quinta-feira, 18 de maio de 2017

Na Vertigem da Traição V


Para já, registem estas fotografias. Vão fazer história, digo eu, que sou modesto.

Um espião ou agente da polícia política, ou será um militante clandestino? Certo é que está nos Restauradores a ver como param as modas, digo eu, que gosto de dizer coisas.


Uma perseguição de carochas, algures em Monsanto. Digo eu, que acho que conheço as estradas.

Ambas têm que ser trabalhadas, claro, e serão. Depois logo se vê. Talvez a de cima dê capa e a de baixo contracapa. Não sei. É só uma ideia. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Na Vertigem da Traição IV

Tenho o Manuel Domingues (MD) como um homem de honra. Na minha opinião morreu por isso mesmo, pelo sentido do dever que esteve sempre presente, no caso, ao defender os seus camaradas mais humildes, mesmo indo contra a cúpula do partido. Foi aí que ele se perdeu. Por Fevereiro/Março de 1949, numa reunião do Comité Central, bateu-se contra a expulsão de camaradas seus da Marinha Grande, que acabaram expulsos, entre eles Joaquim Gregório, irmão do José Gregório, que pertencia ao mesmo Comité Central e foi figura grada até certa altura (outro assunto interessante). Nessa reunião, Manuel Domingos ficou sozinho, o que lhe foi fatal. Depois foi sempre a piorar, com o partido a definhar devido a muitas cedências à PIDE, mas também em razão dos olhos do regime, disseminados um pouco por todo o lado. Muito disto jogou contra MD, que, pela sua posição em 1949, passou a ser um alvo preferencial. Por estes anos o partido entrou em enorme desorientação e surgiu a vertigem da traição. Na verdade, a PIDE nunca esteve tão perto de ganhar a guerra. Foram cometidos alguns erros graves, fruto dessa vertigem da traição, erros que depois foi preciso justificar. Aí surgiu, publicado pelo PC, claro, o «Lutemos Contra os Espiões e Provocadores», que é, assim o entendo, a principal peça de acusação contra o PC, no que ao crime de MD respeita. Manuel Domingues tinha defeitos, era um homem, e eu desconfio dos homens que não os têm, mas ser traidor não me parece que fosse um deles, longe disso, até por tudo quanto sabemos dele. Estou a gostar muito da personagem. Falta um trabalho académico sobre o homem e o seu tempo. Fica o desafio. A sua história de vida bem o merece, bem como a história da sua morte - e nós também.



                                                                    Manuel Domingues - Pouco antes de ser assassinado



(voltarei em breve)

domingo, 14 de maio de 2017

Vertigem da Traição III

Vertigem, s. f. estado mórbido, durante o qual se tem a sensação de falta de equilíbrio e em que todos os objectos parecem girar à nossa volta; tontura; estonteamento; delíquio; vágado; desmaio; (fig.) acto impetuoso e irreflectido; tentação súbita; desvario. 







Traição, s.f. acção ou efeito de trair, intriga; deslealdade; aleivosia; perfidia; cilada; infidelidade.

Na Vertigem da Traição II - Provas


As primeiras provas: o gin estava óptimo; o texto não sei.  

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Na Vertigem da Traição I


Na Vertigem da Traição está por aí não tarda. 
Eis algumas fotos de páginas do processo-crime que inspirou a obra de ficção.






Antigo SS funda a Frente Nacional com Le Pen

Para que não haja dúvidas, porque este video as dissipa.
Não acredito que nazis se convertam em democratas.
Eis a prova.

https://vimeo.com/189604726

sábado, 29 de abril de 2017

A última entrevista de Nuno Brederode dos Santos

Agora que a morte cumpriu o seu desiderato em Nuno Brederode dos Santos, deixo uma muito interessante entrevista, penso que a última, que Anabela Mota Ribeiro lhe fez, bem como à sua irmã, Maria Emília Brederode dos Santos, no último Verão.


http://anabelamotaribeiro.pt/maria-emilia-e-nuno-brederode-santos-119043

O cabo que fez a diferença nas operações militares do 25 de Abril

Houve um cabo que fez toda a diferença nas operações militares desencadeadas para derrubar o Estado Novo, o cabo de comunicações instalado nas últimas horas no posto de comando do Regimento da Pontinha. Eis um documentário muito interessante e pormenorizado sobre o tema.  

http://www.rtp.pt/play/p3438/a-voz-e-os-ouvidos-do-mfa

quarta-feira, 26 de abril de 2017

No Limite da Dor em Santarém e Alenquer

Hoje será em Santarém, no Estúdio Mário Viegas; no sábado (a que se refere o cartaz) é a vez de Alenquer, na sua Bibioteca Municipal. O périplo pelo país, começado há três anos, continua. O pretexto é o livro, mas o objectivo é mesmo falar um pouco do aparelho repressivo do Estado Novo e do mal que causou. Calar nunca! - deve ser e é a máxima.  



