segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Morreu Marques Júnior


Para terminar um ano mau, uma má notícia: morreu Marques Júnior.
Ainda tenente, aderiu ao MFA e desde então, esteve sempre na linha da frente da conspiração, da revolução e da democratização do país. Pertenceu ao Conselho da Revolução desde o seu início, em Março de 1975, até à sua extinção, com a revisão constitucional de 1982. Fez carreira política como deputado à Assembleia da República, primeiro pelo PRD, mais tarde pelo PS. Sofreu um grave AVC no dia 29 e faleceu hoje.
Não deixa de ser paradoxal que, no fim de um ano que fica para a história como sendo aquele em que o poder político fez desaparecer mais regalias das conquistadas na sequência de Abril, morra aquele a quem alguém alcunhou como o «espírito do 25 de abril.» Ficam a sua obra e sua memória.   

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Gaspar - a coerência acima de tudo

«O GRANDE GASPAR (Lembram-se?) !

Ano de 1993: com a economia portuguesa a ruir, um alucinado Braga de Macedo, então ministro das Finanças, foi à Assembleia da República gritar a plenos pulmões que o país era um “oásis”. Este "sketch" parlamentar resistiu à passagem do tempo. Quem não resistiu foi Braga de Macedo: após um breve compasso de espera, Cavaco calçou-lhe uns patins.

Quem era o homem que, em 1992, fez as previsões para Braga de Macedo ? Um tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que chefiava o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças. Onde falhou ele nas previsões ? Falhou em tudo — na evolução da economia e na arrecadação das receitas fiscais. Veja-se:
• Gaspar previu um crescimento do PIB de 2% em 1993, mas a economia acabou por recuar 0,7%, ou seja, o pretenso “oásis” que Braga de Macedo anunciava acabou numa recessão;
• O Orçamento do Estado para 1993 previa um encaixe à volta de 3.340 milhões de contos (16.660 milhões de euros) com as receitas correntes, mas houve necessidade de fazer um orçamento rectificativo que já estimava menos 364,7 milhões de contos (1,8 milhões de euros), porque a receita fiscal teve um desempenho bem pior do que “se” estava à espera.

Vinte anos depois, o tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que levou Braga de Macedo a estatelar-se contra a parede em 1993, não vos lembra ninguém ?

Como se vê a incompetência já vem de longe... Mas por outro lado, com um Primeiro deste calibre só mesmo incapazes aceitariam fazer parte do governo.»


(retirado da página de Facebook de Umberto Pacheco, com de devida vénia)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A «nêspera» do Mário Henrique Leiria e as «velhas» desta vida


RIFÃO QUOTIDIANO
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
 Mário Henrique Leiria

domingo, 23 de dezembro de 2012

Postal de Natal

Um postal de Natal para todos os amigos com votos de felicidades e 
uma noite plena de paz e harmonia junto dos que mais amam. 


sábado, 22 de dezembro de 2012

O Chalet das Cotovias - um crime com 76 anos

O recorte é do jornal República do dia 18 de Março de 1936. A investigação criminal começara no final do ano de 1935 com o desaparecimento de um homem que suspeitava que a irmã frequentava um clube feminino de Sintra onde, a par de eventos culturais, servia para encontros lésbicos. Era o Chalet das Cotovias e frequentavam-no altas figuras da sociedade portuguesa de então - uma filha do Presidente Carmona, a escritora Fernanda de Castro, a directora do Museu Bordalo Pinheiro, entre outras. O lisboeta terá desaparecido quando foi a Sintra em busca da irmã. O seu cadáver, em avançado estado de decomposição, foi encontrado a 23 de Fevereiro num matagal contíguo à estrada de Sintra.
Se até aí a investigação pretendia localizar o desaparecido, desde então visou esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o crime.
Ou é impressão minha ou a história reúne todos os condimentos para dar um bom romance.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cinema Paradiso - Yo-Yo Ma e Chris Botti



Talvez este blogue bata o recorde mundial de posts sobre o filme 
Cinema Paraíso, mas o autor (do blogue) desvaloriza. 
Aqui está mais um e bem merece o destaque. 
Belíssima peça. 


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poema para José Dias Coelho

Poema para José Dias Coelho

Assassinado pela PIDE em 19 de Dezembro de 1961

A José Dias Coelho

Seja minha a tua força, irmão
seja meu o teu braço, camarada
Sejam estes muros não um paredão
sejam uma ponte ou mesmo uma estrada.

Seja nela meu o teu anseio, irmão
seja minha a luta que na tua terra travas
seja ela o fruto das coisas que amavas.

