sábado, 29 de setembro de 2012

Os políticos e os cartões amarelos

A classe política de uma forma geral e o Governo em particular deve pôr os olhos nas manifestações que têm ocorrido em Portugal e compará-las com as de Espanha e Grécia. Se o fizerem atentamente, devem concluir:

- 1º - o povo português aponta o dedo ao estado doentio da Democracia;
- 2º - o povo português aponta o dedo aos excessos cometidos pelos políticos dos partidos do arco do poder, em prol desses mesmos políticos e desses mesmos partidos;
- 3º - o povo português aponta o dedo às promessas eleitorais não cumpridas, mas também às promessas eleitorais descabidas, feitas por mero eleitoralismo;
- 4º - o povo português aponta o dedo à falta de seriedade da classe política e está cansado de pagar pelos erros que não lhe podem ser imputados, mas a quem o tem governado;
- 5º - a prova de que o povo português está unido no que respeita aos 4 pontos anteriores, é a força das manifestações;

Não obstante as centenas de milhares de pessoas envolvidas nas manifestações, deve salientar-se o elevado nível cívico do povo português, provando que, ao manifestar-se, apenas quer dar conta do seu mal-estar. Já deu provas que não deseja dar argumentos às polícias para que estas ajam como as espanholas e as gregas têm feito. Mas cuidado políticos de Portugal, o povo é sereno, mas não é tolo. Atentem em tudo o que desde o dia 15 deste mês se tem passado e ajam em consonância. Não arrisquem, não ponham à prova a capacidade de sofrimento do povo, que está no limite. Ouçam-no.      

     

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

«Acordai» - já são horas


«Acordai» está na moda - há modas boas. Por boas razões voltou a falar-se de Fernando Lopes Graça e de José Gomes Ferreira. O «Acordai» está um pouco por todo o país. Esperemos que os objectivos dos autores da canção, que nasceu em 1946, se cumpram e que os portugueses despertem da letargia colectiva em que estiveram nas últimas décadas. O 15 e o 21 de Setembro são datas que provam que a mensagem está a passar. Já deram alguns resultados positivos, mas muitos outros precisamos de alcançar, Portugal precisa e merece. Vamos ver como corre amanhã a 3ª grande manifestação do mês. - Portugueses, ACORDAI!  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os gauleses devem estar loucos...


Lei deverá ficar concluída no final do Verão e junta-se à diminuição da idade da reforma para dar cumprimento a algumas promessas eleitorais

França vai encarecer despedimentos para combater o desemprego de 10%

François Hollande
François Hollande
D.R.
07/06/2012 | 15:41 | Dinheiro Vivo
O novo governo socialista francês está a planear uma nova lei de trabalho que aumente o custo dos despedimentos. A medida estará pronta dentro de meses, segundo anunciou hoje o ministro do Trabalho, após a notícia do aumento da taxa de desemprego para 10%.
A França tinha anunciado recentemente a redução da idade da reforma para os 60 anos no caso de trabalhadores com carreiras contributivas mais longas, dando assim cumprimento à promessa eleitoral e desafiando os problemas económicos e a advertência da União Europeia sobre a sobrecarga da Segurança Social.
O presidente François Hollande assumiu o cargo no mês passado com a promessa de combater o desemprego, que atingiu agora o nível mais elevado dos últimos 13 anos.
Num contexto de conomia estagnada, o ministro do Trabalho, Michel Sapin, disse serem necessárias medidas urgentes contra o desemprego e que iria implementar uma nova lei após as férias de Verão.
"A ideia principal é encarecer de tal ordem os despedimentos que não compense às empresas [fazê-lo]", disse Sapin em entrevista à rádio France Info. "Não se trata de sanções, mas de dar compensações adequadas aos trabalhadores", complementou.A iniciativa de encarecer os despedimentos em França, onde já estão altamente regulamentados e, muitas vezes, são muito dispendiosos para os empregadores, contrasta com as medidas em curso noutros países da Zona Euro, como Itália e Espanha, onde o despedimento se tornou mais barato.
Sapin, um ex-ministro e amigo de longa data de Hollande, disse que o Governo não pode ficar de braços cruzados enquanto as empresas otimizam os seus modelos de funcionamento para melhorar a sua rentabilidade e aumentar os dividendos pagos aos acionistas.

domingo, 23 de setembro de 2012

Wish You Were Here - Hoje sinto-me piegas e não cigarra


Este modesto espaço, que no início de Outubro cumprirá três anos, serve também para verter um pouco da nostalgia que vamos sentindo - porque não? Conheci os Pink Floyd, posso dizê-lo, com este tema e com este disco. Foi, talvez o grupo não português que acompanhei mais de perto. Eles já vinham de trás, mas a partir daí crescemos juntos. Pude vê-los em Alvalade, penso que em 1994, e foi um acontecimento que ainda hoje recordo bem, tal a marca que deixou. Tenho, claro, todos os seus discos e a eles regresso amiúde. Por vezes, ao ouvi-los, um ou outro amigo dos tempos da descoberta emerge a propósito sei lá de quê... Alguns já não pertencem ao número dos vivos, outros perderam-se nas duras encruzilhadas da vida, outros ainda, seguiram caminhos tais, que calhou não os voltar a ver. A todos, dedico este tema. É justo. 
Hoje sinto-me piegas e não cigarra.      

sábado, 22 de setembro de 2012

O Conselho de Estado a montanha e os ratos

O comunicado que foi lido por um senhor bem posto, já passava da uma, é a prova provada de que a montanha não tem o exclusivo, o Conselho de Estado também pare ratos - só que demora muito tempo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Medina Carreira - estará louco?

