terça-feira, 30 de abril de 2013

Apresentação de «Contos Capitais»

«Contos Capitais» terá a sua apresentação pública no próximo dia 7 de Maio, pelas 18h30, na Sociedade Portuguesa de Autores. Marcelo Teixeira e José Jorge Letria farão as honras.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Marta e o 25 de Abril


A propósito do dia de hoje e da madrugada que aí vem, fiquem com um excerto de um capítulo da minha Primavera Adiada.


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Enquanto seguiam no Dyane até à Rua da Rosa, com Marta ao volante, António ligou o rádio e perguntou se o podia sintonizar na Rádio Renascença, no que foi consentido, sem, contudo, se livrar de um comentário demonstrativo da estranheza pela opção:
- Claro! Mas… Renascença...?
Ele sorriu pelo reparo, que tinha subjacente as ligações católicas da emissora, mas teceu rasgados elogios ao programa Limite, que ouvia sempre que podia. Ela não estava a par, mas lembrou-se e achou curiosa a referência que lera num dos intervalos das aulas no República daquele dia, jornal que um seu colega comprava religiosamente e que deixava sempre na sala dos professores. O artigo fazia rasgados elogios a esse mesmo programa e, por ter achado interessante a coincidência, comentou-o com António.
- Isso é muito estranho... – respondeu ele com cara de caso, ficando em aparente congeminação.
Quando subiam em direcção ao Príncipe Real, ouviram a voz grave do apresentador a declamar os versos da canção Grândola Vila Morena, a que se seguiu a passagem do tema musical, que foi ouvido em silêncio.
- É hoje, tem de ser hoje – disse António enquanto soavam os últimos acordes. Um certo brilho nos olhos denunciava alguma emoção.
Ela quis saber o quê e ele esclareceu-a relativamente às suas conclusões. As conversas que vinha a ouvir junto dos seus camaradas, sobre o que se estava a preparar, conjugado com o artigo do oposicionista República a que Marta aludira, empurrando os leitores para a audição do Limite nessa noite e ainda, a passagem daquela canção nesse mesmo programa àquela hora, na sua concepção das coisas e após tudo pesado, só poderia ter um significado:
- Os militares vão para a rua – disse extasiado.
- Os militares vão para a rua?... Ok… mas nós vamos para casa, certo? – respondeu a mulher, com a placidez da verdadeira autoridade.
Entusiasmado, beijou-a nos lábios, obrigando-a a desviar a cabeça para não perder o contacto visual com a estrada. A reacção masculina fora motivada não só pela declaração que acabara de ouvir à condutora, mas também por tudo quanto se passara ao longo da noite, e principalmente, pelo que adivinhava que iria acontecer nas próximas horas, não só em sua casa, mas também no País. Estava eufórico.
No País, é sabido, aconteceu algo. As Forças Armadas destituíram o poder instalado, derrubando o regime de quase cinquenta anos e prometeram restabelecer a democracia, legalizar os partidos, libertar os presos políticos, pôr a Nação nos eixos do desenvolvimento e descolonizar as Províncias Ultramarinas, pondo fim à tão odiada guerra em África. Em casa de António, um modesto, mas acolhedor apartamento que ele ocupara após a separação, segundo Marta, foi bom mas curto. Depois de António lhe mostrar o seu escritório, onde devorava livros horas a fio, tentando descobrir factos e personagens que ficaram perdidos no tempo, sentaram-se no sofá da sala a beber café e Macieira, enquanto iam trocando carícias verbais e gestuais.
Quando tomavam balanço para entrar em patamares mais altos da afectividade e os corpos já se uniam, as mãos pesquisavam e as bocas se tocavam, suou o inoportuno terrrim-terrrim do telefone. Era o chefe do dono da casa a pedir-lhe que se apresentasse de imediato na redacção. Estavam na fase inicial da preparação de uma edição especial do jornal, porque, dizia, «As horas que se aproximam também serão especiais.» Já empolgado, o jornalista quis conhecer as razões, e elas chegaram, confirmando as suas mais animadas suspeitas. Desligou e quando o fez todo o seu corpo estava efervescente. Porém, mal viu Marta sentada no sofá expectante, o sorriso exterior, mas também um pouco o interior, esmoreceu. A excitação em que o telefonema o deixara pareceu adormecer um pouco.
Encarou a rapariga como quem tinha uma declaração horrível para lhe fazer que de si para si lhe soou a: «Adoraria ficar, mas, entretanto apareceu outra ainda mais deslumbrante do que tu, a quem há muito desejo. Logo, tu sais de cena. Adeus.» Desfez-se em mil desculpas, responsabilizou o diabo do chefe, o maldito trabalho, mas a verdade é que os militares estavam na rua. Estalara a tão sonhada revolução e ele, nem por Marta a queria perder. E ela nunca lhe perdoou.