Sejam essas coisas, as mesmas, irmão
sejam as que amo aqui nesta cela
seja para sempre a minha na tua mão
seja para todos uma vida bela
seja nela o trigo com a sua cor dourada
sejam as papoilas vermelhas de querer
seja sempre o dia que sucede à madrugada
seja outro o sentido da palavra morrer.

Sejam os mortos aqui ao nosso lado
sejam os seus também os nossos passos
seja em luta o ódio acumulado
sejam retesados nossos membros lassos.

Sejam as colinas de vontade erguidas
seja a sua força a que do amado vem
sejam nossas as tuas palavras queridas
seja minha a tua vontade também.

E não há muros, bombas ou insultos
que detenham as árvores ao nascer da terra
nem façam brotar flores de pensamentos estultos
nem parar o sol. E não será a guerra
com que os lobos sonham em noites de orgia
que impedirão que nasçam.

Das auroras por nascer
das estruturas por erguer
dos caminhos por andar
das flores por brotar
estendem-se as mãos do futuro
que envolvem teu corpo de bandeira.

(Alda Nogueira, Prisão de Caxias, 1963)
(poema inédito retirado do blog http://www.ascausasdajulia.blogspot.com, cedido à Júlia Coutinho por Alexandre Castanheira)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mataram o Câmara Clara





Vivemos num tempo que se não é único, não anda longe. Já não vou para novo, além de que tenho a obrigação de conhecer um pouco de História, e a verdade é que não me lembro de nenhuma época assim. Havia, sempre houve, coisas más, mas não faltavam algumas menos más, ou mesmo boas, talvez para compensar. Hoje levam-nos tudo o que não é mau ou medíocre e injectam-nos com tudo o que o é. Tempo estranho este para ser vivido...  Apetece recuperar José Gomes Ferreira e dizer: «viver sempre também cansa» Viver sempre, ASSIM, cansa mais. Poder morrer para descansar um pouco e deixar passar este tempo e depois poder renascer num tempo novo é a idealização do momento.    

sábado, 15 de dezembro de 2012

Revolver em cima da Bíblia


Quantos terão de morrer, quantas vigílias terão de fazer... para que tirem a porra do revolver de cima da Bíblia.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12.12.12 ou o post idiota


Hoje é 12.12.12 e o Sol nasceu e pôs-se à hora prevista; gente nasceu e morreu; acordei, trabalhei, almoçei, jantei e daqui a uma hora ou duas vou deitar-me. Parece que hoje estamos pior que ontem e amanhã estaremos pior que hoje, mas isso tem apenas a ver com esta crise que nos desanima e esta malta que nos desgoverna.
Tenho a certeza absoluta de que para quem resistir até lá, de hoje a um ano será 12.12.13 e daqui a dois anos 12.12.14... 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mês de Dezembro - Instituto Superior Egas Moniz

Na próxima 3ª Feira, dia 11, à noite, estarei no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, a fim de conversar com os alunos do Curso de Ciências Forenses sobre os livros, as leituras e o que de mais há-de surgir, surge sempre.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Apresentação do Nº4 da revista «Investigação Criminal»


Aqui deixo o convite para a apresentação do nº4 da revista «Investigação Criminal», dedicado à história da investigação criminal e das técnicas e ciências que a apoiam.
Será na Universidade do Minho, no próximo dia 12.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O moralista do regime


A PJ passou busca ao escritório do moralista do regime. E daí não vem mal ao mundo, qualquer cidadão é inocente até prova em contrário. No entanto, o moralista diz que apesar da minucia dos inspectores, nada foi detectado digno de apreensão.
Foi-lhe perguntado se estava tranquilo e o moralista respondeu que sim, que até dormiu melhor que nas noites anteriores.
E a resposta fez-me especular:
- Porque será que o moralista do regime dormiu melhor esta noite que as anteriores? 
- Será que dorme sempre melhor depois de ser alvo de uma busca policial?  
- Ou será que dormiu melhor porque a PJ não encontrou nada que o comprometesse? 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer - muito além da obra


A propósito da morte de Niemeyer e da frase de Chico Buarque, que o definiu como um «Um homem maior que a sua arte», recordei-me de uma grande entrevista dada pelo arquitecto, penso que ao Público, já ele ia nos noventa e muitos. O jornalista perguntou-lhe como é que se via face à grandeza da sua obra, reconhecida em todo o mundo. Com uma simplicidade desarmante, Niemeyer respondeu por palavras que não recordo textualmente, mas cujo sentido jamais esquecerei: grande homem foi Allende, que morreu de arma na mão a defender o seu povo e os seus ideais, «eu só faço uns riscos». Morreu um grande homem. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Convencionais sempre, químicas nunca

Se pensarem matar alguém, pela vossa saúde, não usem armas químicas.
Convencionais tudo bem, matem à vontade, químicas nem pensar.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Judith Teixeira, a ignorada

Na conceituada «História da Literatura Portuguesa», de A.J. Saraiva e Óscar Lopes, a bíblia, nem uma palavra sobre essa poetisa do Modernismo português; no «Dicionário de Literatura Portuguesa» de Álvaro Manuel Machado, obra de 1996, mais recente que a primeira, meia dúzia de linhas dão conta de que existiu, andou por aí, fez umas coisas.  

