terça-feira, 14 de agosto de 2012

O mestre Gedeão e a sua visão do ser humano


O editor Hugo Xavier, num post no Facebook, fez-me recordar uma passagem de, talvez, a última entrevista dada pelo poeta António Gedeão, que aqui deixo:
  
«...eu nunca votei. Eu não acredito nos seres humanos. Não acredito na capacidade de os homens fazerem qualquer coisa socialmente boa. Só são capazes de fazer qualquer coisa segundo os seus interesses pessoais. Ou seja fascismo ou seja democracia, ou seja o que for, os homens ou aproveitam a dureza do fascismo para obrigarem os outros a fazerem aquilo que desejam, ou aproveitam a liberdade da democracia para fazerem o que podem em seu proveito.»

Eu teria trinta e tal anos e estava a ver essa entrevista porque, desde que me conheço, sempre ouvi falar do poeta, cuja obra admiro e a que volto amiúde. Ao ouvi-lo falar assim, e recordo que ele andaria perto dos noventa, fiquei com um certo amargo na boca. Aquilo que na altura me pareceu como que uma blasfémia contra o ser humano, hoje, que já passei os cinquenta, compreendo melhor o que disse. Não estou preparado para aceitar a sua tese na íntegra - ainda voto - mas temo que o venha a poder fazer daqui a não muito tempo. E não fico feliz com isso.