Pablo Neruda - Isabel Allende


                            PABLO NERUDA                                                 ISABEL ALLENDE

Em 1973, Pablo Neruda convidou Isabel Allende - na altura era jornalista de revistas femininas, ainda sem nenhum livro publicado - para ir a sua casa, em Isla Negra, no Chile.
Isabel Allende pensava que era para ela lhe fazer uma entrevista..
Já na casa, e após uma breve conversa, Allende pergunta a Neruda: «Vamos começar então a entrevista?»
O poeta então, admirado, responde:
«A mim? Nunca me submeteria a semelhante prova! (…) A senhora deve ser a pior jornalista deste país, filha. É incapaz de ser objectiva, coloca-se no centro de tudo, e suponho que mente bastante e, quando não tem uma notícia, inventa-a. Porque não se dedica a escrever romances? Na literatura esses defeitos são virtudes.»


Citações tiradas do livro «Paula» (1994), da escritora.

(texto retirado da página de Facebook de Miguel Pestana)

MNRauditório2013-04-27Concerto GuitarDrums - C.M. Vila Franca de Xira

MNRauditório2013-04-27Concerto GuitarDrums - C.M. Vila Franca de Xira

domingo, 21 de abril de 2013

Blade Runner - o filme


É uma paixão antiga que não esmorece. LA, 2019, o caos. Os humanos, os quase-humanos, os escravos, os répteis e os que se aproveitam. «Viver com medo é uma grande experiência, não é? É assim que vivem os escravos.» Dizia o humanoide que parecia ser o mau, para o que parecia ser o bom. No fim morrem todos. Nem todos da mesma forma, há muitas formas de morrer. O filme termina com a frase: «É uma pena ela ir morrer, mas quem sobreviverá?» Sempre que vejo Blade Runner encontro coisas novas. Uma obra-prima é mesmo assim. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Capa, contracapa e badanas do Chalet das Cotovias

Eis o plano do Chalet das Cotovias. Já agora, aproveito para anunciar que a apresentação pública deste novo livro, será feita pelo Fernando Dacosta, que amavelmente aceitou o meu convite, e terá lugar no El Corte Inglés, no próximo dia 13 de Maio.

L`aventure c`est l`aventure


Por vezes fazem-se filmes que vencem o tempo. Acabei de o rever, de novo. A propósito de tempo, este que vivemos está longe de ser dos melhores que já vivemos, talvez não seja mau rir um pouco, por vezes muito.

sábado, 13 de abril de 2013

Chalet das Cotovias

Não sei se já vos tinha falado do Chalet das Cotovias? Ando a falar dele por esses recantos culturais, onde me convidam a estar presente, mas aqui penso que não, pelo menos enquanto obra minha. Pois é, na próxima 2ª feira estará a entrar na gráfica e dia 2 de Maio, será distribuído por todo o país o meu 7º livro. Este fim-de-semana há azáfama para ultimar a capa. Autor, editor, comercial e designer, estão em sintonia para que não falhe qualquer pormenor, por mais ínfimo que seja. Estou em pulgas para a ver, tal como estava em Fevereiro de 2005, quando saiu O Caso da Rua Direita, a minha primeira publicação. Da trama falaremos lá mais para a frente, só adianto que se baseia em factos reais passados entre Lisboa e Sintra nos anos trinta do século passado, envolve uma comunidade cultural, que buscava igualmente prazer noutras áreas não exclusivamente espirituais, e claro, um crime de morte. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Visita à Escola Secundária Padre Alberto Neto em Queluz

Foi hoje. Acabei de chegar a casa.