A Minha Amante
Dizem que eu tenho amores contigo!
Deixa-os dizer!…
Eles sabem lá o que há de sublime
Nos meus sonhos de prazer…
De madrugada, logo ao despertar,
Há quem me tenha ouvido gritar
Pelo teu nome…
Dizem —e eu não protesto—
Que seja qual for
o meu aspecto
tu estás
na minha fisionomia
e no meu gesto!
Dizem que eu me embriago toda em cores
Para te esquecer…
E que de noite pelos corredores
Quando vou passando para te ir buscar,
Levo risos de louca, no olhar!
Não entendem dos meus amores contigo—
Não entendem deste luar de beijos…
—Há quem lhe chame a tara perversa,
Dum ser destrambelhado e sensual!
Chamam-te o génio do mal—
O meu castigo…
E eu em sombras alheio-me dispersa…
E ninguém sabe que é de ti que eu vivo…
Que és tu que doiras ainda,
O meu castelo em ruína…
Que fazes da hora má, a hora linda
Dos meus sonhos voluptuosos—
Não faltes aos meus apelos dolorosos
—Adormenta esta dor que me domina!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A filosofia em «O Bom, o Mau e o Vilão»


Voltei ao velho O Bom, o Mau e o Vilão e encontrei coisas novas:

- «Eu e aquele (o comandante dos Confederados) só temos uma coisa em comum: tresandamos a álcool.»
- «O comandante que tiver mais álcool para dar aos soldados ganha a guerra.»
                                  O capitão dos «azuis» para Tuco e Lourinho antes da batalha


- «No mundo as pessoas dividem-se em dois grupos, os que têm munições na arma e os que cavam. Tu és dos que cava»
                                  Lourinho para Tuco

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estou em greve

Porque nunca houve uma greve como esta, com ligação a outros países da Europa que passam por problemas semelhantes aos de Portugal; porque nunca me senti tão espoliado pelos meus governantes; porque vivemos um período de retrocesso civilizacional; porque não vejo que as coisas possam melhorar com as mesmas receitas, ESTOU EM GREVE.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

É preciso que os portugueses saibam...

cid:673517A75F7942E09A1B3B7AB94E3804@RosaDuartePC
  É preciso que se saiba:
...Os portugueses comuns (os que têm a sorte de ter trabalho) ganham cerca 
de metade (55%) do que se ganha na zona euro.
 cid:66735CDF71504256BAB45B784DEC21D2@RosaDuartePC
...Mas os nossos gestores recebem, em média:
       Mais 32% do que os americanos;
      Mais 22,5% do que os franceses;
       Mais 55 % do que os finlandeses;
   Mais 56,5% do que os suecos;
(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)

 

Noticias ao Minuto - Fisco penhora mais de 2.800 contribuintes por dia

Noticias ao Minuto - Fisco penhora mais de 2.800 contribuintes por dia

domingo, 21 de outubro de 2012

Unamuno, Laranjeira e os portugueses (suicidas)



