Arrumar o sótão tem destas coisas


As férias também são o tempo em que nos podemos dar ao luxo de arrumar espaços que frequentamos menos ao longo do ano. A garagem e o sótão encaixam neste perfil.
Se a garagem só serve como local de estágio para coisas que estão condenadas ao lixo, o sótão serve como o armazém da memória familiar. É também no sótão que guardo os livros. Há-os na sala, no escritório, no quarto, mas a maior parte encontra-se no sótão. 
A manhã de hoje foi dedicada a arrumar, pelo menos tentar, o sótão. Para mim, o problema de arrumar espaços que concentram a memória, é que me prendo a muito do que vou encontrando e que era suposto passar adiante para que o objetivo inicial se cumprisse. Dediquei-me apenas aos livros, porque o tempo não dava para mais. De repente, deparei-me com uma série de títulos que tinham tudo a ver com as minhas filhas e parei com a arrumação. Elas saíram de casa quando foram para a universidade e não voltaram - cansadas dos pais? Selecionei uma série de livros pertencentes a várias coleções, ou não, mas que preencheram a meninice e a adolescência das minhas duas raparigas e que eu fui acompanhando. Pus-me a olhar para o «Principezinho», que li na íntegra a ambas quando ainda não sabiam ler, os livros de Sophia, de Alice Vieira, de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, «A Lua de Joana», de Maria Teresa Maia Gonzales – como eu fiz questão que o lessem – e claro, o Harry Potter, e muitos, muitos mais.
Apenas consegui dar uma arrumadela aos livros, tudo o resto, que não é pouco, fica condenado a aguardar por melhor oportunidade - se calhar só as próximas férias a trarão -, mas foi uma torrente de recordações e emoções saborosas que emergiram e me preencheram ao longo desta manhã.

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