«Os pobres que paguem a crise, são mais e já estão habituados»

«Os ricos que paguem a crise», é uma frase que vem dos tempos que se seguiram ao 25 de Abril. Saiu das franjas mais extremistas da esquerda, mas mesmo quem a inventou não acreditou muito na sua eficácia, até porque do lado visado rapidamente surgiu a resposta: «Os pobres que paguem a crise, são mais e já estão habituados.» E assim tem sido.


Acontece que nos últimos dias os milionários despertaram subitamente para o espírito solidário e parecem dispostos a dar um contributo, à sua dimensão, para acabar com a dita crise. O dono da 3ª maior fortuna do mundo vai mais longe ao aconselhar os políticos a deixar de mimar os ricos. São palavras suas e ele lá sabe do que fala. Nada que não soubéssemos, mas nunca nenhum beneficiário desta evidente descriminação positiva fora tão longe.

Para mim, esta tomada de consciência - chamemos-lhe assim -, só prova a real gravidade da situação económica mundial e visa apenas um objectivo: evitar o agravamento da crise por temerem vir a perder muito mais devido aos graves tumultos sociais que perspectivam. Digo eu porque, verdadeiramente, só isso os faz tremer. E também eles estão a ficar nervosos.

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