            Extractos de uma carta de Manuel Laranjeira a Miguel Unamuno

Carta a Unamuno
     Amigo:
     Não imagina o prazer que senti ao saber que V., espírito superior, andava a compor um livro sobre as coisas da minha terra, desta minha tão desgraçada terra de Portugal.
     Desgraçada – é a palavra.
      O pessimismo suicida de Antero de Quental, de Soares dos Reis, de Camilo, mesmo do próprio Alexandre Herculano (que se suicidou pelo isolamento como os monges) não são flores negras e artificiais de decadentismo literário. Essas estranhas figuras de trágica desesperação irrompem espontaneamente, como árvores envenenadas, do seio da Tera Portuguesa. São nossas: são portuguesas: pagaram por todos: expiaram a desgraça de todos nós. Dir-se-ia que foi toda uma raça que se suicidou.
     Em Portugal chega-se a este princípio de filosofia desesperada – o suicídio é um recurso nobre, é uma espécie de redenção moral. Neste malfadado país, tudo o que é nobre suicida-se; tudo o que é canalha triunfa.
     Chegámos a isto, amigos. Eis a nossa desgraça. Desgraça de todos nós, porque todos a sentimos pesar sobre nós, sobre o nosso espírito, sobre a nossa alma desolada e triste, como uma atmosfera de pesadelo, depressiva e má. O nosso mal é uma espécie de cansaço moral, de tédio moral, o cansaço e o tédio de todos os que se fartaram – de crer.
     Crer…! Em Portugal a única crença ainda digna de respeito é a crença – na morte libertadora.
     É horrível, mas é assim.
     A Europa despreza-nos; a Europa civilizada ignora-nos; a Europa medíocre, burguesa, prática e egoísta, detesta-nos, como se detesta gente sem vergonha, sobretudo… sem dinheiro.
     Eu, por mim, não sei, não sei: em boa verdade, amigo, não sei para onde vamos. Sei que vamos mal.
    Quando penso que sobre nós pesa a herança trágica, secular, de uma ignorância podre e de uma corrupção criminosa, o meu espírito enegrece e sinto-me adentrado de um pavor indizível, talvez absurdo. E, mais que saber se vamos para a vida ou para a morte, me preocupa saber se morreremos nobre ou miseravelmente.
      Bem vê, amigo, a vida, quer se trate da vida de um homem, quer se trate da vida de um povo, é uma coisa bem pequena, bem desprezível. O importante é que se faça uso dessa vida. E em Portugal (veja a profundidade do nosso mal) há almas quê são sucumbidas que dizem que – tanto faz morrer de um modo como de outro. Esta insensibilidade é pior que a morte, não é verdade?
     Às vezes, em horas de desânimo, chego a crer que esta tristeza negra nos sobe da alma aos olhos; e, então, tenho a impressão intolerável e louca de que em Portugal todos trazemos os olhos vestidos de luto por nós mesmos.
     É claro, eu sou português e portanto filho de um povo que atravessa uma hora indecisa, crepuscular do seu destino.
     Isto quer singelamente significar que quanto eu digo das coisas e desditas de Portugal, o digo como português. Repito: Portugal atravessa uma hora indecisa, gris, crepuscular, do seu destino.
    Será o crepúsculo que antecede o dia e a vida, ou o crepúsculo que antecede a noite e a morte?
     Não sei, não sei, não sei…
     Há meses ainda, quando Portugal atravessava os dias terríveis da ditadura de Franco, eu cria que íamos ressurgir. Hoje, porém, há uma tranquilidade podre que me assusta deveras. Não falta mesmo por aí quem diga que isto já não é um povo, mas sim – o cadáver de um povo.
     Não, sei, não sei…
   
Espinho, 28 de Outubro de 1908

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um raio de sol invisível

53-GG-62 era a matrícula do autocarro Mercedes Benz da empresa Boa Viagem, que seguia à minha frente. A estrada estava molhada. A chuva deixara de cair minutos antes, mas ameaçava não se fazer demorar porque o céu mostrava a cor mais pura do chumbo. Um pouco adiante, uma quarentona gorducha corria o mais que podia no passeio à minha esquerda, com a sacola do almoço a baloiçar. Ia desesperada porque a paragem estava longe e aquele era o «seu» autocarro. Sem a esperança de conseguir chegar a tempo, levantou o braço livre para que o motorista a visse e, de súbito, o pisca da direita à minha frente começou a funcionar, a viatura reduziu a velocidade e algumas dezenas de metros depois imobilizou-se. Um raio de sol invisível tocou a senhora porque tudo parou para vê-la atravessar a estrada e, quando o fez, sorriu, agradecida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Noticias ao Minuto - Oficial: Conheça as medidas do Orçamento para 2013

Noticias ao Minuto - Oficial: Conheça as medidas do Orçamento para 2013


Não cederam na taxa suplementar de 4% nem nos escalões do IRS, para poderem dar uma de tipos sensíveis às questões sociais, dispostos a refazer todas as contas para, por fim, face aos argumentos da oposição parlamentar, num grande esforço nacional, baixarem uma migalha - e todos ficamos muito felizes.  

