Um passeio pelas ruas de Maputo

Quarta-feira, saí do hotel que fica na Av. Agostinho Neto e fui em busca de um passeio, se possível com um café como gratificação. Segui pela Av. Amílcar Cabral, entrei na enorme Mao Tsé Tung e ao fim de um km, do outro lado da avenida, vi a primeira esplanada. Muita gente nas ruas, muitos carros, vendedores ambulantes que escolhem as esquinas para se instalar e muitos vendedores verdadeiramente deambulantes, já que percorrem as ruas em busca de clientes carregando a mercadoria. Numa das esquinas, uma velha muito velha, agachada, tinha para venda quatro ovos, dois pacotes de pilhas pequenas e num fogareiro assava três maçarocas de milho – e que aroma tentador de lá saia… Vários engraxadores sapateiros fazem das esquinas de Maputo a sua oficina, mas em maior quantidade, os vendedores de cartões da M-Cel, uma das operadoras de comunicações, que se distinguem pelos seus berrantes coletes amarelos.
Quando esperava um queque ou um bolo de arroz, a empregada ofereceu-me chamuças ou «coxinhas de galinha».
- Uma dose de chamuças! – gritou ela para a cozinha.
- Quantas são? – perguntei de imediato.
Eram quatro. Arriscado, tendo em conta a hora matutina, pensei.
Entre as muitas pessoas que iam passando na larga avenida, duas meninas na casa dos onze, doze anos, seguiam junto da esplanada. Eram bonitas, pobres e tristes. Transportavam qualquer coisa em caixas velhas de cartão. Chinelos de plástico, calções de licra, camisolas de manga curta, eram a indumentária gasta pelo uso. Uma delas, porém, tinha estampado a toda a altura e largura da camisola letras grossas e douradas que compunham a frase: I want only Guess.
As chamuças eram pequenas, acabadas de fazer e saborosíssimas. Hei-de voltar.



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