Assassínio na terra do samba ao som de órgão de igreja

Ele confiou na reduzidíssima taxa de sucesso da polícia brasileira - cerca de 1%. Tomou algumas precauções, é verdade, mas não as suficientes para driblar uma investigação que mergulhou fundo, onde habitualmente não chega porque, se assim fosse, a taxa de sucesso não seria tão franciscana.
Mas se a investigação foi onde à partida não se pensaria que fosse, apenas conseguiu provar que o suspeito é mentiroso. Efectivamente, há apenas indícios. O facto de ter mentido, leva a crer, naturalmente, que tivesse algo a esconder, podendo esse algo ser aquele assassínio em concreto. Mas apenas isso.
Testemunhas oculares não há e elementos de prova material parece pautarem pela ausência igualmente, ou pelo menos a sua existência não resulta da leitura da acusação, fraquinha, de resto. Não há referência a arma usada, sangue da vítima no carro usado, marcas do suspeito deixadas no local do crime, entre outras.
Faltava um tapete do carro, que não foi encontrado pela polícia; houve excesso de velocidade perto do local do crime; mentiu quando disse desconhecer a marca da viatura e a empresa onde a alugou, e tinha até móbil para o crime. Tudo isto é verdade, mas falta o resto. Se o julgamento decorrer no Brasil – como tudo leva a crer que aconteça - não tenho elementos para me pronunciar sobre possíveis desfechos, por desconhecer as dinâmicas e as sensibilidades locais. Em Portugal, uma acusação como a que me foi dado ler, seria motivo para a defesa esfregar as mãos de contente.
Bom, a não ser que a comunicação social desse um jeito, forçasse a barra, como se diz na terra do samba, e o julgamento tocasse a certos juízes que cedem e gostam de acórdãos que parecem procurar aconchego no colinho da opinião pública. Mas, com arguidos com um certo peso, como é o caso… outro órgão tocaria.

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