4.8.1578 - morreu o Portugal que deixou marcas


Faz hoje anos, muitos, que acabou um certo Portugal, aquele que durante cerca de cem anos deu cartas ao mundo. Não devemos ter vergonha de o dizer. Vinha a definhar desde que a Inquisição aqui deu entrada, 40 anos antes, mas a 4 de Agosto de 1578 morreu de vez. 
Depois de um período de casulo, nasceu outra coisa, outro Portugal, medroso, rico em bufaria, que se habitou a obedecer e a não ousar e por isso, sem rasgos. Mais tarde foi-se a Inquisição, que tudo condicionou, mas ficaram os herdeiros inquisidores, que se vão sucedendo geração atrás de geração e nos mantém tolhidos, amedrontados, inócuos e entretidos. E assim passamos os dias, talvez à espera de um qualquer Dom Sebastião. Mas, porque hoje se assinala a morte do Portugal de que todos temos razões para nos orgulhar, permito-me deixar um aviso: foi assim, à espera, tolhidos, amedrontados, inócuos e entretidos, que nos lixámos.    

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