sábado, 22 de abril de 2017

Benfica-Sporting, o desporto e a estupidez


Sporting e Benfica jogaram mais uma vez, desta feita em Alvalade. O jogo acabou empatado a um golo, permitindo que o Benfica continuasse em primeiro lugar, a quatro jornadas do fim. A derrota poria em perigo o lugar cimeiro na classificação e, dado faltar tão pouco para que o campeonato termine, a eventual conquista do tetra por parte do clube da águia, o primeiro da sua história. 
Mas nada disto pode ter qualquer interesse quando um adepto morre por questões de disputa entre claques. Na madrugada que antecedeu o jogo, por força da pressão que é exercida pelas direcções dos clubes e altamente fomentada pela comunicação social, um adepto de um clube foi atropelado mortalmente por, alegadamente, gente do outro clube. 
Nesta noite, a que se seguiu ao jogo, toda a gente fala dos 90 minutos em campo, dos jogadores, dos golos e principalmente do árbitro e dos seus eventuais erros. Não ouço ninguém a condenar não só a morte de um homem, mas principalmente as condições que a geraram. Tudo se poderá repetir e provavelmente ainda com mais gravidade. 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Um novo romance

É sempre diferente o dia em que um escritor entrega ao seu editor um novo livro. Foi hoje. Particularmente quando há 4 anos que não publico um romance e quando a obra que entreguei me levou dois anos da minha vida, vividos muito intensamente. Estou cansado. Se o escritor se sentisse devidamente compensado, mandava o trabalho às malvas e ia por aí, só mesmo para dormir, ver filmes e ler romances, que é coisa que não tenho feito nos últimos tempos. 
Hoje, 18 de Abril de 2017, entreguei o original de um novo romance que me deixou muito feliz de o ter construído. A ele voltarei brevemente.

Entretanto, fiquei tão estasiado que não podia regressar a casa como se de um dia normal se tratasse, porque não era.
Fui ao Monumental ver um documentário sobre as gravações do Apocalypse Now e bebi umas cervejas sozinho, que é coisa que normalmente não aprecio, mas que fiz e desta vez gostei.  

No Limite da Dor e Mulheres da Clandestinidade em Beja


É já na 6ª à noite, na Biblioteca José Saramago em Beja. Estarei muito bem acompanhado com a minha caríssima co-autora Ana Aranha e com Vanessa Almeida, autora do Mulheres da Clandestinidade, além, claro, do editor das duas obras, Marcelo Teixeira. Os livros são apenas pretextos para uma boa conversa sobre temas que não podem morrer. Apareçam. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Lisboa estava “de joelhos”. Hoje bate Berlim, Barcelona e Londres



Que raio se passa com a nossa capital?



Lisboa estava “de joelhos”. Hoje bate Berlim, Barcelona e Londres: Domingo foi a vez do emThe Guardian/em tecer loas à capital portuguesa. O que é que, segundo o diário britânico, faz de Lisboa a

domingo, 16 de abril de 2017

Banda do Casaco - Geringonça



Aqui vos deixo aquela que poderia ser uma bela banda sonora para um projecto político inovador, mas que está a resultar, para azia de muitos. A saudosa Banda do Casaco, com a belíssima Gabriela Schaaf. Do album «Hoje há conquilhas amanhã não sabemos», de 1977.

Machadada na Democracia

Na Turquia o Sim às alterações constitucionais venceu (à justa mas venceu).

É talvez a derrota da democracia mais marcante nesta parte do mundo. 
É mesmo uma verdadeira machadada na democracia da Europa. 
Entre os migrantes turcos na Europa o SIM chegou quase aos 60%, enquanto na Turquia não passou dos 51,3%. Como entender isto? 

Resta-nos ver o copo meio cheio: que isto corra tão mal que sirva de vacina aos outros povos europeus - e mundiais, já agora. A democracia e a liberdade é uma construção que nunca deve ser dada por concluida. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

No Limite da Dor na Biblioteca José Saramago, em Loures


Na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, na 6ª feira passada, dia 7. Com sala cheia, o livro No Limite da Dor como pretexto para mais uma conversa sobre a ditadura Salazarista/Caetanista e o seu aparelho repressivo, com uma das muitas vítimas directas, José Pedro Soares, a usar da palavra, e as vítimas indirectas Ana Aranha e o Marcelo Teixeira, das Edições Parsifal, além deste Vosso amigo. Não há muitas sessões deste tipo que se iniciem pouco depois das 21h00 e terminem perto da meia-noite – sem intervalo.

domingo, 9 de abril de 2017

Guterres designa Malala Yousafzai mensageira da Paz

Guterres designa Malala Yousafzai mensageira da Paz: O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, designou a Prémio Nobel da Paz Malala Yousafzai para Mensageira da Paz da ONU, a maior honra concedida por um líder da organização a um cidadão do mundo.

