Quem tem medo de Virginia Woolf

Um texto intemporal que, inevitavelmente, me remete para Richard Burton e Elizabeth Taylor e para um filme dos anos 60, mas a culpa é minha.
Voltou a Portugal esta magnífica peça de Edward Albee e, desde Novembro até final deste mês de Janeiro, estará no D. Maria II. Fui vê-la ontem e gostei muito. Foi bom voltar à riqueza daquele texto que, diga-se, está muito bem entregue aos quatro actores escolhidos. Elas (Maria João Luís e Sandra Faleiro) melhor que eles (Virgílio Castelo e Romeu Costa). Sandra Faleiro faz de forma sublime a Honey, a jovem esposa - o melhor desempenho. Maria João Luís é a protagonista, está permanentemente, ou quase, em cena e sentem-se alguns desequilíbrios na sua prestação, ainda assim é altamente positivo o seu trabalho. Em abono de todos, convêm repetir que o espectáculo está em cena desde Novembro, pretendendo com isto justificar algum desgaste, perfeitamente compreensível.
Tudo se passa na sala de visitas de Martha e George, um casal de meia-idade, que recebe o jovem casal Nick e Honey. Vai ser este o local de todos os excessos alcoólicos e não só, mas talvez estes contribuíam para abrir as portas que permitem expor tudo o que havia para expor e sempre fora adiado; a noite das facas longas nas relações. Jogos de verdade e consequência cruéis que a todos os quatro em cena atingem. É aquele o tempo de chegar ao «tutano» das relações, no dizer de George.
Quem tem medo de Virgínia Woolf? Verdadeiramente não perder, mas já não há muito tempo. Termina no dia 29.

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