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nobel da Paz de 2012 e a União Europeia


Com a relatividade que a expressão necessariamente arrasta, digo que talvez nunca um Nobel da Paz tenha sido tão bem entregue. A CEE, actual União Europeia, representa um enorme avanço civilizacional. Unir pacificamente povos que ao longo de séculos, os poucos contactos que tiveram ocorreram no campo de batalha, ao som do rufar dos tambores e do troar dos canhões, é um acontecimento sem comparação na História do Homem. Talvez a sua criação só tenha sido possível após uma catástrofe brutal para o mundo e principalmente para a Europa, a II Guerra Mundial. Infelizmente, foi necessário que o grau de destruição atingisse níveis inauditos para que algo de novo e positivo nascesse. Mas nasceu, alimentando a esperança de que daí em diante seria impossível a repetição do holocausto. Nasceu também a esperança da melhoria da qualidade de vida do povo europeu, que se foi concretizando. Mais tarde deu-se a abertura de fronteiras, a moeda única (a unificação alemã) e, finalmente, a crise. 
Comecei por escrever que foi um Nobel bem entregue. Fi-lo porque estou convicto que o Comité Nobel não pretendeu homenagear os actuais dirigentes da União Europeia, antes pelo contrário, pretendeu dar-lhes uma bofetada com luva branca, fazendo-lhes crer que há muito deviam tentar recuperar os trilhos  de boa vontade desbravados pelos criadores deste projecto único no mundo. Não o fazendo, ficarão para a História como os coveiros daquilo que Lula da Silva classificou como verdadeiro património mundial.    

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Contra a pena de morte, marchar, marchar

Segundo a Amnistia Internacional, 90% das sentenças de morte no mundo chegam-nos de 5 países, a saber: China, Irão, Iraque, Arábia Saudita e... Estados Unidos da América. Não necessariamente por esta ordem em termos numéricos.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro


tempo para uma discussão "educada" terminou. O que está em causa no "Sul" da Europa é a diferença entre um futuro de prosperidade ou depressão. Palavras duras de Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência Moody's.
"Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate".
Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Contra o retrocesso civilizacional, marchar, marchar


 Afinal o Povo esteve representado no Pátio. Duas mulheres envolverem-se no seio da nobreza do regime e não foram bem-vindas - a mim, arrepiou-me vê-las e ouvi-las. Neste 5 de Outubro, que fica para a História como o último em que é feriado (espero que rapidamente de reverta esta vergonha) as heroínas, não da Rotunda mas do Terreiro do Povo, foram elas. Até porque, acidentalmente, as suas posturas foram complementares: uma era o desespero em pessoa, simbolizando o estado de espírito em que se encontra grande parte do povo português, a outra cantou Lopes Graça, um hino à resistência, contra o retrocesso civilizacional brutal que nos estão a querer impor, e por ser de resistência é um hino de esperança.  


sábado, 29 de setembro de 2012

Os políticos e os cartões amarelos

A classe política de uma forma geral e o Governo em particular deve pôr os olhos nas manifestações que têm ocorrido em Portugal e compará-las com as de Espanha e Grécia. Se o fizerem atentamente, devem concluir:

- 1º - o povo português aponta o dedo ao estado doentio da Democracia;
- 2º - o povo português aponta o dedo aos excessos cometidos pelos políticos dos partidos do arco do poder, em prol desses mesmos políticos e desses mesmos partidos;
- 3º - o povo português aponta o dedo às promessas eleitorais não cumpridas, mas também às promessas eleitorais descabidas, feitas por mero eleitoralismo;
- 4º - o povo português aponta o dedo à falta de seriedade da classe política e está cansado de pagar pelos erros que não lhe podem ser imputados, mas a quem o tem governado;
- 5º - a prova de que o povo português está unido no que respeita aos 4 pontos anteriores, é a força das manifestações;

Não obstante as centenas de milhares de pessoas envolvidas nas manifestações, deve salientar-se o elevado nível cívico do povo português, provando que, ao manifestar-se, apenas quer dar conta do seu mal-estar. Já deu provas que não deseja dar argumentos às polícias para que estas ajam como as espanholas e as gregas têm feito. Mas cuidado políticos de Portugal, o povo é sereno, mas não é tolo. Atentem em tudo o que desde o dia 15 deste mês se tem passado e ajam em consonância. Não arrisquem, não ponham à prova a capacidade de sofrimento do povo, que está no limite. Ouçam-no.      

     

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

«Acordai» - já são horas


«Acordai» está na moda - há modas boas. Por boas razões voltou a falar-se de Fernando Lopes Graça e de José Gomes Ferreira. O «Acordai» está um pouco por todo o país. Esperemos que os objectivos dos autores da canção, que nasceu em 1946, se cumpram e que os portugueses despertem da letargia colectiva em que estiveram nas últimas décadas. O 15 e o 21 de Setembro são datas que provam que a mensagem está a passar. Já deram alguns resultados positivos, mas muitos outros precisamos de alcançar, Portugal precisa e merece. Vamos ver como corre amanhã a 3ª grande manifestação do mês. - Portugueses, ACORDAI!  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os gauleses devem estar loucos...