domingo, 2 de abril de 2017

25 de Abril - Roteiro da Revolução

É um dos mais recentes livros da Parsifal e para mim, é já o livro sobre Abril deste 2017. São depoimentos de variadíssimas pessoas que têm em comum (quase todas) o facto de terem protagonizado ou vivido, de forma mais ou menos intensa, o 25 de Abril.
Pelos seus aspectos particulares, valorizo mais os testemunhos dos civis do que os dos militares, ainda que o texto de Carlos Matos Gomes tenha a grande virtude de nos falar do 25 de Abril vivido na Guiné, não tão conhecido assim, e nos lembrar Carlos Fabião, mais do que um grande militar, um dos grandes homens daqueles tempos e que hoje está praticamente esquecido. 
Não se pode passar indiferente a testemunhos com os de Júlia Matos Silva, que sendo conhecedora do que se preparava naquela madrugada, ficou a aguardar ansiosamente as músicas que serviram de senhas - e a alegria chegou quando soaram. Depois foi calcorrear as ruas de Lisboa em busca das casas dos amigos a fim de lhes dar conta do que estava em marcha e porque não sabia o que lhe poderia suceder e tinha uma filha com 11 meses, o pedido aos pais: «cuidem bem dela».
Também o depoimento de Helena Pato é emocionante. Aborda as muitas horas que muitos entusiastas da liberdade passaram nas imediações da prisão de Caxias, aguardando, também com muita ansiedade, a libertação dos presos políticos. Reinava o pavor de que os pides ali de serviço se quisessem vingar e o fizessem nos homens e mulheres que ali estavam retidos e indefesos. E o pior surgiu quando na noite foi ouvido um tiro e depois um segundo. O horror. Felizmente não se confirmariam as piores suspeitas e a longa espera acabaria por ser compensada. Já se consumia a primeira hora do dia 27 quando as portas se abrirem. A alegria e a emoção transbordaram, tocando cada centímetro quadrado de pele, quando os presos começaram a sair.
Um livro a não perder para quem gosta deste tema. Ainda bem que há quem nos continue a surpreender e ainda bem que há quem vá teimando em divulgar a História através de livros como este.   

domingo, 19 de março de 2017

A Mulher Transparente em Alenquer

Foi ontem o dia da apresentação de A Mulher Transparente, de Ana Cristina Silva, que ocorreu na Biblioteca Municipal de Alenquer.

