Um raio de sol invisível

53-GG-62 era a matrícula do autocarro Mercedes Benz da empresa Boa Viagem, que seguia à minha frente. A estrada estava molhada. A chuva deixara de cair minutos antes, mas ameaçava não se fazer demorar porque o céu mostrava a cor mais pura do chumbo. Um pouco adiante, uma quarentona gorducha corria o mais que podia no passeio à minha esquerda, com a sacola do almoço a baloiçar. Ia desesperada porque a paragem estava longe e aquele era o «seu» autocarro. Sem a esperança de conseguir chegar a tempo, levantou o braço livre para que o motorista a visse e, de súbito, o pisca da direita à minha frente começou a funcionar, a viatura reduziu a velocidade e algumas dezenas de metros depois imobilizou-se. Um raio de sol invisível tocou a senhora porque tudo parou para vê-la atravessar a estrada e, quando o fez, sorriu, agradecida.

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