Alcino Pedrosa, um estimado amigo e professor de História e de Cidadania, na Escola Secundária Padre Alberto Neto, fez-me o simpático convite de ali me dirigir aos alunos e proferir uma conferência subordinada ao tema «A Literatura, a História e a Cidadania»
Como se pode recusar um convite destes? Lá fui.
Sobre o tema, nada melhor do que falar dos meus três romances históricos e ao fazê-lo, conseguia o pleno.
A cidadania? Pois, eu entendo que aquilo que ia acontecer e aconteceu no magnífico anfiteatro era, por si só, um acto de cidadania, da parte dos ouvintes, que se dispõem a estar presentes, do organizador, Alcino Pedrosa, e da Escola que a todos acolheu. Já agora, no que me diz respeito, fazer estas visitas custeando as próprias deslocações, sem a perspectiva de vendas, porque nunca foi isso que me motivou, o que é se não um acto de cidadania? Para concluir este item, falar de História e de Literatura, que é isso se não um puro acto de cidadania?
Predispus-me usar os três livros como pretexto para abordar as épocas em que decorrem as respectivas tramas: O Homem da Carbonária - sobre a Primeira República e a instauração da Ditadura; O Chalet das Cotovias (que só sairá em Maio) - sobre os anos trinta e a instauração do Estado Novo e, por fim, a Primavera Adiada, que aborda o marcelismo e o 25 de Abril. 
Tinham-me perguntado quanto tempo usaria e respondi que talvez quarenta minutos bastassem. Pois bem, comecei por essas 8 e picos e quando dei por mim, eram 9h30, e os coitados dos alunos ainda nem sequer tinham tido oportunidade de colocar qualquer questão. Temo que tenha sido um pouco chato para os alunos, mas na verdade, apenas três ou quatro, dos bem perto de cem que ocupavam o anfiteatro, foram saindo.
Deu-se então início ao período de debate e quando mais ninguém avançou com perguntas, o relógio marcava as 10 da noite.
Não sei se eles gostaram, penso francamente que sim, por mim, acho que foram duas horas que souberam a pouco, o que diz da forma intensa como foram vividas. Haja mais.           

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Diogo Alves e a verdade, ou esta Lisboa que eu amo

Iniciaram-se hoje as filmagens do episódio piloto de uma nova série documental para a RTP. Este episódio aborda os crimes de Diogo Alves, ocorridos nos finais da década de trinta do Séc. XIX. Já que tinha de, pela primeira vez na minha vida, pisar o Aqueduto das Águas Livres, que fosse munido com uma máquina fotográfica. Foi o que fiz. Não sei se dei um grande contributo para o documentário, sei que dei uso à máquina e que rapei um vento agreste... só comparável ao que sofri quando escalei o Evereste. Foi em... não me lembro. Gozem a paisagem e as maravilhas da nossa capital, captadas de um miradouro único e virgem para mim. 














quinta-feira, 4 de abril de 2013

Contos Capitais já está nas livrarias


Contos Capitais

O primeiro livro da nova editora, a Parsifal, começou hoje a ser distribuído. Trata-se de um livro de contos sobre 30 capitais do mundo vistas por trinta escritores. Este vosso amigo escolheu Bissau. Porque sim. Está longe de ser uma cidade maravilhosa, está degradada, esburacada, velha, suja, mas conseguem-se ali ver sorrisos que não se vêem noutras cidades, essas tais que deslumbram o visitante.