A isto eu chamo visão escorreita da vida democrática e respeito pelo povo e pelo direito à indignação.
  
«Estes manifestantes todos que andaram a berrar três ou quatro dias, sabe-se agora que Paulo Portas é o seu advogado.»
                                                                                                                          
                                    Medina Carreira



domingo, 16 de setembro de 2012

Dia límpido e claro

O dia de luta e de caminhada começou aqui 
(voltámos aos copos de vidro - vitória!)

A concentração fazia-se na Praça José Fontana - um 
lutador de outros tempos

Os objectivos eram claros

Preparava-se a «partida» - a mensagem era assertiva

Deixando para trás o Saldanha

Paragem obrigatória - edifício da Troika. 
Não cheguei a perceber o que reivindicava a senhora da frente

As cores nacionais predominavam - bem uma bandeira partidária.


Sem comentários, mas bem simbólico. 

Acho que ninguém pode duvidar, até os ladrões, 
se os visados forem outros, claro.


Esperemos nunca chegar lá.

Ao entrarmos na Av. de Berna, a Av. da República 
estava pejada até onde a vista alcançava.

A princesa da Av. de Berna. A 
panela ressentiu-se.

Bordalo e o «Zé Povinho» não podiam faltar 
numa manifestação tão popular.

A Praça de Espanha serviu de mar ao imenso rio de gente 
que ali desaguou.

Outra perspectiva, mas o mesmo mar.

Nem o senhor Gulbenkian faltou, nem a 
mensagem ao BCE. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O 15 de Setembro e os possíveis actos de violência

Tenho grandes expectativas para a jornada de protesto contra a austeridade levada ao extremo praticada pelo Governo, que tem ido muito além do que a Troika exige. Já se ouviu falar em possíveis actos de violência no decurso das manifestações, que serão inúmeras, em, pelo menos, duas dezenas de cidades portuguesas, mas também, imagine-se, em Fortaleza, no Brasil e, soube agora, em Bruxelas, na Bélgica. Penso que as ameaças não passam disso mesmo e visam, claramente, a desmobilização, porque as centenas de milhares de pessoas que se calcula estejam amanhã nas ruas, não têm sede de violência, mas de justiça.
Pode, no entanto, haver pequenos grupos de radicais que se misturem na massa humana e provoquem desacatos. Não seria a primeira vez. Quem vai para a rua amanhã, pacatos cidadãos que apenas querem usar o seu direito à indignação pela forma como têm vindo a ser tratados pelo poder, mas também os agentes da polícia que estarão a fazer o seu trabalho de segurança pública, devem estar despertos para esta possibilidade. A última coisa que gostaríamos de ver acontecer era a repetição das cenas lamentáveis que se verificaram há meses no Chiado, até porque, amanhã se prevê uma muito maior quantidade de pessoas, pelo que, as consequências de uma situação como essa produziria, certamente, danos muito mais graves.
No Público de hoje, sobre o assunto, a recomendação que se faz é a seguinte: quando os pacíficos manifestantes se confrontarem com tumultos originados por esses grupos, devem sentar-se de imediato no chão, para que mais facilmente a polícia se aperceba quem são os prevaricadores, a fim de se evitar que pague o justo pelo pecador.
De resto, vamos em força e determinados gritar contra esta política que devia envergonhar quem a faz, se, claro, quem a faz tivesse vergonha.  

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gente da cultura na mobilização para o 15 de Setembro


É verdade que alguns já o fizeram, mas, francamente, gostava de ver mais homens e mulheres das artes, das letras, da intervenção social, manifestarem-se contra esta «depressão que nos anima». A gente da cultura sempre teve um papel muito activo na mobilização, e muitos pagaram caro, com a própria vida até. Enquanto isto, outros ficaram-se pelo lamber das botas cardadas do poder, ou a fingir que nada do que se passava lhes dizia respeito, talvez com receio de perder isto ou aquilo ou apenas por medo.
Estamos a viver tempos de mudança, tempos em que o desaforo de quem manda, usa a crise económica para impor um programa político e ideológico que jamais poderia atrever-se a impor noutra conjuntura.
É tempo de dizer basta. E este basta terá outra força e será mais mobilizador, se homens e mulheres das artes e das letras, gente da cultura, porque tem mais visibilidade, der a cara, um passo em frente, se apresentar disponível para pagar a despesa que lhe caiba, no fundo arriscar, isso, arriscar, caraças. É tempo de arriscar.
Impõem-se a mobilização geral para o próximo dia 15. Ainda vamos a tempo de impedir algumas atrocidades civilizacionais que estão em marcha e de que todos somos vítimas.