Lei deverá ficar concluída no final do Verão e junta-se à diminuição da idade da reforma para dar cumprimento a algumas promessas eleitorais

França vai encarecer despedimentos para combater o desemprego de 10%

François Hollande
François Hollande
D.R.
07/06/2012 | 15:41 | Dinheiro Vivo
O novo governo socialista francês está a planear uma nova lei de trabalho que aumente o custo dos despedimentos. A medida estará pronta dentro de meses, segundo anunciou hoje o ministro do Trabalho, após a notícia do aumento da taxa de desemprego para 10%.
A França tinha anunciado recentemente a redução da idade da reforma para os 60 anos no caso de trabalhadores com carreiras contributivas mais longas, dando assim cumprimento à promessa eleitoral e desafiando os problemas económicos e a advertência da União Europeia sobre a sobrecarga da Segurança Social.
O presidente François Hollande assumiu o cargo no mês passado com a promessa de combater o desemprego, que atingiu agora o nível mais elevado dos últimos 13 anos.
Num contexto de conomia estagnada, o ministro do Trabalho, Michel Sapin, disse serem necessárias medidas urgentes contra o desemprego e que iria implementar uma nova lei após as férias de Verão.
"A ideia principal é encarecer de tal ordem os despedimentos que não compense às empresas [fazê-lo]", disse Sapin em entrevista à rádio France Info. "Não se trata de sanções, mas de dar compensações adequadas aos trabalhadores", complementou.A iniciativa de encarecer os despedimentos em França, onde já estão altamente regulamentados e, muitas vezes, são muito dispendiosos para os empregadores, contrasta com as medidas em curso noutros países da Zona Euro, como Itália e Espanha, onde o despedimento se tornou mais barato.
Sapin, um ex-ministro e amigo de longa data de Hollande, disse que o Governo não pode ficar de braços cruzados enquanto as empresas otimizam os seus modelos de funcionamento para melhorar a sua rentabilidade e aumentar os dividendos pagos aos acionistas.

domingo, 23 de setembro de 2012

Wish You Were Here - Hoje sinto-me piegas e não cigarra


Este modesto espaço, que no início de Outubro cumprirá três anos, serve também para verter um pouco da nostalgia que vamos sentindo - porque não? Conheci os Pink Floyd, posso dizê-lo, com este tema e com este disco. Foi, talvez o grupo não português que acompanhei mais de perto. Eles já vinham de trás, mas a partir daí crescemos juntos. Pude vê-los em Alvalade, penso que em 1994, e foi um acontecimento que ainda hoje recordo bem, tal a marca que deixou. Tenho, claro, todos os seus discos e a eles regresso amiúde. Por vezes, ao ouvi-los, um ou outro amigo dos tempos da descoberta emerge a propósito sei lá de quê... Alguns já não pertencem ao número dos vivos, outros perderam-se nas duras encruzilhadas da vida, outros ainda, seguiram caminhos tais, que calhou não os voltar a ver. A todos, dedico este tema. É justo. 
Hoje sinto-me piegas e não cigarra.      

sábado, 22 de setembro de 2012

O Conselho de Estado a montanha e os ratos

O comunicado que foi lido por um senhor bem posto, já passava da uma, é a prova provada de que a montanha não tem o exclusivo, o Conselho de Estado também pare ratos - só que demora muito tempo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Medina Carreira - estará louco?

A isto eu chamo visão escorreita da vida democrática e respeito pelo povo e pelo direito à indignação.
  
«Estes manifestantes todos que andaram a berrar três ou quatro dias, sabe-se agora que Paulo Portas é o seu advogado.»
                                                                                                                          
                                    Medina Carreira



domingo, 16 de setembro de 2012

Dia límpido e claro

O dia de luta e de caminhada começou aqui 
(voltámos aos copos de vidro - vitória!)

A concentração fazia-se na Praça José Fontana - um 
lutador de outros tempos

Os objectivos eram claros

Preparava-se a «partida» - a mensagem era assertiva

Deixando para trás o Saldanha

Paragem obrigatória - edifício da Troika. 
Não cheguei a perceber o que reivindicava a senhora da frente

As cores nacionais predominavam - bem uma bandeira partidária.


Sem comentários, mas bem simbólico. 

Acho que ninguém pode duvidar, até os ladrões, 
se os visados forem outros, claro.


Esperemos nunca chegar lá.

Ao entrarmos na Av. de Berna, a Av. da República 
estava pejada até onde a vista alcançava.

A princesa da Av. de Berna. A 
panela ressentiu-se.

Bordalo e o «Zé Povinho» não podiam faltar 
numa manifestação tão popular.

A Praça de Espanha serviu de mar ao imenso rio de gente 
que ali desaguou.

Outra perspectiva, mas o mesmo mar.