Fotos de Carlos Neves
Helena Assunção da BMA, a autora e este Vosso amigo



Ana Cristina Silva


Aqui deixo o texto que preparei sobre o livro:
A Mulher Transparente
Começo por fazer uma declaração de interesses: dentro daquele princípio de que o homem é ele e as suas circunstâncias, declaro que durante 18 anos trabalhei na 1ª secção da Directoria de Lisboa da Polícia Judiciária e destes, 13 anos tive a meu cargo centenas de processos, com origem em agressões conjugais. Dito isto, que acho importante, tudo o que possa dizer sobre a temática deste livro, não pode ser desligado dessa minha vivência profissional. E conto-vos isto para dizer desde já que não me foi fácil ler este livro.
Há várias razões para que um livro não seja fácil de ler. As mais comuns têm a ver com um, mais ou menos claro, desfasamento entre as características da obra e as valências ou apetências do leitor. Eu poria a questão mais nestes termos no que na falta de qualidade das obras, porque quando as carregamos com adjectivos, estamos simultaneamente a arrumá-las nas nossas prateleiras, que são apenas isso, as nossas prateleiras.
No meu caso, as dificuldades que senti perante A Mulher Transparente, tiveram a ver unicamente com o recuar no tempo e reviver muitas das experiências amargas que então vivi de forma intensa e quase diariamente. A trama é perfeitamente plausível e as personagens tão ricas, reais e vivas que dei por mim a pensar no trabalho de investigação a que a Ana Cristina Silva se deu para as conseguir construir. Nota-se nas pequenas coisas, que neste livro não faltam, porque emergem e entram no espírito do leitor através das palavras certas e, com maior subtileza ainda, através dos reflexos das vítimas perante determinadas situações. Está aqui tudo, porque tudo está em conformidade com aquilo que conheci e aprendi: o corpo marcado, mas principalmente a alma, cujas sequelas se estendem muito além dos factos e se reflectem nas lágrimas que vão caindo sem pedir licença; numa tristeza infinda surgem os dilemas, os precipícios, os muros intransponíveis, os caminhos sem saída.     
É claro que a violência doméstica tem muitas nuances, razões e protagonistas tipo, que o género romance dificilmente pode abarcar na totalidade. Em A Mulher Transparente, Ana Cristina Silva dá-nos conta de uma das situações mais comuns: um homem extremamente possessivo e uma mulher insegura, dada à descrença nas suas capacidades, manifestada em muitas tiradas como esta: «ainda me parecia inverosímil que o Meireles me amasse e quisesse casar comigo.» A autora desenhou muito bem estas personalidades, conferindo-lhe coerência ao longo do texto, justificando plenamente a sua forma de agir dentro dos respectivos padrões, ainda que fosse necessário recuar à infância e juventude de cada uma, chegando aos progenitores, pintando-os com as cores certas e necessárias para bem elucidar o leitor.
Mais uma vez e sempre, é o homem e as suas circunstâncias.
Sem querer entrar em pormenores para não estragar o prazer da leitura, direi que a obra está repleta de magníficos exemplos de quem são Meireles e Clara e de onde vieram. Em termos literários não faltam imagens que colocam o leitor no espírito das personagens e no contexto onde estão inseridas. A este nível, muito interessante é o episódio que nos dá conta da subida ao sótão da casa por parte de Clara, onde traça alguns paralelos entre o lixo de uma vida e as memórias mais íntimas que um espaço como aquele pode comportar, bem como os fantasmas que cada coisa daquelas pode arrastar – Não percam. Gostei francamente.
Ainda durante o noivado, andava o casal a escolher a decoração da casa, Clara experimentou pela primeira vez a violência da mão de Meireles. «Vamos esquecer tudo isto», disse-lhe ela quando ele, humildemente lhe pediu desculpa. Mas na verdade, e isto é importante, disse ela: «não exprimi a minha opinião sobre as toalhas à empregada que nos atendeu». Mais à frente do texto e face aquela relação marital: «dispus-me a estar errada e permanecer cada vez mais errada.» É o apagamento daquela personalidade, exigida pelo homem e aceite pela mulher.   
As faltas ao trabalho por vergonha sucederam-se: «conjuntivites que requerem o uso de óculos escuros (…) retocar várias vezes ao dia a maquilhagem para disfarçar as nódoas negras»; «esforcei-me por passar uma imagem de desastrada junto dos colegas (…) aliei-me assim ao meu marido na dissimulação (…) tomava precauções para não o denunciar (…). Na minha casa, cada peça de mobília conta uma história de feridas e destroços.» Ela procurava sempre desculpá-lo com a infância devido a uma educação muito rígida, cansaço pelo trabalho, «a minha incompetência», tudo servia a Clara para lhe ir perdoando.
As primeiras costelas partidas valeram à mulher muitas flores e renovados pedidos de desculpa. Ele comprava-lhe peças caras para a compensar e ter sempre na mão. Joias, malas, sapatos, chapéus, vestidos, quanto aos «acessórios», lenços e echarpes, necessários para encobrir as equimoses que teimavam em se mostrar, era ela que os comprava. «O meu marido era o mais atencioso dos carcereiros». «Meu deus, como ele me faz parecer inferior» até a culpa era dela quando ele não conseguia ter sexo por falta de excitação.
A esperança renascia sempre com um novo pedido de desculpas, «isto passa como uma qualquer doença.» Mais tarde, porém, deixaram de aparecer os pedidos de desculpa e chegaram as ameaças de morte, até ao filho, talvez como forma de compensar a ausência das desculpas e tudo se manter na mesma, ou seja, a vítima não chegar a pensar em mexer-se para alterar aquele status quo, já sem a esperança de que tudo passasse como uma doença, mas por medo.