Juntos conseguimos.

domingo, 9 de setembro de 2012

Não há almoços grátis... mas paga o mesmo


2012: ponto de situação – aumento geral dos impostos, redução dos salários dos funcionários públicos, que vinha de 2011, além do corte dos dois subsídios, o de férias e o de Natal.
Resultado: Vendo a capacidade aquisitiva altamente posta em causa, os portugueses retraem-se (que remédio) e as empresas morrem como se contraíssem um vírus fatal, levando a que a taxa de desemprego atinja valores impensáveis. Com menos empresas, menos gente a trabalhar, o PIB ressente-se, aumentam as despesas do Estado com a assistência social aos desempregados, baixa o número dos impostos pagos, reduzindo a receita do Estado. Agrava-se o défice que se pretendia combater.
Em que parte das contas nos enganámos? Não. Há um propósito ideológico, mas também materialista em tudo isto, porque a receita continua a mesma para 2013, agravada ainda com o corte de um dos subsídios, agora aos privados.
Que vai acontecer em 2013? Logicamente, o agravamento geral da situação. 
A política é suicidária, podemos pensar, mas não me parece. Há um propósito ideológico na sua aplicação e ele traduz-se no empobrecimento geral do país, para o tornar competitivo por via de salários baixos, parcas condições de trabalho e baixa capacidade reivindicativa. Tudo para facilitar a vida a meras franjas sociais, mas que são, apenas, os grupos económicos que mais ganham com este capitalismo selvagem que nos devora, que encontra nos actuais governantes - não só os portugueses - os principais defensores, esperando estes, naturalmente, vir a ganhar futuramente as devidas compensações pelo trabalho efectuado. Afinal, não há almoços grátis... mas paga o mesmo. 


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Afinal, o que é o serviço público de televisão?

Afinal, o que é serviço público de televisão?
Esta parece ser a grande questão dos últimos tempos e francamente, ainda não ouvi ou li, algo que fosse ao encontro daquilo que penso sobre o assunto, e não costumo andar distraído, por isso aqui vai. Para mim, a questão é simples: serviço público em sentido lato é tudo, porque tudo o que passa na televisão interessa sempre a alguém.
Ok, então porque raio a Constituição dá ênfase à coisa, se tudo é assim tão simples? Temos em Portugal três canais generalistas: a RTP1, a SIC e a TVI. Assentemos nisto, ainda que facilmente consigamos encontrar diferenças para melhor, no que respeita à programação da RTP1. Depois temos um 4º canal, que por acaso se chama 2 e que, apesar de tudo, marca a diferença. Se calhar tem séries americanas a mais, mas ainda assim, é o único que, de acordo com aquilo que penso, se aproxima do que é o tal serviço público a que a lei mestra faz referência. Isto porque, os primeiros três canais, prestando serviço público, têm vocação mais comercial, mais popular e conseguem satisfazer cerca de 80% dos telespectadores. Este número vale o que vale, é mais ou menos a olho, mas não arrisco muito ao avançar com ele - talvez esteja a ser optimista, aceito. Resta uma percentagem da população que não se revê na programação desses canais e que aprecia o grande cinema, com os grandes clássicos, claro, as belas séries tipo BBC (que saudades) os documentários históricos e culturais, os espectáculos de música étnica, jazz ou da dita música erudita. É disto que falamos quando falamos em serviço público de televisão. Trata-se de um tipo de programação que não arrasta multidões, mas que não pode deixar de existir, porque acontecendo, morremos todos um pouco enquanto povo, porque estagnamos. Servem-nos apenas o fácil, porque o fácil vende, atrai multidões, mas o fácil não estimula, inibe a imaginação, retrai o pensamento, o conhecimento – ok, estupidifica.
Só um canal de televisão do Estado - e não concessionado a grupos económicos -, pode fazer face a estas necessidades, porque este é um dos mais importantes papeis do Estado: contribuir para a evolução cultural do povo. Por isso, o 2 não pode ser extinto, porque morrendo, morre com ele toda esta capacidade de divulgar os produtos culturais que não cabem noutro canal e são imprescindíveis.
Escrevi muito, caraças... Ninguém vai ler isto. Afinal, definir serviço público não é tão fácil assim, não só pelo muito que escrevi, mas pelo muito que fica por dizer. Viva o 2.


domingo, 2 de setembro de 2012

Faltam 4 meses para o fim de 2012

- Ainda não tinha aberto as hostilidades em Setembro, pois não?
- Não!
- Pronto, estão abertas.