Afinal, o que é o serviço público de televisão?

Afinal, o que é serviço público de televisão?
Esta parece ser a grande questão dos últimos tempos e francamente, ainda não ouvi ou li, algo que fosse ao encontro daquilo que penso sobre o assunto, e não costumo andar distraído, por isso aqui vai. Para mim, a questão é simples: serviço público em sentido lato é tudo, porque tudo o que passa na televisão interessa sempre a alguém.
Ok, então porque raio a Constituição dá ênfase à coisa, se tudo é assim tão simples? Temos em Portugal três canais generalistas: a RTP1, a SIC e a TVI. Assentemos nisto, ainda que facilmente consigamos encontrar diferenças para melhor, no que respeita à programação da RTP1. Depois temos um 4º canal, que por acaso se chama 2 e que, apesar de tudo, marca a diferença. Se calhar tem séries americanas a mais, mas ainda assim, é o único que, de acordo com aquilo que penso, se aproxima do que é o tal serviço público a que a lei mestra faz referência. Isto porque, os primeiros três canais, prestando serviço público, têm vocação mais comercial, mais popular e conseguem satisfazer cerca de 80% dos telespectadores. Este número vale o que vale, é mais ou menos a olho, mas não arrisco muito ao avançar com ele - talvez esteja a ser optimista, aceito. Resta uma percentagem da população que não se revê na programação desses canais e que aprecia o grande cinema, com os grandes clássicos, claro, as belas séries tipo BBC (que saudades) os documentários históricos e culturais, os espectáculos de música étnica, jazz ou da dita música erudita. É disto que falamos quando falamos em serviço público de televisão. Trata-se de um tipo de programação que não arrasta multidões, mas que não pode deixar de existir, porque acontecendo, morremos todos um pouco enquanto povo, porque estagnamos. Servem-nos apenas o fácil, porque o fácil vende, atrai multidões, mas o fácil não estimula, inibe a imaginação, retrai o pensamento, o conhecimento – ok, estupidifica.
Só um canal de televisão do Estado - e não concessionado a grupos económicos -, pode fazer face a estas necessidades, porque este é um dos mais importantes papeis do Estado: contribuir para a evolução cultural do povo. Por isso, o 2 não pode ser extinto, porque morrendo, morre com ele toda esta capacidade de divulgar os produtos culturais que não cabem noutro canal e são imprescindíveis.
Escrevi muito, caraças... Ninguém vai ler isto. Afinal, definir serviço público não é tão fácil assim, não só pelo muito que escrevi, mas pelo muito que fica por dizer. Viva o 2.


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