A estratégia do homem de querer isolar a mulher fez-se sentir muito cedo. O possessivo marido quer afastar a mulher do mundo. Quer ter uma vítima só para ele. Qualquer chamada telefónica que ela recebesse era problemática, se fosse de homem então… Sair com a irmã para se sentarem a beber um café, poderia ser motivo para grandes problemas. Quando o fazia, Clara sentia que estava a prevaricar. Era a autocensura a dar sinais. Ele quis que ela deixasse o emprego. Mais tarde despediu a mulher-a-dias porque esta era uma intrusa naquele microcosmos que ele queria dominar por completo. Até o filho quando nasceu passou a ser uma preocupação para Meireles. Também «Daniel passou a ser uma ameaça para o seu domínio». Sem mulher-a-dias, Clara passou a ter a seu cargo a lida da casa e os desentendimentos e violência passaram a ter como justificação pequenos aspectos ligados a essas tarefas. Nunca faltaram motivos ao homem para demonstrar que a força troglodita era dominante.
A insegurança dela: «O medo que ele me deixasse». Ela não podia admitir que falhara no casamento; o fracasso da escolha do homem ou a incapacidade para manter a união. Crescera com a mãe a desconsiderá-la e a responsabilizá-la pelo que de mal ia surgindo em casa. O esforço de imaginação que a mulher necessitava para tentar compreender o que se passava. «O meu marido era apenas ciumento, mas amava-me, talvez de maneira excessiva». Porém, «não podes nunca enfurecê-lo», dizia para si. O medo como estratégia implementada pelo agressor e o reflexo na vítima: «O medo era a minha lente de aumentar sobre o mundo». Mais tarde e gradualmente deu-se o fechamento ao mundo, já não por imposição do agressor, mas por reacção natural da vítima à opressão e violência que sofria.
Chega a altura em que apenas sobra um caminho: a morte – a dele ou a dela. Mas pensar em fazer não é o mesmo que decidir fazer e ainda menos fazê-lo. O desespero atinge tal ponto que, quando ele lhe encostou uma faca ao pescoço, a reacção dela foi a seguinte: «Quase que o voltei a amar porque a lâmina fria oferecia-me um espaço de repouso.»
E quando as vítimas de violência doméstica pensam que podem enganar toda a gente… Há uma enfermeira que prestou a Clara os cuidados de que necessitou face a novas agressões do marido. Perante as desculpas da doente, disse-lhe a técnica: «Há instituições que a podem ajudar.» Mário é um arquitecto que Clara conheceu na Gulbenkian. Curiosa, mas perfeitamente realista e coerente, é a forma como ela abre o livro do sofrimento a esse estranho, livro que nem à sua irmã abrira. «Porque não o deixa? Porque não faz queixa à polícia?» Concluiria ela mais tarde: «Aquele homem espreitara para o fundo da minha vida, vira as feridas e os destroços.» Não é possível enganar toda a gente.
E quando se perpectivam soluções drásticas, as únicas capazes de resolver o assunto, surge um volte-face na história, que se revela muito interessante pelos papeis que as personagens principais passam a ter e a forma como o sofrimento e o ódio acumulados ao longo de anos se vão então manifestar. Tudo descrito com mestria e sem subterfúgios. Também esta parte do texto ajuda a perceber quanto o medo dominou a vida daquela mulher, levando este leitor a concluir que a partir de determinada altura ela só continuou a aceitar o sofrimento por medo e já não pelo que os outros poderiam pensar ou dizer. Chegara o tempo em que os outros já não pesavam na cabeça da vítima, porém, o medo pesa sempre. Nesta fase, devido ao tal volte-face, não havendo já razões para continuar a ter medo, Clara tomou uma decisão de enorme coragem, porque, aí sim, dadas as novas circunstâncias, teria a sua família e amigos, toda a sociedade contra ela, mas isso era mesmo o que menos lhe importava. Queria ainda tentar ser feliz, com todo o direito a sê-lo. Virada a página, quando tudo parecia pertencer ao passado, foi obrigada a concluir que afinal não era assim: «Tenho ainda muitos pesadelos. Durmo mal e reduzo os meus contactos sociais ao mínimo, como se tivesse medo das pessoas.»
O livro termina com uma outra sequência de acontecimentos, mas sobre eles, quero apenas dar conta das sequelas, dos traumas que aquele longo pesadelo causara e que afinal continuava a causar. Mas era preciso insistir e continuar a viver, ainda assim: «… A corrente do amor deixara há muito de percorrer as minhas veias e o meu corpo não era receptivo ao toque (…). O pânico de voltar a ter um relacionamento igual ao do meu casamento contaminava todos os meus pensamentos.» Sequelas penosas e prolongadas.
Não posso terminar sem deixar uma palavra para os filhos, que a quase tudo assistem ou pressentem e por isso também são vítimas. Ana Cristina Silva não minimizou esta importante questão, ao introduzir na trama o filho do casal, de que já atrás falei, que como qualquer filho nestas circunstâncias, vive os dramas quase sempre em silêncio. Restam as reacções que o corpo e o espírito não sabem ocultar, de que não faltam exemplos no livro. Interessantíssima é a descrição da gradual evolução das manifestações da criança ao longo de todo o período, manifestações que perduram após terminar o ciclo de violência e que depois – também em função da idade destas vítimas, digo eu – o aparente apaziguar, o regresso paulatino à paz interior e ao crescimento saudável, como se tudo o que ficou para trás não tivesse passado de um sonho mau. Aparente porque o futuro está sempre ao virar da próxima esquina e nunca se sabe o que nos espera.   
Para concluir, direi que A Mulher Transparente é um livro de uma enorme seriedade a todos os níveis: literário e na abordagem à temática da violência doméstica. Está muito bem escrito, sem surpresa, diga-se. Como leitor gosto de ser colocado nos ambientes e nas personagens. Esta é a magia da literatura e neste livro ela não falta. Em termos de estrutura, apreciei o método da autora recusar seguir a cronologia de forma certinha. Por vezes a trama dá dois passos à frente, para recuar um e logo a seguir se adiantar mais três, e assim avança a história de forma agradável e aliciante. Ana Cristina Silva fez isto muito bem, correndo os riscos inerentes, mas de que se saiu magnificamente, conseguindo manter este leitor sempre à coca e interessado em continuar em busca do desenrolar do mistério que a próxima página guarda.  
CA


