem sido esta a postura que sempre mantivemos com a Espanha face ao problema de Olivença, que, esperamos, não venhamos a ter face às Ilhas Selvagens. Não é só um imperativo, lutarmos por aquilo que nos pertence, está em causa, principalmente, a dignidade de um povo que, ao longo de quase 900 anos de História, deu contributos inestimáveis ao desenvolvimento da Humanidade, incomensuravelmente acima do que a sua dimensão e localização geográfica permitiria perspectivar.

Carlos Ademar»