Nem o senhor Gulbenkian faltou, nem a 
mensagem ao BCE. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O 15 de Setembro e os possíveis actos de violência

Tenho grandes expectativas para a jornada de protesto contra a austeridade levada ao extremo praticada pelo Governo, que tem ido muito além do que a Troika exige. Já se ouviu falar em possíveis actos de violência no decurso das manifestações, que serão inúmeras, em, pelo menos, duas dezenas de cidades portuguesas, mas também, imagine-se, em Fortaleza, no Brasil e, soube agora, em Bruxelas, na Bélgica. Penso que as ameaças não passam disso mesmo e visam, claramente, a desmobilização, porque as centenas de milhares de pessoas que se calcula estejam amanhã nas ruas, não têm sede de violência, mas de justiça.
Pode, no entanto, haver pequenos grupos de radicais que se misturem na massa humana e provoquem desacatos. Não seria a primeira vez. Quem vai para a rua amanhã, pacatos cidadãos que apenas querem usar o seu direito à indignação pela forma como têm vindo a ser tratados pelo poder, mas também os agentes da polícia que estarão a fazer o seu trabalho de segurança pública, devem estar despertos para esta possibilidade. A última coisa que gostaríamos de ver acontecer era a repetição das cenas lamentáveis que se verificaram há meses no Chiado, até porque, amanhã se prevê uma muito maior quantidade de pessoas, pelo que, as consequências de uma situação como essa produziria, certamente, danos muito mais graves.
No Público de hoje, sobre o assunto, a recomendação que se faz é a seguinte: quando os pacíficos manifestantes se confrontarem com tumultos originados por esses grupos, devem sentar-se de imediato no chão, para que mais facilmente a polícia se aperceba quem são os prevaricadores, a fim de se evitar que pague o justo pelo pecador.
De resto, vamos em força e determinados gritar contra esta política que devia envergonhar quem a faz, se, claro, quem a faz tivesse vergonha.  

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gente da cultura na mobilização para o 15 de Setembro


É verdade que alguns já o fizeram, mas, francamente, gostava de ver mais homens e mulheres das artes, das letras, da intervenção social, manifestarem-se contra esta «depressão que nos anima». A gente da cultura sempre teve um papel muito activo na mobilização, e muitos pagaram caro, com a própria vida até. Enquanto isto, outros ficaram-se pelo lamber das botas cardadas do poder, ou a fingir que nada do que se passava lhes dizia respeito, talvez com receio de perder isto ou aquilo ou apenas por medo.
Estamos a viver tempos de mudança, tempos em que o desaforo de quem manda, usa a crise económica para impor um programa político e ideológico que jamais poderia atrever-se a impor noutra conjuntura.
É tempo de dizer basta. E este basta terá outra força e será mais mobilizador, se homens e mulheres das artes e das letras, gente da cultura, porque tem mais visibilidade, der a cara, um passo em frente, se apresentar disponível para pagar a despesa que lhe caiba, no fundo arriscar, isso, arriscar, caraças. É tempo de arriscar.
Impõem-se a mobilização geral para o próximo dia 15. Ainda vamos a tempo de impedir algumas atrocidades civilizacionais que estão em marcha e de que todos somos vítimas.

Juntos conseguimos.

domingo, 9 de setembro de 2012

Não há almoços grátis... mas paga o mesmo


2012: ponto de situação – aumento geral dos impostos, redução dos salários dos funcionários públicos, que vinha de 2011, além do corte dos dois subsídios, o de férias e o de Natal.
Resultado: Vendo a capacidade aquisitiva altamente posta em causa, os portugueses retraem-se (que remédio) e as empresas morrem como se contraíssem um vírus fatal, levando a que a taxa de desemprego atinja valores impensáveis. Com menos empresas, menos gente a trabalhar, o PIB ressente-se, aumentam as despesas do Estado com a assistência social aos desempregados, baixa o número dos impostos pagos, reduzindo a receita do Estado. Agrava-se o défice que se pretendia combater.
Em que parte das contas nos enganámos? Não. Há um propósito ideológico, mas também materialista em tudo isto, porque a receita continua a mesma para 2013, agravada ainda com o corte de um dos subsídios, agora aos privados.
Que vai acontecer em 2013? Logicamente, o agravamento geral da situação. 
A política é suicidária, podemos pensar, mas não me parece. Há um propósito ideológico na sua aplicação e ele traduz-se no empobrecimento geral do país, para o tornar competitivo por via de salários baixos, parcas condições de trabalho e baixa capacidade reivindicativa. Tudo para facilitar a vida a meras franjas sociais, mas que são, apenas, os grupos económicos que mais ganham com este capitalismo selvagem que nos devora, que encontra nos actuais governantes - não só os portugueses - os principais defensores, esperando estes, naturalmente, vir a ganhar futuramente as devidas compensações pelo trabalho efectuado. Afinal, não há almoços grátis... mas paga o mesmo. 