sábado, 11 de março de 2017

350 filmes para ver

Da página do Facebook de Lauro António, aqui vos deixo o link para 350 filmes. Há de tudo e como  escreveu LA, há o bom, o mau e o vilão. Divirtam-se.

É clicar
http://www.dailymotion.com/Alice-Bauer

10 filmes do neorealismo italiano

Da página do Facebook de Lauro António, aqui vos deixo o link para um artigo sobre os mais célebres filmes do neorealismo italiano.

É clicar
http://cineplot.com.br/index.php/2016/05/09/10-filmes-do-neorrealismo-italiano-que/

A Mulher Transparente em Alenquer


A convite da autora, Ana Cristina Silva, farei a apresentação do livro A Mulher Transparente, cujos direitos da 2ª edição, saída recentemente, revertem a favor da APAV. Trata-se de uma ficção que aborda de forma muito real, as envolvências de um clima extremo de violência doméstica. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

O Bairro em Novos Livros

O Bairro é seguramente o meu livro mais injustiçado. O grupo Leya estava em arrumação, deu-se a mudança de editores a meio do processo e um outro autor «mais vendável» ia publicar um livro no mesmo grupo com o mesmo título. Chegaram a propor-me trocar de título, imaginem, com o livro já nas livrarias. Recusei, claro. Tudo somado fez com que da edição de 3000 exemplares tivessem colocado no mercado pouco mais de 1000, que se venderam em grande parte, e nunca mais voltou a haver recolocação, ficando os restantes em armazém. Uns meses depois sairia então o tal livro e só então percebi a marosca. Não voltei a publicar na Oficina do Livro. Lamento a gestão de todo o processo à volta deste livro, até porque, modéstia à parte, é um bom romance, muito genuíno, muito sentido, porque muito próximo da realidade que retrata, a Cova da Moura e que bem conhecia na altura. Se o encontrarem, o que duvido, leiam, acho que vale bem a pena. Aqui deixo uma pequena entrevista que concedi a uma revista da especialidade aquando do lançamento, em 2012, que serve como aperitivo.    

Novos Livros - Revista de Leitores para Leitores: Carlos Ademar | O Bairro: 1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «O Bairro»? R- «O Bairro» é, de todos os meus livros, o que mais se aproxima do conce...

25º Curso de Escrita Criatriva do El Corte Inglés

José Couto Nogueira, o grande dinamizador do Curso, e Susana Santos, a grande dinamizadora das actividades culturais, e são muitas, que decorrem no El Corte Inglés.
Fica o calendário dos escritores convidados:
Terça-feira, dia 14 de Fevereiro, começa o XXV Curso de Escrita Criativa. Como é tradicional, os antigos alunos podem assistir às apresentações dos autores convidados. Neste momento ainda não tenho a lista completa, mas já posso confirmar os seguintes: 
23 de Fevereiro - Miguel Real, o romancista histórico que já nos agraciou com outras presenças no curso;
2 de Março - Afonso Cruz, cujo último romance, "Nem todas as baleias voam", considero extraordinário;


7 de Março - Carlos Ademar, cujos romances têm sempre uma pesquisa histórica muito cuidada e que recentemente publicou dois livros não ficcionais: a biografia de Vítor Alves e "Nos limites da dor", sobre as torturas nas prisões da PIDE;
9 de Março - Dulce Garcia, jornalista, que lança na quarta-feira o seu primeiro romance, "Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum";

E lá começou o curso deste ano! 
Possidónio Cachapa será o autor convidado dia 14 de Março. O último livro dele chama-se "Eu sou a árvore"
16 de Março - Ana Cristina Silva, autora de vários romances, sendo o último "A noite não é eterna"


Fonte: José Couto Nogueira no Facebook de Escritores Criativos do Futuro.

A minha presença foi ontem e correu muito bem, sala cheia de gente interessada, como é hábito, em ambiente muito bem disposto como convém, e lá abordei as minhas experiências com as letras e com os livros. 

domingo, 5 de março de 2017

Contra todas as formas de discriminação - Villa Lobos - Bachianas Brasileiras 5 - Aria


O título diz tudo e vem a propósito das declarações muito infelizes do presidente do Sporting (o meu clube) no discurso de vitória nas eleições de ontem, que vêm, de resto e infelizmente, ao encontro do espírito de discriminação e de confrontação em que o mundo vive. Mas quero dizer mais uma coisa. Este video é dedicado a todos os brasileiros, que estão a passar uma fase de grande instabilidade, havendo até quem tema uma réplica do golpe militar de 1964. Os mais antigos dizem-me que as condições com que hoje se deparam não não assim tão diferentes. Tudo de bom, e fiquem com a grande música do grande Vila-Lobos.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Promoção turistica para inglês ver - anos 50

Um video de promoção turistica de Portugal, produzido nos anos cinquenta do século XX. Interessante (sacado no Facebook de Filipe do Paulo).

é clicar
https://www.facebook.com/filipe.dopaulo?fref=ts

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

TIMOR - TROVANTE



Eu estive lá. Foi em 1999, no Pavilhão Atlântico, que já se chamou Utopia e agora se chama outra coisa qualquer. Mas isso não interessa nada. Interessa, mas pouco, que eu acompanhei com muito interesse toda a carreira dos Trovante e este foi o primeiro espectáculo que deram após o fim oficial do grupo, no final dos anos 80. Foi um concerto que aconteceu muito por vontade do então presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Interessa também que o pavilhão estava cheio como eu nunca o vi, e estive lá muitas vezes. Interessa que nesse ano de 1999, Timor estava na corda bamba, com o referendo sobre a independência marcado, e a ferro e fogo por acção dos grupos pró Indonésia, que tudo faziam para que a antiga província portuguesa continuasse a ser parte integrante daquele imenso país, então dirigido por uma feroz ditadura. Interessa que comecei ontem a dar formação a um novo curso de jovens timorenses, na faixa etária dos 25 aos 35 anos. Para terminar, interessa também que no fim da aula de hoje, antes de sairmos, procurei este vídeo e depois de uma breve introdução à forma como os portugueses viveram o drama do povo timorense, passei-o. Foi bonito vê-los a cantar ou trautear uma canção que muitos conheciam, ainda que desconhecessem a solidariedade de então dos portugueses e ficaram felizes por saberem que existiu. Agradeceram o momento e comoveram-se até às lágrimas. Eu, depois de tanta emoção à volta desta canção durante tanto tempo, não sabia que passados todos estes anos, ainda me poderia emocionar ao ver a forma como foi entoada naquela noite pelos cerca de 20 mil portugueses, que eram uma boa representação dos sentimentos de solidariedade dos 10 milhões de portugueses. Eu estava lá. Estes 5 minutos foram mágicos. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Salvador Sobral - Amar Pelos Dois - Esqueçam lá o estigma do Festival da Canção



Esqueçam lá o estigma do Festival da Canção. Não sei quem é o autor ou compositor, não conheço o cantor, mas sem preconceitos, aqui está uma magnífica canção, magnificamente interpretada. Tenho muito orgulho em que haja gente a fazer música e a cantar assim no meu país, e por isso partilho com muito, muito gosto, com votos de muitas felicidades aos responsáveis por estes belos três minutos, e que não cedam, nunca. Continuem assim, porque assim fazem a diferença pela positiva. Serão sempre pobres... deixem, que lixe, mas têm este meu post, a minha admiração e a de muitos toscos como eu, como nós. Um grande bem-haja. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Ainda os SMS`s de Centeno

Soube agora, o António Domingues está disponível para apresentar os SMS`s à nova comissão parlamentar, se esta lhos exigir. Que giros são estes gajos. Todos ficamos a saber agora porque nasceu esta nova comissão parlamentar (ainda a 1ª não está encerrada - nunca visto). O Domingues falou com o seu amigo Lobo Xavier que, mais uma vez, soprou aos seus amigos esta magnífica manifestação de vontade. Já agora, que a maioria de esquerda se continue a fazer sentir e mande estes meninos às ortigas. Aprendam a respeitar os reais interesses do país, esquecendo-se dos seus e dos seus apaniguados. Todo este processo, que envolve a CGD, é uma VERGONHA para todos nós e devia envergonhar também toda a classe política, levando-a a reflectir nas razões que têm levado a que os fascismos estejam a florescer.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Última Hora: novo SMS de Centeno a Domingues

ULTIMA HORA: Centeno acabou de enviar um SMS a Domingues a comunicar-lhe que o défice de 2016 ficou nos 2,1%, além de que é o mais baixo das últimas décadas. Aproveitou para o informar que o desemprego continua em queda e que o crescimento económico ficou acima da média europeia. Mas acho que é segredo, cuidado, não digam nada ao Lobo Xavier, não se pode confiar no gajo.

(Recado aos OCS que só falam de SMS e não das notícias que os portugueses gostariam e precisam de conhecer)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Museu do Aljube com No Limite da Dor

 Obrigado ao Carlos Neves pela foto (que surripiei sem pudor à Irene Pimentel), aos meus colegas de mesa, Ana Aranha, Irene Pimentel e Marcelo Teixeira, ao Museu do Aljube pela recepção e à assistência, porque sem ela, isto não tinha qualquer piada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No Limite da Dor no Aljube


Se há um lugar para apresentar este livro, é este. Se puderem, não deixem de aparecer. O Aljube é um local que merece uma, duas, muitas visitas. Aquelas paredes são brancas da tinta fresca, mas negras da dor e morte de que foram testemunhas ao longo de décadas.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Primeiro discurso de Adolf Hitler 1933


Pois, só não encontramos paralelismos assustadores com Trump se metermos a cabeça na areia. A classe política tradicional como responsável pelo caos e a necessidade de fazer renascer a Alemanha ou fazer a América grande outra vez, estão lá. Passaram oitenta e tal anos, muita coisa se alterou, naturalmente, mas a base do guião é a mesma. E o pior não é o que se vai passar nos EUA, onde há alguns mecanismos de controle, o pior é o exemplo para o mundo, para países onde esses mecanismos não existem. Assunto muito sério. Poucas vezes desejei tanto estar enganado.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O primeiro dia do resto das nossas vidas

Hoje, 20 de Janeiro de 2017, quase 21, será sempre, sem surpresa, o primeiro dia do resto das nossas vidas. O que se deseja, muito, é que este dia não venha a ficar célebre por ser o primeiro dia da «nova era» como alguém que hoje tomou posse como presidente de uma República importante deste mundo, alcunhou os tempos ameaçadores (para mim) que aí vêm. Que esta sexta-feira seja apenas mais uma sexta-feira, que o presidente que hoje tomou posse, seja apenas mais um presidente que tomou posse; que o presidente que hoje tomou posse não fique na história pelas piores razões, como imagino que tem condições naturais e poder para ficar. Todos pensámos que o seu discurso habitual era apenas para ganhar eleições e que se ganhasse, tudo mudaria, tudo entraria nos eixos da normalidade legal. Acontece que as eleições aconteceram em Novembro, o teor dos discursos manteve-se, só hoje tomou posse e o discurso que proferiu foi similar ao que fazia em campanha, se não mais populista ainda, o que é estranho e preocupante. Tudo soa a estranho naquele homem. Homem sinistro, aquele. Faz lembrar assustadoramente outros homens de outras eras, que ficaram na história pelas piores razões. Não gostei nada, mesmo nada, do discurso que proferiu na tomada de posse. Pela primeira vez estou verdadeiramente preocupado com um presidente dos EUA no próprio dia em que tomou posse do cargo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Verdade sobre a Descolonização em 8 mil caracteres