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Afinal, o que é o serviço público de televisão?

Afinal, o que é serviço público de televisão?
Esta parece ser a grande questão dos últimos tempos e francamente, ainda não ouvi ou li, algo que fosse ao encontro daquilo que penso sobre o assunto, e não costumo andar distraído, por isso aqui vai. Para mim, a questão é simples: serviço público em sentido lato é tudo, porque tudo o que passa na televisão interessa sempre a alguém.
Ok, então porque raio a Constituição dá ênfase à coisa, se tudo é assim tão simples? Temos em Portugal três canais generalistas: a RTP1, a SIC e a TVI. Assentemos nisto, ainda que facilmente consigamos encontrar diferenças para melhor, no que respeita à programação da RTP1. Depois temos um 4º canal, que por acaso se chama 2 e que, apesar de tudo, marca a diferença. Se calhar tem séries americanas a mais, mas ainda assim, é o único que, de acordo com aquilo que penso, se aproxima do que é o tal serviço público a que a lei mestra faz referência. Isto porque, os primeiros três canais, prestando serviço público, têm vocação mais comercial, mais popular e conseguem satisfazer cerca de 80% dos telespectadores. Este número vale o que vale, é mais ou menos a olho, mas não arrisco muito ao avançar com ele - talvez esteja a ser optimista, aceito. Resta uma percentagem da população que não se revê na programação desses canais e que aprecia o grande cinema, com os grandes clássicos, claro, as belas séries tipo BBC (que saudades) os documentários históricos e culturais, os espectáculos de música étnica, jazz ou da dita música erudita. É disto que falamos quando falamos em serviço público de televisão. Trata-se de um tipo de programação que não arrasta multidões, mas que não pode deixar de existir, porque acontecendo, morremos todos um pouco enquanto povo, porque estagnamos. Servem-nos apenas o fácil, porque o fácil vende, atrai multidões, mas o fácil não estimula, inibe a imaginação, retrai o pensamento, o conhecimento – ok, estupidifica.
Só um canal de televisão do Estado - e não concessionado a grupos económicos -, pode fazer face a estas necessidades, porque este é um dos mais importantes papeis do Estado: contribuir para a evolução cultural do povo. Por isso, o 2 não pode ser extinto, porque morrendo, morre com ele toda esta capacidade de divulgar os produtos culturais que não cabem noutro canal e são imprescindíveis.
Escrevi muito, caraças... Ninguém vai ler isto. Afinal, definir serviço público não é tão fácil assim, não só pelo muito que escrevi, mas pelo muito que fica por dizer. Viva o 2.


domingo, 2 de setembro de 2012

Faltam 4 meses para o fim de 2012

- Ainda não tinha aberto as hostilidades em Setembro, pois não?
- Não!
- Pronto, estão abertas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Curtas - João Salaviza

Entre muito lixo, alguns filmes visíveis e um ou outro bom, fui encontrar no vídeo clube do Meo algo chamado «Curtas», de João Salaviza. Uns quatro ou cinco pequenos filmes, que perfazem pouco mais de uma hora de bom cinema. Entrei nessa.
Resumo: dor, marginalidade, pobreza, crime, polícias e Lisboa - aquela Lisboa que não ri.
Talvez daqui a 20 anos, perto dos cinquenta, João Salaviza consiga juntar a tudo isto, uma pitada de humor. Até os pobres, os marginais, os criminosos e os polícias, riem.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Pós-Graduação em Análise Interdisciplinar Forense


Encontram-se abertas as candidaturas para a frequência da Pós-Graduação em Análise Interdisciplinar Forense, a levar a cabo no ISCS Egas Moniz. 

A pós-graduação em Análise Interdisciplinar Forense visa a complementação da qualificação profissional dos formandos, nomeadamente na aquisição e consolidação de conhecimentos na análise do local do crime e na análise e interpretação de resultados periciais.

Plano Curricular  
Módulo
Horas
Acidentes/Crimes Rodoviários
12
Análise da Cena de Crime
18
Antropologia Forense
12
Balística
12
Botânica Forense
12
Documentoscopia
12
Entomologia Forense
12
Explosivos e Terrorismo
12
Genética Forense
18
Medicina Legal
12
Sociologia Criminal/Testes Estatísticos
18
Técnicas e Tácticas Processuais Penais
18
Toxicologia Forense e Substâncias de Abuso
12


 Coordenação
Profª Doutora Ana Paula Ferreira
Profª Doutora Mafalda Faria