A propósito da morte de Mário Soares e das barbaridades que foram escritas por aí, particularmente sobre as suas alegadas responsabilidades na descolonização, aqui está um artigo despretensioso, apesar do título, que procura chamar os bois pelos nomes. Desculpem a ruralidade, sem ofensa aos rurais, que eu também sou do campo, do Campo Grande. Mas isso agora não interessa nada...

Bom, trata-se do meu mais recente artigo para o jornal online Tornado e para o Lusitano de Zurique.


É só clicar, desfrutar, aprender ou recordar se for o caso.
A Verdade sobre a Descolonização

Bruce Springsteen - You Never Can Tell



Assim compensa o aperto e a multidão inerentes a um concerto desta magnítude.
Coisa magnífica.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Mais organização e menos horas de trabalho, sff


Ok, os dados são de 2015, bem sei, ou seja, num ano em que os trabalhadores portugueses tinham menos quatro feriados (cinco, se contarmos e devemos contar, com o Carnaval) e os funcionários públicos tinham que trabalhar mais uma hora por dia, mas descontando tudo isso que a oleada Geringonça fez terminar, estamos mesmo assim ao nível da média dos países da OCDE. Reparem agora onde se encontram os países mais desenvolvidos da Europa... Pois é, são aqueles onde menos horas se trabalho se fazem, com a exigente Alemanha num verdadeiramente honroso último lugar.

Meus senhores, o que faz falta é essencialmente organização no trabalho e não mais horas de trabalho. Não vão pelo que os países ricos dizem, vão pelo que eles fazem. Veja-se o caso da Auto Europa, é apenas a fábrica mais rentável da Volkswagen, que tem fábricas em todo o mundo. Falamos da fábrica de Palmela, que é em Portugal, com trabalhadores portugueses e mesmo assim é a mais rentável do grupo, sendo operada com gente preguiçosa, como é isso possível? Pois, a diferença reside na organização. 


Palavra de ordem: organizem-se, pá e parem de lixar o Zé.  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Pois que viva Espinosa!

Do Facebook do professor José Adelino Maltez, surripiei alguns pensamentos do grande e quase português Espinosa. 

"Facilmente veremos em que se diferencia o homem que se conduz apenas pelo afeto, ou pela opinião, do homem que se conduz pela razão. Com efeito, o primeiro, queira ou não, faz coisas que ignora inteiramente, enquanto o segundo não obedece a ninguém mais que a si próprio e só faz aquelas coisas que sabe serem importantes na vida e que, por isso, deseja ao máximo. Chamo, pois, ao primeiro, servo, e ao segundo, homem livre. " (Espinosa, Ética IV, prop 66, esc)

"A virtude com a qual o homem livre evita os perigos revela-se tão grande quanto a virtude com a qual ele os enfrenta” (Espinosa, Ética IV, prop 69)

"O homem livre jamais age com dolo, mas sempre de boa fé” (Espinosa, Ética IV, prop 72)

"Só os homens livres são muito gratos uns para com os outros” (Espinosa, Ética IV, prop 71)

Era só isto. Obrigado!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Antigamente é que era bom

A propósito da morte de Mário Soares e das enormidades que se têm lido por aí, aqui deixo uma fotografia de duas crianças, captada em 1972 às portas de Lisboa, na Damaia.

Portugal também era isto na capital do país, pouco tempo antes do 25 de Abril. A memória curta ou a ignorância leva-nos a dizer disparates. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Mário Soares (1924-2017)

Até compreendo que os militantes e simpatizantes comunistas não gostassem de Mário Soares. Juntamente com os principais militares de Abril (é preciso dizê-lo), ele dificultou a vida ao PC, quando este partido parecia dominar o país. Compreendo que os fascistas ou saudosistas da ditadura caída a 25 de abril de 1974, não gostem de Mário Soares (mas não mintam, o seu a seu dono). Na verdade, ele lutou abertamente e com muitos custos pessoais, contra a ditadura. Agora quem ama a liberdade, quem abomina a ditadura, tenha ela o nome que tiver, mesmo que a figura não fosse muito simpática, jamais o pode esquecer. Por isso este dia ficará para a história - morreu uma das figuras essenciais dos últimos 50 anos da sociedade portuguesa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Autores que caem em domínio público em 2017

Saiba quais autores caem em domínio público em 2017: García Lorca, H. G. Wells, Gertrude Stein e G. K. Chesterton são alguns dos escritores que têm direitos de reprodução liberados a partir deste ano

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Prendas de Natal

Uma das minhas prendas de Natal: quatro azulejos para fixar à entrada da porta de casa. Um par de meias era muito pior, confessem.